Review: Manairons
- @brunosbom
- há 1 dia
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Uma fábula musical sobre liberdade, tradição e máquinas onde uma pequena criatura precisa enfrentar um mundo que esqueceu sua própria magia

Manairons constrói sua identidade a partir de uma ideia bastante curiosa: transformar uma lenda do folclore catalão em um jogo de plataforma 3D clássico. No controle de Nai, um pequeno manairó libertado de um antigo artefato mágico chamado canut, o jogador atravessa a vila montanhosa de Vilamont tentando impedir que suas criaturas sejam exploradas para alimentar máquinas e indústrias. A história gira em torno da tirania de Llorenç Capgirell, um proprietário de terras que descobriu o poder dessas criaturas e passou a utilizá-las como força de trabalho para transformar o lugar em um centro industrial.
Ao longo da jornada, a aventura percorre diferentes áreas da vila que foram dominadas por esse processo. Fazendas, oficinas, padarias e outros espaços ganham vida como cenários da aventura enquanto Nai vai libertando moradores e criaturas que foram controladas pelas máquinas. O jogo apresenta personagens curiosos e situações bem construídas dentro desse universo pequeno, quase como um conto interativo inspirado no folclore das montanhas europeias.
Mesmo com uma narrativa simples, existe um charme evidente na forma como o jogo apresenta esse conflito entre tradição e industrialização. A presença da música, das melodias mágicas e das pequenas criaturas obedientes ajuda a reforçar a sensação de que estamos explorando um mundo de fantasia inspirado diretamente em lendas regionais.
GAMEPLAY
Manairons segue a estrutura clássica de jogos de plataforma 3D. O jogador pode correr, pular, atacar e explorar cenários cheios de pequenos desafios enquanto avança pelas áreas da vila. O combate é relativamente simples e envolve golpes de curta distância, ataques à distância e algumas interações básicas com inimigos. Nada extremamente complexo, mas funcional dentro da proposta.

A principal ferramenta do jogo é a flauta de Nai. Todos os ataques e habilidades são baseados nela, funcionando tanto como arma quanto como ferramenta de progressão. Conforme avançamos na aventura aprendemos melodias específicas que podem ser usadas em diferentes momentos da jornada para acessar novos caminhos, resolver puzzles ou alcançar áreas que antes pareciam impossíveis. Decorar essas melodias acaba se tornando parte da progressão natural da aventura.

Apesar das boas ideias, o jogo carrega uma sensação bastante curiosa de design antigo. A movimentação do personagem possui uma delimitação de direções que lembra muito jogos de plataforma de gerações passadas, algo mais próximo da era PlayStation 2 ou início do Xbox 360. Esse tipo de limitação torna a movimentação um pouco mais travada e, em certos momentos, até mesmo um obstáculo constante durante a exploração.
Esse problema fica ainda mais evidente em situações de combate ou plataformas mais precisas. Há inimigos que voam, por exemplo, e o pulo do personagem não alcança corretamente o padrão de ataque deles, obrigando o jogador a esperar momentos específicos para reagir. Pequenos detalhes como esse dão a sensação de que algumas interações poderiam ter sido melhor refinadas durante o desenvolvimento.
Outro elemento clássico desse tipo de jogo está nos segredos espalhados pelos cenários. Existem áreas escondidas bem posicionadas que recompensam exploração, mas o jogo também atrela conquistas a encontrar todos esses segredos. Em títulos de menor escopo, isso pode acabar se tornando mais um elemento de frustração do que um incentivo real à exploração.
VISUAIS E SOM
Visualmente, Manairons possui bastante personalidade. O jogo utiliza um estilo artístico colorido e expressivo que combina bem com o tom de fantasia inspirado no folclore das montanhas europeias. Os cenários possuem identidade própria e conseguem transmitir bem a ideia de uma vila que está sendo gradualmente transformada por máquinas e estruturas industriais.

Os ambientes são variados e apresentam pequenos momentos interessantes durante a exploração, como obstáculos temporizados, estruturas curiosas e áreas que parecem quase pequenos dioramas interativos. Existe um cuidado claro na ambientação, mesmo que a estrutura técnica do jogo revele algumas limitações.
No aspecto sonoro, a música cumpre um papel essencial dentro da experiência. Como a flauta é a principal ferramenta do protagonista, as melodias acabam se tornando parte fundamental tanto da identidade quanto da progressão da aventura.
ACHIEVEMENTS
A lista de conquistas acompanha diretamente a progressão da campanha e funciona quase como um registro da jornada do jogador ao longo da aventura. Muitas delas são desbloqueadas conforme determinados momentos importantes da história são concluídos, marcando avanços na libertação das áreas dominadas pelas máquinas e a superação dos principais desafios da narrativa.

Também existe um grupo relevante de conquistas voltado para exploração completa dos cenários. O jogo possui diversos segredos espalhados pelas regiões da vila, e parte da lista recompensa jogadores que se dedicarem a encontrar todos esses elementos escondidos em cada área. Esse tipo de objetivo incentiva observar o ambiente com mais atenção e revisitar locais já explorados.
Outro conjunto de conquistas está ligado à progressão das habilidades do protagonista, especialmente ao aprendizado e domínio das melodias utilizadas durante a jornada. Conforme novas músicas são descobertas e aprimoradas, o jogador desbloqueia metas relacionadas ao desenvolvimento completo dessas habilidades. Há ainda desafios associados à coleta de recursos específicos e a pequenas interações curiosas do mundo do jogo, criando uma lista relativamente variada que mistura narrativa, exploração e evolução do personagem.
TRAILER OFFICIAL
RESUMO
Manairons é um jogo de plataforma que aposta em uma ideia criativa ao transformar uma lenda do folclore catalão em uma aventura interativa. A história de Nai libertando criaturas mágicas e enfrentando a industrialização da vila possui charme e personalidade suficientes para sustentar a jornada.
O problema é que, em termos de design, o jogo frequentemente parece preso a soluções de outra época. A movimentação limitada, a câmera pouco flexível e algumas interações de combate acabam transmitindo a sensação de um título que poderia ter se beneficiado de um refinamento maior.
Mesmo assim, existe algo genuinamente interessante em sua proposta. A identidade visual, o uso da música como ferramenta de gameplay e a construção desse pequeno universo inspirado em lendas regionais demonstram que havia uma boa ideia no centro do projeto.
Manairons não chega a ser um jogo ruim, mas também deixa a impressão de que poderia ter alcançado muito mais caso tivesse recebido um pouco mais de polimento e refinamento em suas mecânicas principais. Ainda assim, para quem aprecia plataformas com identidade própria e inspiração folclórica, a jornada de Nai pode oferecer momentos curiosos ao longo do caminho.
Review by Gamertag: Scoulz




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