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Review: Marvel's Wolverine

há 4 horas
7 min de leitura

Logan está de volta, e suas garras nunca estiveram tão afiadas.


Marvel's Wolverine começa com uma característica que acaba definindo boa parte da experiência: a Insomniac sabe exatamente como apresentar o personagem, mas demora um pouco para permitir que o jogador realmente assuma o controle dele. Logan está no centro de uma história que passa por diferentes momentos de seu passado, apresenta personagens importantes do universo dos mutantes e coloca o jogador diante de combates cada vez mais violentos. O problema é que o início insiste demais em explicar como jogar, interrompendo sequências curtas de gameplay com cenas, diálogos e interações que poderiam ser resolvidas de maneira muito mais direta.



GAMEPLAY



O combate é, sem dúvida, onde Wolverine começa a mostrar todo o seu potencial. A partir do terço inicial, especialmente depois que Logan e Jean saem em busca dos outros personagens na neve, a experiência começa a ficar muito mais agradável. O jogo finalmente parte do princípio de que você já entendeu suas mecânicas e passa a introduzir novos inimigos e habilidades sem precisar interromper a ação o tempo inteiro. Wolverine continua sendo extremamente linear, mas dentro das arenas de combate existe uma liberdade maior para decidir como atacar, usar as garras, realizar execuções, aproveitar o ambiente, partir para o confronto direto ou recorrer ao stealth. A variedade também melhora com a chegada de inimigos diferentes, incluindo adversários invisíveis, inimigos maiores e líderes que exigem uma abordagem um pouco diferente.



O sistema de fúria é um dos maiores destaques. Conforme Logan entra em combate e acumula sua Rage, é possível realizar golpes com mais prioridade e utilizar ataques especiais que mudam completamente o ritmo de uma luta. O fator de cura também participa dessa dinâmica, fazendo com que a resistência de Logan seja parte importante da fantasia de controlar Wolverine. A progressão é dividida entre equipamentos, técnicas e adaptações. As técnicas e adaptações precisam ser escolhidas para determinar quais habilidades serão priorizadas, enquanto a quantidade de adaptações disponíveis depende da progressão do personagem e dos fios de DNA obtidos. Os equipamentos estão mais ligados às roupas e às garras e podem aumentar atributos como a saúde. As habilidades ativas aparecem com menos frequência e muitas funcionam como bonificações específicas, como permitir um novo abate depois de uma execução furtiva.


As lutas contra chefes também mostram bem essa diferença entre o que funciona e o que poderia ser melhor. A batalha contra Omega Red foi uma das que mais me divertiram, principalmente pela dificuldade na configuração em que eu estava jogando. A luta é brutal e bastante cinematográfica, mas os movimentos do inimigo são relativamente previsíveis, com destaque para o ataque em que ele puxa Logan para perto e suga sua vida. Já o combate contra o protótipo de Sentinela me passou uma sensação diferente. A luta se prolonga porque parece que o inimigo não recebe dano durante determinados momentos, e isso acaba transformando uma situação que poderia ser desafiadora em algo um pouco tedioso. As partes de moto também são divertidas, embora eu esperasse mais urgência. Acidentes poderiam realmente acontecer durante a pilotagem e deixar essas sequências mais tensas.


HISTÓRIA


⚠️ ATENÇÃO: este tópico contém spoilers da história, incluindo acontecimentos do final e das cenas pós-créditos.


A história de Marvel's Wolverine é uma história bem legal e bastante pé no chão dentro daquilo que se propõe, mas está longe de ser algo extraordinário. E existe uma questão curiosa logo nos primeiros minutos: o jogo praticamente entrega quem será o grande antagonista antes mesmo de começar a construir o mistério. A presença de Troy Baker interpretando Nathaniel Essex, somada à própria caracterização do personagem e àquele olho piscando em vermelho, já me fez desconfiar imediatamente de que havia algo muito maior por trás dele. Para quem acompanha a indústria e reconhece facilmente uma escalação desse tamanho, fica difícil não pensar que existe alguma coisa escondida naquele personagem. Essex também acaba ocupando algumas funções narrativas que lembram o papel que Charles Xavier normalmente teria em histórias dos X-Men, principalmente pela ligação com a formação da Team X e pela tentativa de proteger os mutantes, embora ele não seja um substituto literal de Xavier nesse universo. A ausência de um Charles Xavier nesse universo também é curiosa e poderia ter rendido pelo menos uma participação especial, principalmente considerando a importância que ele possui para a mitologia dos X-Men.



Ao mesmo tempo, gostei da ideia de apresentar um universo em que os mutantes ainda estão começando a se organizar e vivem escondidos, com Logan, Jean, Mistica e Dentes de Sabre ocupando posições muito diferentes dentro dessa realidade.


A trama funciona de maneira coesa durante boa parte da campanha e acerta principalmente ao concentrar sua atenção em Logan, em suas memórias e na relação dele com Jean. O problema é que quase todo o restante do elenco acaba ficando em segundo plano, e eu gostaria de ter visto mais desenvolvimento de personagens como Dentes de Sabre e Mistica.



