Review: Monster Crown: Sin Eater
- @brunosbom
- há 29 minutos
- 3 min de leitura
O RPG de monstros que troca fofura por corrupção, mistério e experimentos perturbadores

Desenvolvido pela Studio Aurum em parceria com Jason Walsh, Sin Eater não tenta ser apenas uma continuação direta do primeiro Monster Crown. Ele parece quase uma reconstrução completa da franquia, tanto mecanicamente quanto artisticamente. E honestamente, talvez fosse exatamente disso que a série precisava.
A história acompanha Asur, um garoto do interior que sonha em se tornar um Monster Tamer como seu irmão mais velho. Só que rapidamente o jogo abandona qualquer expectativa de “aventura confortável”. Eu confesso que fiquei bem surpreso com a jornada iniciando com aquela morte, aquela cabeça cortada e aquele sangue. O jogo deixa claro desde cedo que aqui a proposta é completamente diferente da maior parte dos monster tamers do mercado.
A Crown Nation é um lugar quebrado. Existe corrupção, fanatismo religioso, experimentos estranhos e uma sensação constante de que há algo profundamente errado acontecendo naquele mundo. E essa atmosfera funciona absurdamente bem.
O mais interessante é que Sin Eater não tenta copiar Pokémon diretamente. Na verdade, ele lembra muito mais experiências como Dragon Quest Monsters e até uma versão mais acessível de Shin Megami Tensei, principalmente pela ambientação pesada e pela forma como trata suas criaturas.
GAMEPLAY
O verdadeiro coração de Monster Crown: Sin Eater continua sendo o sistema de crossbreeding, e aqui ele foi absurdamente expandido.
O jogo transforma captura de monstros em algo muito mais profundo do que simplesmente colecionar criaturas. Agora existe uma camada quase genética no sistema, já que os monstros carregam traits positivos e negativos herdáveis, criando linhagens específicas com características únicas. E certamente o sistema de fusões do jogo é robusto e um dos melhores de tamming mosters que já vi.
Na prática, você não está apenas montando time. Você está criando descendências.

E isso gera uma profundidade gigantesca para quem gosta de buildcraft.
A exploração também recebeu um salto enorme comparado ao primeiro jogo. Os monstros agora possuem comportamento próprio no mapa, fugindo, perseguindo o jogador, observando de longe ou até surgindo de forma ameaçadora em áreas mais perigosas. Tudo isso ajuda demais a dar personalidade ao mundo.
É divertido perceber como elementos que os fãs sempre pediram em jogos do gênero finalmente aparecem aqui de forma natural, como montarias e os monstros principais acompanhando você durante a jornada.

A movimentação extremamente fluida também ajuda muito. O jogo abandonou completamente aquela sensação travada do primeiro Monster Crown e hoje existe uma liberdade muito maior na exploração.
Inclusive, uma das maiores forças de Sin Eater está justamente nessa sensação de descoberta orgânica. Muitos momentos parecem menos “guiados” e mais interpretativos, como se o jogador estivesse sendo jogado dentro daquele mundo para experimentar possibilidades.
VISUAIS E SOM
Visualmente, Monster Crown: Sin Eater é lindo dentro da proposta que tenta alcançar.
A pixel art inspirada na era Pokémon Crystal e nos JRPGs de SNES funciona muito bem, principalmente nos cenários e nas animações dos monstros.
Os sprites possuem bastante personalidade e o jogo frequentemente entrega criaturas visualmente perturbadoras de um jeito muito criativo. Mas o maior salto está claramente na parte técnica.

O primeiro Monster Crown ficou marcado por bugs, crashes e inúmeros problemas de performance. Sin Eater parece finalmente concretizar a visão da franquia de maneira muito mais estável e refinada.
A trilha sonora também merece destaque. Existem diversas referências perceptíveis a franquias clássicas como The Legend of Zelda, especialmente em melodias mais atmosféricas e exploratórias.
E sinceramente, a música ajuda muito a sustentar o clima melancólico e misterioso da jornada.
ACHIEVEMENTS
As conquistas também reforçam bastante o tom sombrio do jogo.
Sem entrar em spoilers, nomes como “Day Turns to Night”, “Sin Eater” e “Otherworld Apparition” já entregam muito sobre a proposta mais pesada da narrativa.

Existe uma sensação constante de que o jogo esconde algo maior por trás da campanha principal, principalmente pelas criaturas secretas, eventos estranhos e conteúdos ocultos espalhados pelo mapa.
TRAILER OFFICIAL
RESUMO
Monster Crown: Sin Eater talvez seja exatamente aquilo que a franquia precisava.
Ele não tenta competir diretamente com Pokémon através de orçamento absurdo ou gigantismo comercial. Em vez disso, aposta em identidade própria, atmosfera pesada, sistemas profundos e uma paixão muito clara pelos JRPGs retrô.
Existem problemas importantes no combate, principalmente no feedback visual e em algumas decisões de balanceamento. Em certos momentos, as batalhas parecem simples demais para a complexidade que o restante do jogo entrega, mas ao mesmo tempo, é impossível ignorar o quanto Sin Eater evoluiu.
A exploração é excelente. O crossbreeding é absurdamente viciante. A atmosfera é memorável. E talvez o mais importante: o jogo finalmente parece entregar aquela visão ambiciosa que o primeiro Monster Crown prometia anos atrás.
E honestamente? Para alguém que sempre quis ver jogos de captura de monstros retornando para uma estética 2D mais clássica sem abrir mão das possibilidades modernas, Monster Crown: Sin Eater chega muito perto desse sonho.
Review by Gamertag: Scoulz




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