Review: METAL GEAR SOLID: MASTER COLLECTION Vol.2
- @brunosbom
- há 7 horas
- 8 min de leitura
Pegue sua caixa, está na hora de se infiltrar.

A Master Collection Vol. 2 amplia a proposta de preservação da franquia ao reunir três momentos bastante diferentes de Metal Gear. O grande destaque naturalmente fica por conta de Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots, que finalmente deixa a exclusividade do PlayStation 3 e chega às plataformas modernas, mas a coletânea também recupera Metal Gear Solid: Peace Walker e Metal Gear: Ghost Babel, originalmente lançado para Game Boy Color. O pacote ainda reúne materiais complementares como livros de roteiro, livros de conteúdo, a base de dados de Metal Gear Solid 4 e uma trilha sonora digital, criando uma compilação que vai além dos jogos em si. Com melhorias de resolução, desempenho e acessibilidade, a proposta é preservar essas experiências em um formato mais adequado ao hardware atual, mantendo ao mesmo tempo uma relação bastante próxima com aquilo que os jogos ofereciam naquela época.
METAL GEAR SOLID 4: Guns of the Patriots

Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots chega mantendo praticamente intacta a estrutura que marcou sua versão original no PlayStation 3, algo que fica evidente desde os primeiros momentos da campanha. Mesmo com as melhorias de resolução, desempenho e acessibilidade aplicadas nesta nova versão, ainda encontramos algumas características que denunciam a idade do projeto. A identificação dos inimigos, por exemplo, pode ser um pouco confusa em determinadas situações, enquanto a visão deles também apresenta comportamentos que hoje parecem datados. São elementos que já faziam parte da experiência original e continuam presentes aqui, mas que não impedem o jogo de oferecer uma das experiências de espionagem mais completas de sua geração. A liberdade para abordar cada situação também permanece como um de seus maiores pontos fortes, permitindo que o jogador avance eliminando adversários diretamente ou opte por uma abordagem completamente furtiva, que continua sendo a maneira mais interessante de experimentar a campanha.

A melhoria na qualidade gráfica, a resolução mais alta, o desempenho de até 60 quadros por segundo nas plataformas mais potentes e algumas adaptações de acessibilidade tornam a experiência mais confortável, mas existe uma diferença entre modernizar um jogo e realmente refiná-lo. Metal Gear Solid 4 permanece muito próximo do material original, e isso faz com que algumas oportunidades sejam desperdiçadas. Existem trechos com escombros e determinados elementos visuais que poderiam ter recebido um tratamento melhor, enquanto algumas das miras das armas continuam utilizando aquele formato arredondado que parece pouco adequado aos padrões atuais. São detalhes relativamente pequenos, mas que mostram como algumas intervenções simples poderiam ter deixado essa versão mais consistente sem alterar aquilo que tornou o jogo original tão marcante.

Metal Gear Solid 4 é uma experiência construída sobre anos de acontecimentos dentro da franquia, e constantemente utiliza imagens e referências para recuperar momentos anteriores da história. Essas recordações são apresentadas de maneira muito rápida em determinadas situações, muitas vezes através de poucos frames que passam diante do jogador antes que a narrativa siga em frente quase como um QTE. Algumas dessas imagens ainda aparecem de maneira distorcida, o que torna a compreensão desses pequenos momentos mais difícil do que deveria ser. Considerando a importância que essas lembranças possuem para contextualizar Snake e os acontecimentos que levaram até aquele ponto, seria interessante que a remasterização tivesse aproveitado a oportunidade para tornar essas recordações um pouco mais longas e claras.
A quantidade de referências aos jogos anteriores também poderia facilmente transformar a experiência em algo excessivamente dependente de nostalgia, mas aqui elas fazem parte da própria construção daquele universo e ajudam a dar peso aos acontecimentos.

