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Review: Clive Barker's Hellraiser: Revival

há 10 minutos
5 min de leitura

Hellraiser encontra nos games seu ritual mais perturbador



Clive Barker's Hellraiser: Revival é uma adaptação para os videogames de uma das franquias mais perturbadoras do terror conhecida por explorar os limites entre dor, prazer e sofrimento. Com uma história inédita, o jogo coloca o jogador diante dos Cenobitas, criaturas sobrenaturais que transformam a agonia em uma experiência extrema, enquanto mistérios envolvendo a Configuração Gênesis conduzem a aventura por cenários grotescos e situações cada vez mais perturbadoras. Na pele de Aidan Lynch, precisamos enfrentar esse universo de horrores para tentar salvar nossa namorada, Sunny.

Desde os primeiros momentos, Hellraiser: Revival demonstra que não pretende suavizar a identidade da franquia. A violência explícita, o horror corporal e o desconforto fazem parte da experiência, acompanhados por uma narrativa que busca aprofundar a mitologia dos Cenobitas. É uma proposta que pode afastar jogadores mais sensíveis, mas também desperta a curiosidade de quem deseja conhecer esse universo para além dos filmes.



GAMEPLAY



A exploração mistura coleta de materiais, procura por objetos importantes, quebra-cabeças e momentos de perseguição que conseguem transmitir a sensação de estar realmente em apuros. O inventário reúne itens-chave, materiais de fabricação, um mapa e um diário com informações sobre a aventura. Outro detalhe curioso é a possibilidade de acompanhar os batimentos cardíacos do protagonista na tela, um elemento que combina com a proposta de manter o jogador sob tensão. O progresso também conta com salvamentos manuais, realizados em fendas encontradas pelo cenário, e salvamentos automáticos. Algumas interações são um pouco estranhas, principalmente quando a movimentação do controle exige virar a câmera completamente para determinado lado, mas são particularidades com as quais acabamos nos acostumando.


Em determinadas situações, precisamos observar o ambiente e descobrir a solução a partir de pistas visuais. Uma das sequências iniciais exige mexer em partes de corpos modificados para encaixar elementos e resolver um enigma. Em outro momento, encontramos uma caveira coberta de pregos e precisamos pressionar os pontos corretos para liberar uma chave que permite abrir uma porta com uma aparência bastante grotesca. Há também códigos numéricos e enigmas escondidos nas próprias salas, que podem exigir alguns minutos de observação até finalmente entendermos o que fazer. São situações que valorizam a exploração e fazem o jogador prestar atenção ao que está ao redor.

A Configuração Gênesis ganha importância conforme avançamos, especialmente quando começamos a utilizar a energia do cubo a nosso favor. A possibilidade de coletar objetos brilhantes e lançá-los, combinada às habilidades sobrenaturais, amplia as opções durante os confrontos. A busca por corações para restaurar Shailod também marca uma mudança interessante na maneira como encaramos a aventura. Aos poucos, deixamos de nos sentir apenas como vítimas das circunstâncias e passamos a assumir uma postura muito mais agressiva diante das ameaças. As perseguições ajudam a manter essa dinâmica, trazendo momentos em que precisamos aprender o caminho e evitar repetir os mesmos erros. Algumas sequências podem ficar um pouco fora de ritmo, especialmente quando somos obrigados a correr por determinados trechos, mas a sensação de perigo funciona bem. Acho que o jogo tira um pouco do aspecto de quebra-cabeças depois das sequencias iniciais para da mais foco a sobrevivencia e matança.



Os inimigos ligados ao culto são um dos pontos em que eu gostaria de ver mais variedade. Apesar das diferenças de vestimenta e de algumas figuras que ganham importância ao longo da história, muitos dos adversários apresentam aparências bastante semelhantes, com rostos pálidos e cabeças raspadas. Eles provocam o protagonista e demonstram hostilidade constante, mas a repetição visual acaba ficando evidente durante a campanha. Felizmente, o surgimento de Charlotte e de outras criaturas amplia a variedade de ameaças e ajuda a enriquecer a mitologia apresentada. A própria narrativa também merece destaque pela coragem de levar o jogador a situações cada vez mais extremas.


