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Review: Control Resonant

há 10 minutos
8 min de leitura

Aqui, nem a gravidade consegue manter o controle



CONTROL Resonant finalmente coloca Dylan Faden no centro da história. Um dos personagens mais enigmáticos da franquia, Dylan passou boa parte do primeiro Control sob os cuidados do Departamento Federal de Controle, enquanto sua irmã Jesse tentava compreender os fenômenos paranaturais que ameaçavam a Antiga Casa. Durante aquela jornada, era difícil não se perguntar o que aconteceria quando ele finalmente despertasse e qual seria seu papel nos acontecimentos seguintes. Agora, a Remedy transforma essa expectativa em uma nova aventura, levando a franquia para uma direção diferente. Em vez de permanecer confinada à Antiga Casa, a história se expande por uma Manhattan tomada por fenômenos paranaturais, onde Dylan precisa enfrentar as consequências do próprio passado enquanto tenta encontrar Jesse.


A mudança, porém, vai muito além da troca de protagonista. Dylan possui uma movimentação mais ágil, utiliza a Aberrante, uma arma corpo a corpo capaz de assumir diferentes formas, e conta com habilidades que ampliam consideravelmente as possibilidades de combate. CONTROL Resonant preserva a identidade estranha e imprevisível da franquia, mas modifica elementos fundamentais da experiência. A proposta funciona porque a Remedy não se limita a repetir a fórmula anterior: ela aproveita o universo que construiu para experimentar novas ideias e desenvolver uma aventura com personalidade própria.



GAMEPLAY



Uma das primeiras diferenças está no combate. Enquanto Jesse utilizava a Arma de Serviço e seus poderes para enfrentar inimigos predominantemente a distância, Dylan conta com a Aberrante, uma arma metamórfica que assume diferentes formas para os confrontos corpo a corpo. Essa mudança altera completamente o ritmo das batalhas e faz com que os encontros tenham uma dinâmica diferente daquela do primeiro jogo. A câmera também fica consideravelmente mais afastada do protagonista, acompanhando melhor seus movimentos e a dimensão dos confrontos. Com saltos mais altos, movimentação leve e a possibilidade de executar um double dash logo no início da aventura, Dylan é extremamente ágil. A sensação é de controlar um personagem com muito mais liberdade para se deslocar pelo cenário e responder às ameaças. Em pouco tempo, ele alcança um nível de poder que lembra e, em determinados momentos, supera o que víamos com Jesse. É uma transformação que funciona muito bem e demonstra que a sequência não tem receio de modificar suas principais mecânicas para construir uma identidade própria.


A escala dos combates também impressiona quando comparada à do primeiro Control. Inimigos que representavam ameaças consideráveis para Jesse no começo de sua jornada podem se tornar adversários comuns diante das possibilidades de Dylan. As diferentes formas da Aberrante, os poderes sobrenaturais e as melhorias disponíveis permitem desenvolver combinações variadas e adaptar o estilo de jogo aos desafios encontrados. Os equipamentos complementam essa progressão, embora eu tenha demorado para encontrar opções que realmente fizessem diferença na minha configuração. O isqueiro, por exemplo, foi um dos equipamentos que finalmente me proporcionaram uma mudança mais perceptível. Essa evolução ajuda a manter os confrontos interessantes, mas também exige atenção às escolhas feitas durante a campanha. Em determinado momento, decidi seguir diretamente a história relacionada a Jesse em vez de enfrentar os Resonants disponíveis na região Central. A liberdade para escolher meu caminho foi bem-vinda, mas a decisão tornou meu avanço mais difícil, já que deixei para trás confrontos importantes para a progressão. CONTROL Resonant permite explorar diferentes rotas, mas essa liberdade não significa que todas apresentarão o mesmo nível de dificuldade.