A qualidade visual superior, o desempenho aprimorado e os recursos modernos ajudam a apresentar melhor uma experiência que permaneceu inacessível em outras plataformas durante muitos anos, enquanto problemas de identificação dos inimigos, alguns elementos visuais envelhecidos, determinadas miras e pequenas escolhas de apresentação continuam praticamente como eram, ainda assim, o núcleo permanece extremamente sólido. Metal Gear Solid 4 continua sendo um jogo que oferece liberdade na forma de jogar e uma narrativa que respeita a capacidade do jogador de acompanhar suas próprias ideias, e talvez seja justamente essa combinação que faça sua estrutura continuar funcionando mesmo tantos anos depois de seu lançamento original.
METAL GEAR SOLID: Peace Walker

Metal Gear Solid: Peace Walker apresenta uma estrutura mais antiga, afinal, é um jogo pensado originalmente para o PlayStation Portable (PSP), e isso fica evidente em diversos momentos. Na época, a versão de PSP ainda possuía a possibilidade de transferir o progresso para a versão de PlayStation 3 por meio do sistema Transfarring, algo bastante incomum para aquele período. Na versão atual, alguns elementos continuam denunciando essa origem portátil, como as animações de Snake caminhando entre determinadas áreas, utilizadas para mascarar os carregamentos. Os quick time events também aparecem com bastante frequência e, em algumas situações, são necessários para avançar determinadas cenas ou executar ações específicas. Outro aspecto que me chamou bastante atenção foi a quantidade de cutscenes, especialmente nas primeiras horas, que chega a ser realmente elevada para um jogo com essa estrutura.

Os menus possuem uma organização mais horizontal, algo que particularmente achei até charmoso e que reforça um pouco essa identidade mais portátil do jogo. Ainda assim, quando comparado diretamente a Metal Gear Solid 4, é perceptível que estamos diante de uma experiência tecnicamente mais simples, tanto na apresentação quanto na estrutura. Isso, porém, não tira o brilho de Peace Walker. Na verdade, acho que ele pode funcionar muito bem até como uma introdução à série, principalmente porque sua estrutura mecânica é mais fácil de absorver do que a de alguns outros títulos. A mira automática, quando utilizada, também ajuda bastante durante os confrontos e torna a experiência mais acessível, principalmente para quem ainda não está acostumado com a jogabilidade da franquia.

A estrutura de missões também contribui bastante para essa sensação. Em vez de grandes áreas contínuas, temos pequenos mapas e objetivos mais diretos, que tornam cada missão relativamente fácil de entender. Uma das partes que mais gosto, porém, é justamente a Mother Base, porque mesmo sendo um jogo originalmente lançado para PSP, Peace Walker já apresentava sistemas de gerenciamento bastante próximos daquilo que posteriormente seria expandido em The Phantom Pain. Podemos recrutar soldados, colocá-los em diferentes funções, trabalhar no desenvolvimento de equipamentos e administrar a evolução da nossa organização.
Pensando no contexto do lançamento original, acho particularmente impressionante imaginar como esse sistema deveria ter parecido no PSP, considerando as limitações daquela plataforma.

Também gosto bastante do ritmo proporcionado por essa estrutura. As missões normalmente conseguem ser concluídas em algo entre cinco e vinte minutos, dependendo do objetivo e da habilidade do jogador, o que cria uma experiência muito mais fácil de absorver entre sessões maiores de outros jogos mais densos. Além disso, Peace Walker possui missões cooperativas para até quatro jogadores e o Versus Ops, que permite partidas de até seis jogadores, características que representam um dos grandes diferenciais do projeto. Para mim, essa combinação entre missões curtas, gerenciamento da Mother Base e possibilidade de jogar cooperativamente faz com que Peace Walker tenha um ritmo bastante particular.
METAL GEAR: Ghost Babel

Já Metal Gear: Ghost Babel aparece na Master Collection Vol. 2 como um conteúdo bônus, originalmente lançado para Game Boy Color em 2000, e é justamente por isso que impressiona tanto a qualidade que o jogo ainda consegue apresentar. Mesmo vindo de uma plataforma extremamente limitada, a aventura reproduz muito bem a essência de Metal Gear, apostando em uma abordagem furtiva e em uma quantidade surpreendente de movimentos e possibilidades para o hardware da época. Aqui temos ações como se virar, se esgueirar, agachar, correr, atacar e se esconder, tudo funcionando de maneira bastante natural e formando uma experiência que vai muito além de simplesmente ser uma curiosidade histórica da franquia.

