Review: FORENSIC - M.E. Protocol
- @brunosbom
- há 5 horas
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Mais próximo de um laboratório investigativo do que de um thriller policial, FORENSIC - M.E. Protocol aposta em ritmo lento e observação paciente.

Jogos de investigação costumam seguir caminhos relativamente previsíveis. Muitos apostam em narrativa cinematográfica, diálogos extensos ou sequências altamente guiadas onde basta seguir marcadores até que a próxima descoberta aconteça. FORENSIC - M.E. Protocol tenta fazer algo um pouco diferente. Aqui, a proposta é colocar o jogador no papel de um investigador forense que precisa observar, coletar evidências, interpretar cenas de crime e, pouco a pouco, montar uma linha lógica do que pode ter acontecido.
A estrutura gira em torno de nove casos independentes, cada um envolvendo situações diferentes, indo de crimes passionais até sequestros e circunstâncias que tentam trazer pequenas reviravoltas narrativas. A ideia claramente não é construir um thriller policial cheio de espetáculo, mas sim uma experiência contemplativa, onde o tempo do jogador dita o ritmo da investigação.
O resultado é um jogo que encontra uma identidade própria justamente por entender suas limitações e trabalhar dentro delas.
GAMEPLAY

A primeira coisa que chama atenção em FORENSIC - M.E. Protocol é como ele tenta trazer uma sensação curiosamente confortável, apesar da temática pesada. Investigar cenas de crime poderia facilmente se transformar em algo excessivamente estressante ou acelerado, mas o jogo faz o contrário. Você tem o tempo que quiser para analisar pistas, olhar o ambiente, utilizar ferramentas e tentar compreender os acontecimentos sem qualquer pressão artificial.
A ausência de timer acaba funcionando muito bem dentro da proposta. Não existe aquela sensação constante de urgência que vários simuladores tentam impor sem necessidade. O ritmo é lento, quase contemplativo, incentivando observação acima de reflexo.

As cenas de crime costumam ser organizadas de forma bastante clara. Há uma lógica visual que ajuda a leitura do ambiente e evita que o jogador fique completamente perdido. Porém, existe um ponto onde é preciso desligar um pouco a mente para aceitar algumas simplificações da lógica forense. Em vários momentos fica difícil ignorar a sensação de que haveria impressões digitais espalhadas praticamente por todo lugar, não apenas nos objetos específicos que o jogo considera relevantes para o caso.
Ainda assim, essa simplificação parece existir para evitar que a experiência se torne excessivamente burocrática ou frustrante.
O sistema de investigação envolve uso de ferramentas específicas, análise de evidências, marcação de elementos importantes e reconstrução de partes do crime. Há também equipamentos como drones e pequenos robôs para acessar locais mais difíceis, algo que adiciona variedade ao processo sem transformar tudo em minigames excessivos.

Por outro lado, algumas interações exigem um certo período de adaptação. O jogo pede movimentos bastante específicos e, em determinados momentos, a interface pode parecer um pouco rígida ou pouco intuitiva. Não chega a comprometer a experiência, mas exige paciência do jogador para entender como o sistema espera que certas ações sejam executadas.
Isso reforça uma sensação constante: FORENSIC - M.E. Protocol é muito mais focado na contemplação do que no prazer imediato da gameplay. Quem entrar esperando algo dinâmico provavelmente encontrará um ritmo muito mais metódico do que imaginava.
Ao mesmo tempo, é evidente que o jogo sabe exatamente o que quer ser. Existe uma confiança na proposta, mesmo quando os aspectos técnicos não acompanham totalmente a ambição do conceito.

Narrativamente, o jogo funciona de maneira relativamente simples. Os nove casos são independentes e tentam criar pequenas histórias próprias, cada uma explorando um contexto diferente. Há desde crimes passionais até investigações envolvendo desaparecimentos e situações mais elaboradas.
A criatividade narrativa existe, mas dentro de limites claros. Os diálogos entre personagens são reduzidos e existe pouca margem para aprofundar interrogatórios ou fazer perguntas realmente significativas aos envolvidos. Em alguns momentos, fica a sensação de que certos casos poderiam ganhar muito mais força se houvesse espaço para investigações sociais mais profundas.
Isso não significa que o jogo falhe completamente nesse aspecto. Apenas deixa evidente onde suas prioridades estão. A narrativa serve como sustentação para a investigação, não o contrário.
A impressão geral é que os desenvolvedores preferiram concentrar esforços no procedimento investigativo em si, mesmo que isso resulte em personagens menos desenvolvidos e interações mais simples.
VISUAIS E SOM
Visualmente, FORENSIC - M.E. Protocol entrega exatamente o que se espera de uma produção de escopo menor. Os ambientes cumprem bem seu papel ao comunicar as cenas de crime e facilitar a observação, mas sem grandes demonstrações técnicas.
O foco parece estar muito mais na funcionalidade da investigação do que em impressionar visualmente.

A ambientação consegue manter uma identidade coerente, principalmente graças à forma organizada como os cenários são apresentados. Existe um cuidado em tornar os espaços legíveis para a análise do jogador, algo essencial em um game onde observar detalhes é parte central da experiência.
No áudio, o jogo segue uma linha discreta, sem exageros dramáticos. Isso acaba combinando com o tom contemplativo da proposta, ajudando a criar uma experiência relativamente confortável mesmo dentro de uma temática naturalmente pesada.
ACHIEVEMENTS
Logo no início, o jogador recebe objetivos básicos ligados ao tutorial e ao primeiro caso, estabelecendo um sistema de progressão bastante direto. Cada investigação possui uma classificação, incentivando melhores resultados ao terminar um caso com nota B ou superior.
Os nomes das missões também ajudam a entender a variedade dos cenários investigativos, incluindo locais como bairros, estradas, telhados, florestas, banheiros públicos e até um caso de sequestro.

Existe ainda um incentivo para jogadores mais dedicados através da conquista “Forensic Master”, desbloqueada ao alcançar uma classificação S, sugerindo uma camada de otimização para quem deseja revisitar casos e melhorar desempenho.
Essa estrutura funciona bem porque oferece um senso de progressão claro sem sobrecarregar o jogador com sistemas excessivamente complexos.
TRAILER OFFICIAL
RESUMO
FORENSIC - M.E. Protocol dificilmente vai agradar todos os públicos, mas talvez nem tente fazer isso. O jogo encontra um nicho muito específico ao apostar em investigação lenta, observação e método, deixando de lado ação, urgência e espetáculo.
Existem limitações claras, especialmente na narrativa simplificada, nas interações menos intuitivas e em certas concessões de realismo que exigem um pouco de boa vontade do jogador. Ainda assim, é difícil ignorar o mérito de um jogo que entende tão bem sua própria proposta.
Ele cumpre exatamente aquilo que promete, sem grandes excessos técnicos e sem tentar parecer algo maior do que realmente é. Para quem gosta de experiências investigativas mais contemplativas e quer algo próximo de um simulador forense acessível, há valor aqui.
Review by Gamertag: Scoulz




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