A exploração representa outra mudança fundamental. Finalmente deixamos para trás a estrutura predominantemente fechada da Antiga Casa para percorrer uma Manhattan ampla, repleta de regiões distintas, segredos, itens escondidos, histórias paralelas e entidades bastante criativas. A liberdade para decidir onde ir é um dos grandes acertos da Remedy, especialmente porque a movimentação de Dylan torna a própria travessia divertida. A cidade apresenta ambientes que desafiam a percepção, com anomalias gravitacionais e estruturas que alteram a maneira como percorremos cada região. Em vez de servir apenas como cenário, Manhattan participa ativamente da experiência, oferecendo situações que exploram a natureza imprevisível desse universo. A história principal funciona como um direcionamento, mas é possível se afastar dela para investigar atividades opcionais e enfrentar ameaças adicionais. Minha principal ressalva está no minimapa, que poderia oferecer indicações de caminhos mais claras, semelhantes às disponíveis ao consultar o mapa completo. Em alguns momentos, a falta de orientação prejudica o deslocamento e quebra o ritmo da exploração. Também senti falta de maior consistência na interação com as portas, pois algumas passagens não respondem como eu esperava e acabam interrompendo a movimentação. Nos combates mais intensos, uma indicação visual mais evidente dos golpes corpo a corpo prestes a atingir Dylan também ajudaria. Com tantos inimigos e efeitos acontecendo ao mesmo tempo, nem sempre é fácil acompanhar todos os ataques e identificar de onde vem a próxima ameaça.


A presença de Jesse desde o início é outro elemento importante para a narrativa. Ela não é apenas uma personagem conhecida do jogo anterior, mas a própria diretora do Departamento Federal de Controle, e seu envolvimento dá um peso diferente aos acontecimentos. Para quem acompanhou sua trajetória no primeiro Control, existe uma satisfação especial em ver como ela se encaixa na história de Dylan. Durante boa parte daquela aventura, era difícil não imaginar quando seu irmão finalmente despertaria e o que aconteceria depois de tudo o que havia vivido. CONTROL Resonant aproveita essa expectativa para aprofundar a relação entre os personagens e explorar as consequências dos acontecimentos anteriores. A ligação de Dylan com o Ruído e sua vontade de ajudar as pessoas que prejudicou, incluindo funcionários do próprio Departamento, acrescentam uma dimensão pessoal à jornada. Em vez de tratar o protagonista apenas como alguém que precisa enfrentar novas ameaças, a história também acompanha sua tentativa de lidar com as consequências de suas próprias ações. Isso amplia nossa compreensão do passado da franquia e abre espaço para novas possibilidades narrativas.



A Remedy também recompensa quem se dispõe a investigar cada canto de Manhattan. Referências ao próprio universo aparecem em descobertas opcionais e pequenos detalhes ambientais, como uma televisão exibindo personagens dançando com as letras AWE em suas roupas. Esse tipo de surpresa é especialmente interessante para quem acompanha os jogos do estúdio, pois reforça a sensação de que existe muito mais acontecendo naquele mundo do que aquilo apresentado diretamente pela campanha. Entre atividades secundárias, objetos escondidos, histórias paralelas e entidades com características próprias, há bons motivos para abandonar temporariamente o caminho principal. A exploração não serve apenas para prolongar a aventura: ela também permite descobrir novas facetas desse universo e dá mais contexto ao que acontece ao redor de Dylan. Combinada à evolução das habilidades e à liberdade de movimentação, essa estrutura torna Manhattan uma das mudanças mais bem-sucedidas da sequência.


VISUAIS E SOM



CONTROL Resonant possui alguns dos visuais mais impressionantes e interessantes desta geração. A Northlight Engine demonstra sua capacidade de construir ambientes detalhados, trabalhar com iluminação dinâmica e transformar espaços aparentemente comuns em cenários que desafiam as leis da física. A direção de arte é um dos grandes destaques, sobretudo pela maneira como as distorções da realidade se integram à exploração e ao combate. A cidade consegue transmitir uma sensação constante de estranheza, e as alterações no ambiente ajudam a preservar a identidade visual que tornou o primeiro Control tão marcante. Mais do que simplesmente apresentar gráficos detalhados, o jogo utiliza seus recursos visuais para criar situações que dificilmente teriam o mesmo impacto em um cenário convencional.


As sequências musicais também merecem atenção especial. São momentos tão únicos e marcantes que dão vontade de encontrar muito mais deles ao longo da aventura. Essas passagens quebram o ritmo habitual da jornada e criam experiências particulares, capazes de permanecer na memória mesmo depois de terminarem. Por outro lado, toda essa ambição técnica cobra seu preço. Mesmo testando o jogo em uma RTX 3090, considerei o desempenho bastante exigente para o hardware. Como também tinha a possibilidade de jogar pela versão Xbox Play Anywhere, optei por continuar a aventura no Xbox Series X. Ainda encontrei algumas quedas de quadros, embora não fossem constantes a ponto de comprometer toda a experiência. O resultado visual é impressionante, mas o peso da Northlight Engine merece atenção, especialmente para quem pretende jogar no PC com configurações elevadas.