A adaptação para os controles modernos torna a versão incluída na coleção ainda mais interessante. A possibilidade de personalizar os comandos e utilizar os analógicos torna a experiência muito mais confortável, preservando a estrutura original enquanto dá uma fluidez que faz Ghost Babel continuar sendo divertido de jogar mesmo hoje. É impressionante perceber como tantas características fundamentais da série foram condensadas em um jogo de Game Boy Color, mantendo a identidade de espionagem e furtividade de Metal Gear sem parecer apenas uma versão simplificada dos títulos maiores.
ACHIEVEMENTS
Em Metal Gear Solid 4, a lista mantém praticamente a mesma base dos troféus da versão original de PlayStation 3, preservando objetivos que já faziam parte daquela experiência, mas acrescentando conquistas relacionadas aos materiais extras da nova coleção, como o Screenplay Book. Peace Walker segue uma lógica parecida, partindo da estrutura da versão anterior, mas fazendo alterações na lista e adicionando novos objetivos que exploram melhor suas mecânicas e conteúdos. Essa combinação entre preservação e pequenas adaptações funciona muito bem, porque os achievements não parecem existir apenas para preencher uma lista: eles incentivam o jogador a experimentar diferentes funcionalidades de cada jogo e descobrir possibilidades que poderiam passar despercebidas durante uma jogatina convencional.
Existe, porém, um detalhe que pode incomodar quem pretende completar os três jogos: alguns achievements são perdíveis e exigem determinadas ações durante a campanha. Isso pode significar começar uma nova jogatina caso o jogador não tenha conhecimento prévio de determinadas condições, algo que pesa ainda mais considerando a duração da experiência. Ainda assim, a criatividade dos objetivos merece ser reconhecida. Em uma coletânea que reúne MGS4, Peace Walker e Ghost Babel, cada jogo possui uma estrutura bastante diferente, e a lista consegue aproveitar essas particularidades para estimular uma exploração mais profunda. O resultado é uma seleção que respeita boa parte do legado das listas originais, mas também encontra espaço para acrescentar novos objetivos, fazendo com que buscar os 100% seja uma extensão interessante da própria experiência, e não apenas uma tarefa paralela.
TRAILER OFFICIAL
RESUMO
A Metal Gear Solid: Master Collection Vol. 2 é uma coletânea que consegue reunir três experiências bastante diferentes sem fazer com que nenhuma delas pareça deslocada dentro do pacote. Metal Gear Solid 4 é naturalmente o grande destaque, principalmente por finalmente estar disponível em plataformas modernas, mas Peace Walker e Ghost Babel também possuem motivos suficientes para justificar sua presença. Além do próprio Ghost Babel, a coleção apresenta uma quantidade interessante de conteúdos bônus, que vão desde camuflagens adicionais até uma trilha sonora digital, artes conceituais e livros digitais completos com informações sobre a história, personagens e outros elementos dos jogos. No fim, temos três formas diferentes de contar histórias dentro da mesma franquia, cada uma com sua própria densidade e estrutura, mas todas capazes de entreter e divertir o jogador em diferentes níveis.
Fica evidente que a proposta da Master Collection Vol. 2 está muito mais próxima de preservar e adaptar essas experiências do que de reconstruí-las para os padrões atuais. As melhorias de resolução, desempenho, controles e acessibilidade tornam os jogos mais confortáveis nas plataformas modernas, mas diversos elementos antigos continuam presentes. Algumas dessas características fazem parte da identidade dos jogos e ajudam a preservar sua experiência original, enquanto outras poderiam ter recebido um tratamento mais cuidadoso nesta nova versão. Mesmo considerando que estamos falando de uma remasterização, existem algumas oportunidades que poderiam ter sido aproveitadas para aprimorar determinados aspectos visuais, técnicos e de apresentação, tornando o pacote ainda mais consistente sem necessariamente alterar a essência dos jogos.
Independentemente de qual dos três títulos você escolha, existe uma experiência única esperando pelo jogador, e acho particularmente curioso como propostas tão diferentes conseguem funcionar tão bem quando colocadas lado a lado. Metal Gear Solid 4 continua sendo uma experiência extremamente sólida e densa, Peace Walker surpreende muito graças à combinação entre missões rápidas, gerenciamento e multiplayer, enquanto Ghost Babel mostra como a essência de Metal Gear podia ser adaptada até mesmo para um hardware tão limitado quanto o Game Boy Color.
A experiência base desses jogos continua forte o suficiente para entregar um resultado extremamente satisfatório e, principalmente, preservar três momentos distintos de uma das franquias mais importantes dos videogames.
Nota: 9.2/10
Review by Gamertag: SCOULZ





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