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Review: Graveyard Keeper 2

há 15 horas
6 min de leitura

Cemitério, zumbis e automação voltam com tudo na continuação de Graveyard Keeper.



O JOGO


Graveyard Keeper 2 é um jogo de gerenciamento de cemitério medieval desenvolvido pela Lazy Bear Games e distribuído pela tinyBuild. Voltamos aos tempos medievais após os eventos do primeiro Graveyard Keeper, mas com novos objetivos. Oito anos após o primeiro coveiro agir nessas terras, um novo indivíduo é liberado de seus grilhões em uma prisão e descobre que aquele mundo está em perigo. Sabendo disso, ele é incumbido de resolver os problemas que, de alguma forma, ele também tem culpa. Agora, além de coveiro, ele também é o inquisidor. Com isso, ele deve cuidar do cemitério e ajudar os moradores da aldeia, enquanto tenta descobrir o motivo de tanto zumbis surgirem.


Sua nova casa precisa de muitas melhorias.

MINHAS IMPRESSÕES


Graveyard Keeper 2 mantém tudo que seu antecessor fazia de bom, com algumas mudanças, algumas mais acertadas do que outras. A base do jogo continua a mesma: cuide do cemitério e dos cadáveres, produza bens para negociar com a aldeia, ajude os aldeões e dê vida aos zumbis para ajudar na automatização de atividades. Duas das grandes novidades são a expansão da possibilidade de automatização com zumbis e as batalhas contra zumbis. Começando pela primeira novidade citada, existe um espaço enorme no subterrâneo de sua propriedade que tem como propósito criar uma verdadeira fábrica automatizada, utilizando os zumbis como operadores de máquinas. Apesar de ser algo que só vai funcionar de forma eficiente depois de um bom tempo jogando, é de extrema importância para ter eficâcia na criação de itens importantes para o avanço da história e para comercialização de produtos com a aldeia. Já a outra novidade coloca um pouco de ação ao jogo, exigindo a criação de um exército formado por zumbis e construção de barricadas e torres, bem como equipamentos para ajudar nas batalhas. Com isso, você pode entrar em batalhas para liberar espaços tomados por zumbis, essencial para avançar na história do jogo. Ambas as novidades adicionam uma nova camada de desafio e variedade ao jogo, ainda que a automação seja confusa e as batalhas não sejam tão empolgantes.


O sistema de dias ainda existe, com algumas atividades apenas sendo possíveis de serem realizadas em um dia específico da semana. Algumas mudanças foram feitas em mecânicas base, como por exemplo, em como liberar melhorias e habilidades para o personagem, que antes fazia parte de uma mesma árvore junto com os desbloqueios de novas construções. Dessa vez, para melhorar o personagem, você deve fazer atividades variadas, ou melhor dizendo, você terá que fazer de tudo um pouco, obrigatoriamente. Particularmente, ser obrigado a fazer atividades que você não quer não é algo animador. Ainda assim, fica pior quando fazer essas atividades não é o único requisito: você deve gastar pontos de fé. Para quem não jogou o primeiro jogo, fé é um recurso adquirido ao dar sermões na igreja. E agora você vai entender algo sobre Graveyard Keeper 2: todos os recursos importantes são dependentes uns dos outros. Para garantir uma quantidade boa de fé, você precisa de pontos de aprovação da aldeia, que você consegue ao vender certos tipos de itens ou ao completar missões da história. Como as missões são finitas, você fica refém de vender produtos para a vila que, para ser eficiente, precisa ser feita de uma forma específica, mas não entrarei muito a fundo na explicação. E para conseguir fazer isso de forma eficiente, você precisa da automatização. Eu poderia continuar a linha de raciocínio sobre o que você precisa para automatizar e por aí vai, mas resumidamente, é o que faz o jogo viciante até o ponto que fica irritante. O primeiro Graveyard Keeper já tinha muito problema com ritmo, com muita gente largando o jogo no início por não ser um jogo atraente nesse sentido, o que era ruim, pois depois do começo, o jogo engrena muito bem. O meu ponto aqui é: algumas mecânicas que são divertidas ficam complicadas apenas para dificultar, não para deixar interessante. Um outro exemplo são os zumbis, que em certo ponto do jogo, é extremamente difícil progredir sem usá-los em grande quantidade. Criar zumbis já não é um processo rápido, pois depende de um dia específico e ter cadáveres para criá-los. E então entra a parte burocrática: a aldeia não gosta que você use zumbis, por isso, se tiver zumbis demais, você produz menos fé nos seus sermões. E o que você deve fazer para evitar isso? Criar um item que usa fé e que dura apenas um tempo determinado em semanas. Graveyard Keeper 2 vira um malabarismo de recursos que poderia ser mais divertido de gerir, mas que acaba apenas frustrando.


