Review: Ratatan
O sucessor espiritual de Patapon encontra sua própria identidade

Ratatan é o novo projeto dos mesmos criadores de Patapon, clássico que marcou época no PSP com sua combinação de música, comandos e batalhas estratégicas. A proposta desperta curiosidade ao recuperar essa identidade com personagens, sistemas de progressão e uma estrutura que mistura elementos rítmicos, estratégia e ação em tempo real. Aqui, controlamos um personagem que precisa comandar seu próprio exército enquanto avança por cenários repletos de inimigos e perigos, equilibrando as ordens dadas às tropas com a necessidade de sobreviver aos ataques adversários.
GAMEPLAY

O combate é o principal destaque de Ratatan. Por meio de comandos sincronizados com a música, precisamos orientar um exército que enfrenta os inimigos encontrados pelo caminho. A mecânica pode levar algum tempo para ser compreendida, principalmente porque controlamos nosso personagem diretamente enquanto também damos ordens às unidades aliadas. Não basta acompanhar o ritmo e executar os comandos corretamente: é necessário observar os ataques adversários, desviar de objetos que voam em nossa direção e encontrar oportunidades para contra-atacar sem perder o controle da formação.
O sistema de progressão amplia as possibilidades de preparação. Durante as expedições, passamos por diferentes salas e desbloqueamos recursos que ajudam a fortalecer nosso grupo. Entre uma missão e outra, existe um lobby com personagens e serviços que permitem investir em melhorias, preparar a próxima tentativa e ajustar o exército. Também podemos editar a formação, equipar os soldados e escolher quais unidades levar para a batalha. Os Cobuns possuem funções distintas, incluindo soldados, bombardeiros e arqueiros, tornando importante pensar na composição do grupo em vez de simplesmente reunir as unidades disponíveis.

A escolha do personagem principal também influencia a maneira como encaramos os confrontos. Inicialmente, existem oito opções, cada uma com características, habilidades especiais e bônus próprios. O Coelito, por exemplo, aumenta em 10% o dano do ataque básico em acertos perfeitos, incentivando uma execução mais precisa dos comandos. Também podemos equipar acessórios nos soldados e ajustar a formação de acordo com nossas necessidades. Posicionar melhor os arqueiros ou reorganizar as unidades de combate pode fazer diferença durante uma expedição, especialmente quando precisamos responder rapidamente a ameaças diferentes.
Apesar de os comandos rítmicos serem relativamente simples de executar, dominar Ratatan exige concentração constante. O jogo mistura elementos de pseudo-turnos, ritmo e ação em tempo real, obrigando o jogador a acompanhar várias situações simultaneamente. Se prestarmos atenção apenas à música, podemos deixar passar um ataque que exige uma esquiva imediata ou perder o controle da situação envolvendo nossos soldados. Os chefes são um dos pontos altos justamente por explorarem essa dinâmica, com movimentos variados que podem nos obrigar a atravessar boa parte do cenário para escapar de um golpe antes de retornar e encontrar uma nova oportunidade de ataque. O problema é que essa estrutura começa a se repetir em excesso, tornando as expedições menos interessantes já na segunda corrida.
VISUAIS E SOM

A direção de arte é um dos maiores acertos de Ratatan. Os personagens possuem um visual carismático, os cenários apresentam identidade própria e as animações dão vida às batalhas sem comprometer a personalidade do universo. A apresentação é bastante convidativa, capaz de despertar o interesse mesmo de quem ainda não conhece a franquia ou nunca experimentou Patapon.
A música também ocupa um papel fundamental, pois está diretamente ligada à execução dos comandos e ao funcionamento do combate. Ela não serve apenas como acompanhamento para as batalhas, mas orienta nossas ações e integra a própria mecânica de jogo. Essa relação entre trilha sonora e jogabilidade reforça a identidade de Ratatan e ajuda a tornar seus confrontos mais característicos.
ACHIEVEMENTS

Ratatan possui uma lista de conquistas que acompanha boa parte da progressão, incentivando a conclusão dos episódios, a derrota de chefes e a experimentação com os oito personagens disponíveis. Entre os objetivos mais interessantes estão concluir World 5 sem ser derrubado, completar essa área utilizando todos os Ratatan e derrotar a True Goddess com cada um deles. Esses desafios valorizam o domínio da jogabilidade e incentivam novas tentativas com diferentes personagens, dando aos jogadores que gostam de completar tudo motivos para continuar explorando o conteúdo.
O problema é que boa parte da lista se concentra em tarefas relacionadas aos menus e à evolução dos equipamentos. Criar armas, aumentar seus níveis, desbloquear funções no Support Desk e aprimorar itens no Ratatan Dock representam uma parcela considerável dos objetivos, enquanto poucas conquistas exploram diretamente as mecânicas que tornam o combate tão interessante. É estranho que um jogo tão dependente de ritmo, posicionamento e comando de tropas não aproveite melhor esses elementos para propor desafios específicos durante as partidas. Seria muito mais interessante encontrar objetivos que exigissem sequências perfeitas, estratégias com determinados tipos de Cobun ou formas específicas de superar os chefes, em vez de depender tanto de ações que o jogador acaba repetindo naturalmente durante a progressão.
TRAILER OFFICIAL
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O principal problema de Ratatan é a repetição. A estrutura das expedições começa a se tornar previsível muito cedo, e a dependência dos sistemas de evolução pode prejudicar o ritmo da experiência. Para avançar, precisamos dedicar tempo às melhorias, aos equipamentos e à edição da tropa, interrompendo o fluxo das partidas para cuidar da preparação. Esse processo faz parte da progressão, mas pode cansar quem gostaria de iniciar uma nova expedição sem precisar se preocupar constantemente com crafting, formação e aprimoramentos.
Apesar disso, a mecânica principal merece reconhecimento. Controlar um personagem enquanto comandamos um exército por meio de sequências rítmicas é uma proposta diferenciada, que exige atenção e coordenação mesmo sem depender de comandos particularmente complicados. Os chefes também proporcionam alguns dos melhores momentos da jogabilidade, principalmente quando seus ataques nos obrigam a percorrer o cenário, desviar de perigos e reorganizar nossas ações antes de voltar a atacar. A variedade de Cobuns, as habilidades dos personagens e as possibilidades de personalização ainda oferecem espaço para experimentar diferentes formações e encontrar combinações adequadas ao nosso estilo.
Ratatan tem uma identidade visual marcante e uma mecânica de combate criativa, capaz de combinar ritmo, estratégia e ação de maneira bastante particular. A experiência oferece momentos divertidos e demonstra potencial, mas a repetição precoce e a dependência de sistemas de evolução acabam limitando sua longevidade. Uma variedade maior entre as expedições e conquistas mais conectadas às mecânicas de combate ajudariam a aproveitar melhor as ideias que fazem o jogo se destacar.
Nota: 7.5/10
Review by Gamertag: SCOULZ





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