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Review: Duskfade

Uma aventura de plataforma que cresce junto com seu protagonista



Em um mundo dominado por engrenagens, relógios e uma noite que parece nunca terminar, Duskfade acompanha Zirian, um jovem aprendiz que parte em uma jornada ao lado de seu companheiro mecânico Cuco para encontrar sua irmã Allira. Depois que a Torre do Relógio é tomada por Agonia, o equilíbrio daquele mundo é destruído, obrigando Zirian a atravessar diferentes regiões enquanto recupera novas habilidades, enfrenta criaturas e descobre mais sobre o passado de sua família. A aventura mistura exploração, plataforma 3D, combate e progressão de personagem em uma estrutura claramente inspirada pelos grandes jogos do gênero que marcaram a era do PlayStation 2, mas utilizando uma apresentação moderna construída na Unreal Engine 5.


Ao longo da jornada, Zirian ganha novas possibilidades, encontra dispositivos capazes de alterar sua movimentação, descobre caminhos escondidos e retorna a regiões anteriormente visitadas para alcançar lugares que antes estavam fora de seu alcance.


Duskfade aposta bastante na exploração e na evolução gradual de suas mecânicas, criando uma aventura que começa de maneira relativamente simples, mas vai ampliando suas possibilidades conforme novas habilidades são incorporadas à jornada.



HISTÓRIA


Zirian é um protagonista doce, carismático e com aquele perfil de garoto sonhador que está sempre pronto para descobrir alguma coisa nova. Allira funciona como um contraponto interessante, sendo mais ligada à construção e à tentativa de criar soluções para os problemas que aparecem pelo caminho. Tristan, o avô dos dois, é justamente o personagem que tenta manter ambos com os pés no chão, sempre com muita calma e compaixão.


São personagens que despertam curiosidade, mas nem sempre recebem espaço suficiente para desenvolver tudo aquilo que parecem ter para contar.

Também senti falta de uma construção emocional maior em relação à Allira no início da aventura. O jogo estabelece rapidamente que precisamos recuperá-la, mas eu gostaria que desde os primeiros momentos existisse um apelo maior para que realmente nos importássemos com ela. Entendo a escolha narrativa feita pela equipe e isso melhora conforme a história avança, mas inicialmente essa relação não me atingiu da maneira que poderia.



As cenas envolvendo o passado de Zirian, sua irmã e Tristan são alguns dos momentos que mais ajudam nesse aspecto. As animações também impressionam bastante. As expressões faciais, os detalhes dos personagens e a maneira como eles reagem durante as cenas são muito bem trabalhados. Além disso, praticamente tudo é dublado, o que ajuda a dar muito mais personalidade ao elenco.

Agonia também funciona bem como antagonista. No começo, existe aquele mistério em torno dela e uma sensação de que estamos enfrentando algo realmente perigoso. Não é uma história extremamente complexa, mas funciona dentro do tipo de aventura que Duskfade quer apresentar.


GAMEPLAY


É na jogabilidade que Duskfade começa a mostrar suas melhores características. A movimentação de Zirian é precisa, e isso é fundamental em um jogo de plataforma. Correr, pular, rolar, atacar e utilizar as diferentes habilidades durante a exploração são ações que respondem bem aos comandos.

A exploração também é bastante recompensadora. Existem segredos espalhados pelo mapa, diferentes colecionáveis, áreas que inicialmente não conseguimos acessar e vários tipos de melhoria. Podemos aprimorar nossas armas, habilidades, dispositivos e recursos relacionados ao Cuco através das opções disponíveis na progressão e na loja do Viajante.


O sistema de progressão, entretanto, é lento. Essa foi uma das coisas que mais senti durante minha jogatina. Eu gostaria que algumas das ferramentas mais interessantes fossem liberadas antes, principalmente porque o combate inicial é bastante simples.

Durante boa parte do começo, estamos basicamente atacando e desviando. Cuco também pode participar dos confrontos e, conforme avançamos, novos dispositivos e habilidades são liberados, mas demorou um pouco para eu sentir que o sistema realmente estava evoluindo.