A perda das memórias de Wolverine funciona dentro da proposta e a presença de Apocalypse adiciona uma camada interessante ao passado do personagem, principalmente porque a ameaça não fica completamente encerrada ao final da campanha. As batalhas contra os chefes também são, no geral, momentos muito bons, com a exceção de Deathstrike, que me incomodou principalmente na primeira fase da luta por se afastar praticamente toda vez que eu tentava chegar perto. O que mais me decepcionou na história, porém, foi a relação entre Logan e Jean. Eu esperava uma relação amorosa muito mais intensa entre os dois, principalmente considerando a carga que existe entre eles nos quadrinhos. Durante praticamente toda a campanha, a relação parece ficar naquele estágio de dois adolescentes que claramente gostam um do outro, mas não passam disso. Mesmo com a revelação adicional envolvendo os dois no conteúdo pós-jogo e a conquista Repressed Memories, senti que faltou coragem para desenvolver esse romance de maneira mais explícita. É curioso porque o jogo não demonstra qualquer receio em mostrar sangue, mutilação e violência extremamente gráfica, mas parece muito mais contido quando precisa explorar a intimidade entre seus protagonistas. No final, a própria perda das memórias de Logan e o discurso de Jean não tiveram para mim o peso emocional que poderiam ter, embora a história ainda consiga funcionar como uma boa apresentação do personagem para quem não conhece profundamente sua trajetória.



VISUAIS E SOM


Visualmente, Wolverine é um deleite. A Insomniac utiliza a mesma engine de Marvel's Spider-Man e novamente demonstra o quanto essa tecnologia ainda consegue produzir resultados impressionantes. Os personagens são extremamente detalhados, os ambientes possuem uma ótima qualidade de iluminação e sombreamento e até áreas internas conseguem transmitir bastante personalidade. Tóquio, especialmente, é muito bonita tanto durante o dia quanto à noite, mesmo que o jogo ofereça relativamente pouco tempo para explorar essa região. A pesquisa de ambientes reais realizada pela equipe também aparece na construção dos cenários e ajuda a criar locais muito convincentes.



Outro detalhe técnico que gostei bastante é o fato de as cenas cinematográficas serem renderizadas pela própria engine. As skins utilizadas pelo jogador continuam aparecendo nas cutscenes, o que mantém a apresentação muito mais consistente. Algumas dessas cenas poderiam ficar ainda mais impressionantes com CGI, mas manter tudo dentro da engine é um mérito técnico enorme da equipe. A qualidade visual também combina muito bem com o nível de violência dos combates, enquanto a trilha, os efeitos sonoros e o feedback do DualSense ajudam a reforçar o impacto das garras, dos golpes e das habilidades de Logan.


ACHIEVEMENTS


As conquistas de Marvel's Wolverine têm alguns bons exemplos de como aproveitar as próprias mecânicas do jogo, mas também repetem aquele problema de transformar exploração em uma lista de tarefas. Ground Control, por exemplo, pede para empurrar três inimigos para fora do avião, enquanto Shish Kebab exige empalar um inimigo em um perigo ambiental.


São conquistas que funcionam justamente porque fazem o jogador prestar atenção no que Wolverine pode fazer durante os combates. Parry Perfected, com 500 aparos, e Spiral Cut, com 75 inimigos eliminados usando Tornado Spin, também incentivam o uso de mecânicas que fazem parte da experiência principal.



Por outro lado, ainda existe uma quantidade considerável de conquistas baseadas em coletáveis e repetição. Crate Collector exige encontrar todas as Caixas de Materiais, Full Barrel pede todas as Garrafas de Uísque e Pathways of the Mind exige encontrar todas as Nightmare Doors. Eu preferiria que uma parcela maior da lista seguisse o caminho de conquistas que criam situações específicas com as mecânicas do jogo, em vez de obrigar o jogador a procurar centenas de objetos espalhados pelos capítulos.



TRAILER OFFICIAL



CONSIDERAÇÕES FINAIS


O maior problema de Marvel's Wolverine continua sendo o ritmo, principalmente durante a primeira metade. O excesso de cenas, diálogos e situações que interrompem a gameplay pesa bastante para tentar te ensinar a jogar um jogo simples, e algumas missões, como procurar um celular embaixo do sofá ou colocar o disco na virtrola para ouvir a "musica perfeita", passam uma sensação de conteúdo criado mais para aumentar a duração do jogo do que para desenvolver a história ou suas mecânicas. A dublagem é muito competente principalmente tanto na sua versão em inglês quanto também na versão em português do Brasil. Apesar disso ainda continuo discordando na não localização dos nomes dos personagens aqui para nosso idioma, acho esse ideia bem besta desde Spider-man 2018. Existem momentos em que a própria narrativa poderia ser mais ambiciosa, principalmente no desenvolvimento dos personagens secundários e na relação entre Logan e Jean.


A experiência melhora de maneira significativa quando chegamos ao Japão. Nesse ponto, o jogo já apresentou suas principais mecânicas, os combates estão mais desenvolvidos, os inimigos oferecem mais variedade e a história começa a caminhar para seus momentos mais importantes.


A luta final também é uma boa maneira de encerrar a campanha, especialmente porque reúne elementos que foram sendo construídos durante a jornada de Logan. A parte visual continua sendo um dos grandes destaques, e a representação de Tóquio, mesmo limitada em exploração, está entre os momentos mais bonitos da aventura. Os portais, o sistema de fúria, as adaptações, as técnicas e a própria evolução do combate fazem a segunda metade funcionar muito melhor do que o início, principalmente com o jogo largando um pouco a sua mão na apresentação de novas funcionalidades.


No geral, eu me diverti bastante com Marvel's Wolverine. É um jogo que funciona muito bem quando simplesmente deixa Logan lutar e utilizar suas habilidades, e que também serve como uma porta de entrada bastante eficiente para quem quer conhecer melhor o personagem. A história é competente, mas não chega a ser extraordinária e poderia ter desenvolvido muito mais seus personagens além de Logan. O combate, os visuais, algumas das batalhas contra chefes e a evolução da campanha depois do Japão foram suficientes para elevar bastante a minha percepção sobre o jogo. Se a experiência tivesse mantido durante toda a campanha o ritmo que apresenta em sua segunda metade, provavelmente estaríamos falando de uma avaliação bem diferente.





Nota: 8.3/10

 Review by Gamertag: SCOULZ

 
 
 

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