ACHIEVEMENTS



A lista de conquistas de CONTROL Resonant é uma das mais divertidas que já pude observar. Mesmo sendo um jogo grandioso, com uma campanha extensa e diversas atividades espalhadas por Manhattan, seus objetivos estão diretamente ligados à gameplay. A lista incentiva o jogador a experimentar as mecânicas, aprimorar Dylan, explorar áreas opcionais e descobrir tudo o que o mundo tem a oferecer. Existem conquistas relacionadas à evolução da Aberrante, à aquisição de habilidades, à fabricação de artefatos, aos desafios de combate e à conclusão de atividades secundárias. Também há objetivos ligados a descobertas bastante particulares, que recompensam quem se dispõe a investigar os diferentes cantos do mapa.

O aspecto mais positivo é que a conclusão não depende de uma série de exigências absurdas ou de tantas conquistas perdíveis que obriguem o jogador a acompanhar um guia durante toda a campanha. A lista incentiva a exploração e o domínio das mecânicas sem transformar essas atividades em uma obrigação cansativa. A única ressalva é um objetivo específico que exige se preparar antecipadamente para evitar que determinada situação dê errado. É um detalhe um pouco inconveniente em uma lista que, no restante, está tão bem integrada à experiência. No geral, as conquistas funcionam como uma extensão natural da aventura, valorizando tanto a progressão de Dylan quanto a curiosidade de quem deseja conhecer tudo o que CONTROL Resonant tem a oferecer.


TRAILER OFFICIAL



CONSIDERAÇÕES FINAIS


Apesar de seus acertos, CONTROL Resonant ainda apresenta aspectos que poderiam ser refinados. O minimapa precisa de indicações mais claras, algumas interações com portas interrompem desnecessariamente a exploração e a ausência de sinais visuais mais evidentes para determinados golpes dificulta a leitura dos combates intensos. O desempenho também merece atenção, tanto pelo peso da Northlight Engine no PC quanto pelas quedas de quadros que encontrei no Xbox Series X. Além disso, a progressão dos equipamentos poderia oferecer diferenças mais perceptíveis com maior frequência. São problemas que não anulam a qualidade da experiência, mas impedem que todas as suas ideias funcionem tão bem quanto poderiam.


Por outro lado, a Remedy acerta ao transformar o estilo de gameplay sem abandonar a identidade da franquia. A movimentação de Dylan, o double dash, as diferentes formas da Aberrante e a expansão dos poderes tornam os combates extremamente divertidos. A liberdade para explorar Manhattan amplia as possibilidades da aventura, incentivando a descoberta de segredos, histórias paralelas e referências a outros jogos do estúdio. A narrativa também merece destaque por finalmente dar a Dylan o espaço que eu esperava desde o primeiro Control, com Jesse participando dos acontecimentos e uma história que aprofunda as consequências do passado. Até mesmo a lista de conquistas acompanha essa qualidade, oferecendo objetivos que valorizam a exploração e o domínio das mecânicas sem transformar a conclusão completa em uma tarefa desgastante.


CONTROL Resonant é um dos jogos mais impactantes, imersivos e divertidos que experimentei neste ano. Mudar o protagonista, reformular o combate e ampliar a exploração eram decisões que poderiam afastar a sequência daquilo que tornou o original tão especial, mas a Remedy consegue transformar essas mudanças em seus principais diferenciais. O primeiro Control continua sendo um dos meus jogos favoritos, mas a jornada de Dylan me conquistou pela liberdade, pelas mecânicas e pela importância de sua história. Mais do que repetir uma fórmula de sucesso, a sequência demonstra que é possível expandir uma franquia ao experimentar novos caminhos, desde que suas principais qualidades sejam preservadas. É uma aventura excepcional que me deixa ainda mais curioso para descobrir o que a Remedy desenvolverá a seguir.




Nota: 9.6/10

 Review by Gamertag: SCOULZ

 
 
 

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