O Pêndulo é um exemplo claro disso. É somente depois de algumas horas, aproximadamente três horas de jogo, que começamos a ter uma variedade maior de combos. Eu entendo completamente a intenção de guardar essas ferramentas para criar uma sensação de evolução, mas achei que isso contribuiu para deixar o início da aventura mais lento do que deveria.

O Crono Disparo é uma das habilidades que mais gostei. A Minutéria acumula energia e libera uma explosão extremamente poderosa, quase como se estivéssemos utilizando uma espécie de escopeta. É uma habilidade simples, mas muda completamente a maneira como alguns inimigos podem ser enfrentados.

Também existe uma mecânica de rebater projéteis que achei muito interessante. Alguns ataques podem ser devolvidos aos inimigos e, em determinadas situações, o dano causado pelo projétil rebatido é maior do que aquele provocado pelo próprio Zirian.



Por outro lado, eu senti falta de um sistema de defesa mais completo. O rolamento é praticamente nossa principal ferramenta defensiva, e apesar de funcionar bem, acredito que um bloqueio ou alguma outra possibilidade defensiva poderia acrescentar bastante ao combate.

A câmera também apresenta problemas. Existe um sistema de travamento que podemos utilizar durante os combates e, em algumas situações, ele funciona bem. O problema é que ele pode ser automático demais e acabar direcionando nossa atenção para um inimigo que nem queríamos enfrentar. Nem sempre ele escolhe exatamente o inimigo mais próximo, e isso pode atrapalhar principalmente em arenas com vários adversários.

Os inimigos possuem alguma variedade, mas senti falta de mais diferenças entre seus ataques. Depois que entendemos determinados padrões, alguns confrontos acabam ficando previsíveis. Os chefes, curiosamente, fazem um trabalho melhor nesse aspecto.



A exploração, porém, tem alguns problemas de orientação. Duskfade não possui um sistema de mapa tradicional. Isso pode ser interessante para quem gosta de memorizar ambientes e descobrir caminhos sozinho, mas em determinados momentos eu simplesmente me perdi.

E o mais curioso é que, mesmo depois de jogar algumas regiões novamente, eu ainda tinha dificuldade para lembrar exatamente onde certos objetos estavam.

Existem sinos que ajudam a localizar alguns objetivos e o Fast Travel também facilita bastante nossa orientação. Ele ainda mostra determinados coletáveis que deixamos para trás, o que é bastante útil para quem pretende completar cada região.

Eu gostei também da maneira como o jogo indica quando uma área foi completamente concluída. Para quem gosta de buscar 100%, existe uma motivação clara para voltar aos mapas.



VISUAIS E SOM


Visualmente, Duskfade é um dos grandes destaques da aventura. Os cenários são muito bonitos e possuem uma direção de arte bastante característica, misturando fantasia, engrenagens, cristais e elementos de relojoaria. As cores chamam muita atenção e, em alguns momentos, a saturação chega a ser exagerada, mas quando o jogo não força tanto essa característica, encontramos paisagens realmente impressionantes, como a Aldeia Meridiana.

As animações também são muito bem trabalhadas. As expressões dos personagens, os detalhes visuais e a maneira como eles se movimentam ajudam bastante nas cenas da história. É um daqueles jogos em que os personagens conseguem transmitir personalidade também através das próprias expressões, e isso combina muito bem com a proposta mais carismática da aventura.



A trilha sonora acompanha muito bem cada momento, alternando entre temas mais dramáticos e músicas aventureiras durante a exploração. A dublagem também merece destaque e ajuda a dar mais personalidade aos personagens, principalmente durante as cenas da campanha.