VISUAIS E SOM


Desenvolvido na Unreal Engine 5, Hellraiser: Revival apresenta uma qualidade gráfica excelente, principalmente na construção dos ambientes e na representação das criaturas. O cenário é cuidadosamente preenchido com referências ao universo da franquia, e há momentos em que encontramos elementos que parecem ter sido colocados ali justamente para recompensar quem gosta de observar cada detalhe. As áreas abertas, especialmente os trechos no cemitério, estão entre os destaques visuais da aventura. Existe também uma lembrança dos jogos de terror da era do Xbox 360, quando algumas experiências apostavam em imagens fortes e situações capazes de permanecer na memória. Aqui, esse impacto ganha força com a direção artística grotesca e com a disposição dos elementos pelo cenário. A passagem pela casa de swing, por exemplo, é tão perturbadora dentro do contexto da história que chega a causar receio sobre o que podemos encontrar naquele lugar.



A apresentação dos Cenobitas é particularmente marcante. O jogo compreende a importância do horror corporal para a identidade de Hellraiser e não tenta suavizar aquilo que torna esse universo tão desconfortável. O gore é excessivo, mas faz sentido dentro da proposta e acompanha a maneira como a franquia aborda o sofrimento. A ambientação contribui para manter essa sensação durante a exploração, enquanto o mistério em torno das criaturas desperta a curiosidade para descobrir mais sobre suas origens e motivações. Mesmo com a violência explícita dominando boa parte da experiência, o trabalho visual também se destaca pela capacidade de construir locais que despertam interesse em vez de depender exclusivamente de cenas chocantes.


ACHIEVEMENTS


Hellraiser: Revival apresenta uma lista interessante de conquistas, incentivando a exploração, o uso de diferentes mecânicas e a busca por segredos espalhados pela campanha. Gostei da variedade de objetivos, mas algumas conquistas poderiam não ser perdíveis, ou o jogo deveria oferecer uma seleção de capítulos mais apropriada para facilitar a busca pelos 100%. Isso evitaria que precisássemos repetir grandes trechos da aventura ou salvar em áreas muito especificas apenas para recuperar algo que deixamos passar durante a primeira jogatina.



TRAILER OFFICIAL



CONSIDERAÇÕES FINAIS




Hellraiser: Revival tem alguns problemas que impedem a experiência de ser ainda mais consistente. A quebra do ritmo passa a considerar o jogo de uma forma quando o começamos com puzzles, stealth e irmos passando escondido por lugares e com o passar do tempo ele vai para um caminho completamente diferente. Também existem momentos em que determinadas situações narrativas parecem convenientes demais, a ponto de nos perguntarmos por que o protagonista tomou aquela decisão. São aspectos que poderiam receber mais atenção, principalmente em uma campanha que acerta tanto na construção de sua atmosfera.


Ainda assim, a maneira como o jogo apresenta os Cenobitas, esconde seus enigmas pelo cenário e utiliza o desconforto como parte da experiência faz com que esses problemas percam espaço diante de seus melhores momentos. A exploração recompensa a curiosidade, os quebra-cabeças conseguem despertar interesse e a introdução de criaturas como Charlotte ajuda a ampliar a variedade da aventura. Quando passamos a utilizar a Configuração Gênesis de maneira mais ofensiva e começamos a caçar corações para restaurar Sunny, a jogabilidade ganha uma dinâmica muito mais interessante, com uma mudança perceptível na postura do protagonista diante dos perigos.


Para mim, o grande mérito de Hellraiser: Revival está em aprofundar um universo que há muito tempo merecia uma adaptação capaz de explorar suas ideias com mais liberdade. A estrutura de um jogo permite desenvolver uma história fechada, apresentar os Cenobitas sob novas perspectivas e construir situações que dificilmente teriam o mesmo impacto em um filme de aproximadamente duas horas. O gore exagerado é necessário para essa proposta, e a coragem de abraçar essa identidade torna a experiência especialmente marcante. Mesmo com algumas partes menos interessantes, considero que Hellraiser: Revival encontrou uma direção muito adequada para a franquia e oferece uma aventura de terror que me provocou uma agonia que eu não sentia havia bastante tempo.





Nota: 8.5/10

 Review by Gamertag: SCOULZ

 
 
 

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