Um grande problema de Graveyard Keeper 2 é a falta de melhores explicações sobre mecânicas e itens. Ainda que exista um tutorial de fácil acesso, algumas informações simples que poderiam aparecer em descrições de itens e construções já ajudariam bastante. O funcionamento dos zumbis, por exemplo, é quase na tentativa e erro. Graveyard Keeper 2 deixa o jogador muito livre, o que é bom em alguns casos, mas fazer alguns tutoriais mais práticos, mostrando o funcionamento da mecânica, principalmente te automatização, seria ótimo. E falando em deixar o jogador livre, devemos falar sobre a história do jogo. Ela foi criada para fazer sentido com a história do primeiro jogo, apesar de achar uma desculpa bem fraca, mas isso pouco incomoda. O bom humor ainda se mantém, com suas piadas características. O jogo está em Português-Brasil, o que facilita em acompanhar o que está sendo dito e o que fazer para progredir na história. Como era de se esperar, para avançar, você deve ajudar alguns personagens e é aí que a liberdade do jogador atrapalha a clareza no caminho do jogo. Teoricamente, você pode avançar em algumas missões de personagens antes de outras, até que todas se encontrem num ponto em comum. Até aqui, nenhum problema, mas essa liberdade, muitas vezes, faz o jogador se esforçar mais do que deveria, pois se seguisse uma sequência diferente de missões, alguns aspectos de outras missões ficariam mais claros e coesos com a continuidade da história. De novo, isso não atrapalha tanto, mas você como jogador pode se sentir confuso em alguns aspectos. A arte do jogo continua maravilhosa, ainda que as cenas que contam histórias destoem muito da arte original e causem uma certa estranheza. Os personagens agora estão dublados, mas para quem gostava de como era no primeiro jogo, você pode alterar para o clássico balbuciar de grunhidos.


Ainda que pareça que o jogo tenha muitos problemas, não se engane: ele é muito divertido, apesar de muito mais burocrático que o primeiro jogo. Claro que todo o trabalho inicial que você terá será recompensado, mas sinto que em Graveyard Keeper 2 você vai gastar muito mais tempo até chegar num ponto onde tudo flui de maneira satisfatória. Todos esses pontos onde podem ser melhorados só foram citados porque a base do jogo já é incrivelmente boa e irretocável. É um jogo que vale muito a pena investir um tempo e, acredite, você vai gastar esse tempo e nem vai perceber.


Comande um exército de zumbis para retomar a cidade.

CONQUISTAS


As conquistas de Graveyard Keeper 2 são bem simples e seguem a ideia do que o jogo propõe: faça um pouco de todas as atividades presentes no jogo. Cozinhar alguns pratos, criar algumas poções, pescar uma quantidade de peixes, derrubar algumas árvores, enfim, praticamente toda atividade básica do jogo terá uma conquista que exigirá que você a faça um determinado número de vezes. E claro, temos conquistas ligadas à história do jogo, então, para conseguir todas, basta terminar o jogo. Gosto da simplicidade que Graveyard Keeper 2 coloca nas conquistas, ainda que muitas exijam repetição de atividades, elas não exigem uma quantidade absurda de repetição. É um jogo que, se você está engajado, vai conseguir 100% das conquistas facilmente.


Mesmo com muitas tarefas, ser coveiro ainda é uma delas.

CONCLUSÃO


Apesar de ter muitas críticas ao jogo, Graveyard Keeper 2 é extremamente divertido e viciante. A burocracia criada para te manter em constante movimento no jogo é compreensível, mas feita de uma forma não muito divertida. Tenho certeza que ao chegar ao final do jogo, com tudo praticamente automatizado, essas burocracias serão triviais, mas para alguns jogadores pode ser que larguem o jogo antes de chegar a esse ponto. Eu encontrei muitos bugs, principalmente no funcionamento dos zumbis, que ficam presos ou que não parecem estar funcionando de acordo como deveriam, mas isso deve ser corrigido rapidamente. Graveyard Keeper 2 herda a falta de ritmo e clareza de seu antecessor, mas também traz a diversão do primeiro, deixando uma impressão mais positiva do que negativa para quem investir tempo nele.


NOTA: 8.0/10

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