O problema fica principalmente na versão de PC. Senti falta de opções gráficas mais completas para configurar adequadamente a experiência e também percebi alguns sinais de falta de otimização. Como o jogo não permite controlar todas essas definições da maneira que eu gostaria, fica difícil determinar exatamente o quanto do desempenho está relacionado às configurações utilizadas. É uma pena, porque visualmente Duskfade tem bastante qualidade e merecia uma adaptação para PC mais bem preparada.



ACHIEVEMENTS


Duskfade possui 25 conquistas que totalizam 1.000 Gamerscore, e a lista é bastante equilibrada entre progressão natural, exploração e conclusão de atividades opcionais. Algumas são obtidas simplesmente avançando pela campanha, enquanto outras incentivam o jogador a conhecer melhor os personagens e regiões do mundo, encontrar determinados pontos de interesse e completar pequenas atividades espalhadas pela aventura. É uma lista que acompanha bem a estrutura do jogo sem exigir que o jogador faça algo completamente fora da proposta principal.



Para quem busca os 1.000G, entretanto, será necessário explorar bastante. Existem conquistas relacionadas à coleção de cartas, caixas de música, itens especiais, melhorias de vida e energia temporal, além de objetivos envolvendo personagens e alguns segredos escondidos pelo mundo. Também existem tarefas mais simples e curiosas, que recompensam quem presta atenção nos ambientes e interage com situações que poderiam facilmente passar despercebidas. No geral, achei uma lista interessante para quem gosta de completar jogos, principalmente porque ela incentiva a conhecer praticamente tudo que Duskfade coloca em seus mapas sem revelar acontecimentos importantes da história.



TRAILER OFFICIAL



RESUMO


Duskfade deixa alguns problemas bastante claros. O design dos mapas poderia ser mais bem trabalhado, principalmente nas primeiras regiões, onde a falta de um mapa pode tornar a exploração confusa. A câmera também apresenta problemas durante os combates, o sistema de travamento de alvo nem sempre escolhe o inimigo que queremos. O combate comum também é simples, principalmente no inicio com pouca variedade nos golpes dos inimigos, enquanto a progressão demora um pouco para liberar as ferramentas que realmente tornam a jogabilidade mais interessante. Para completar, a versão de PC analisada apresenta poucas opções gráficas(quase nenhuma) e uma adaptação que deixa a desejar em alguns aspectos técnicos.


Ainda assim, é difícil ignorar a quantidade de coisas boas que encontrei durante a campanha. A movimentação de Zirian é precisa e fica cada vez mais divertida conforme novas habilidades são desbloqueadas. As mecânicas de rebater projéteis, o Crono Disparo, o Pêndulo e os diferentes dispositivos ajudam a transformar a experiência conforme avançamos, enquanto os chefes aproveitam bem aquilo que aprendemos durante a jornada. A exploração também possui bastante conteúdo, com colecionáveis, segredos, melhorias e áreas que incentivam o jogador a retornar depois de adquirir novas habilidades.


Visualmente, Duskfade também consegue impressionar bastante. Seus cenários são detalhados, coloridos e cheios de personalidade, enquanto os personagens possuem boas animações e expressões. A trilha sonora acompanha muito bem a aventura e a dublagem ajuda a tornar o elenco mais carismático. A história é simples, mas funciona dentro da proposta, principalmente pela personalidade de Zirian, Allira, Tristan, Cuco e dos diversos personagens que encontramos pelo caminho.


No fim, Duskfade é uma aventura divertida que demora um pouco para mostrar tudo o que tem de melhor. Ele moderniza várias características dos clássicos jogos de plataforma 3D, mas também repete alguns problemas conhecidos do gênero. Eu gostaria que alguns sistemas fossem mais refinados e que a versão de PC(XBOXPC) tivesse recebido mais atenção, mas a boa movimentação, os chefes, a exploração, os personagens e a direção artística fazem a jornada valer a pena. É um jogo que eu recomendaria principalmente para quem gosta de plataformas 3D e não se incomoda em explorar um mundo que, em alguns momentos, exige bastante do próprio senso de direção.





Nota: 8.6/10

 Review by Gamertag: Scoulz


 
 
 

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