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Review: Valor Mortis

há 9 horas
5 min de leitura

Uma jornada de sangue, história e sobrevivência



Valor Mortis chama a atenção pela identidade artística, com cenários que remetem a pinturas do século XIX, composições sombrias e uma representação sobrenatural das guerras napoleônicas. A ambientação combina referências históricas, espadas, criaturas grotescas e magias, criando um mundo que desperta a curiosidade durante a exploração. A proposta também chama a atenção por levar a estrutura de um Soulslike para a primeira pessoa, uma escolha que influencia diretamente a maneira como enfrentamos os inimigos e observamos os acontecimentos ao nosso redor.


GAMEPLAY



O combate é um dos pontos mais interessantes de Valor Mortis. Temos uma espada e outras armas para enfrentar inimigos que possuem uma barra de postura e barra de vida. A defesa bem executada contribui ainda mais para quebrar essa postura, abrindo espaço para um ataque crítico capaz de causar bastante dano. O tempo necessário para aparar é muito bem ajustado, e o jogo recompensa quem aprende a reconhecer os movimentos dos adversários e reage rapidamente. Os confrontos ficam progressivamente mais exigentes, tornando cada batalha um teste de atenção e precisão. Por outro lado, considero que a configuração dos controles poderia ser melhor resolvida. Ter que utilizar o Ctrl para aparar não me parece uma boa decisão, especialmente em um jogo que exige tanta precisão. Na minha experiência, seria mais confortável executar essa ação pelo mouse, reorganizando os comandos de armas e magias para acomodar melhor o restante do combate.


A exploração também merece destaque, principalmente pelo design dos mapas. Valor Mortis lembra bastante o primeiro Dark Souls na maneira como constrói suas regiões, com caminhos que se conectam, atalhos que se cruzam e elevadores que liberam novos andares de áreas anteriormente visitadas. Conforme avançamos, percebemos como diferentes partes do cenário se relacionam, criando aquela satisfação de encontrar uma passagem que encurta o caminho ou descobrir que determinado local está ligado a uma região conhecida. Apesar de ter me perdido algumas vezes, gostei bastante dessa estrutura. O jogo ainda inclui armadilhas e emboscadas que remetem a situações clássicas da franquia Souls, utilizando esses elementos de maneira equilibrada para surpreender o jogador sem depender exclusivamente deles para criar dificuldade.



Os pontos de descanso são representados por ampulhetas penduradas em postes(ou algo assim hahaha), onde podemos recuperar recursos e realizar melhorias. É possível aprimorar habilidades utilizando catalisadores, que funcionam de maneira semelhante às almas de outros Soulslikes, e desbloquear espaços para equipar Ambers, pedras que modificam determinadas características do personagem. Um dos primeiros exemplos é um Amber que permite utilizar o frasco de Ferro Fluido mais rapidamente, sem ser interrompido durante a ação. Também podemos realizar melhorias nas armas, incluindo o sabre e as armas de fogo, escolhendo benefícios diferentes conforme os materiais disponíveis. Por exemplo entre as modificações: o Florinho de Adrenalina recupera vigor ao derrotar inimigos, enquanto o Segundo Fôlego permite recuperar vida ao realizar um aparo bem-sucedido. Essas possibilidades ajudam a adaptar o estilo de jogo, enquanto os capítulos organizam a progressão e os registros encontrados pelo caminho acrescentam informações sobre a história e os personagens. O jogo possui um sistema de viagem rápida nos pontos de descanso.


Outro aspecto importante é o gerenciamento dos recursos durante o combate. Além da vida e do vigor, precisamos administrar a energia utilizada nas habilidades sobrenaturais, que se recupera conforme realizamos determinadas ações durante as batalhas. Os frascos de Ferrofluid são relativamente escassos no começo, mas sua disponibilidade melhora conforme avançamos. Já a munição pode ser recuperada nos candelabros e pontos de descanso espalhados pelo cenário, o que reduz a preocupação constante com a falta de balas. A morte faz parte da progressão, mas perder todos os catalisadores carregados obriga a ter cuidado ao explorar regiões desconhecidas. São sistemas que se complementam bem e dão importância tanto à preparação quanto à execução durante os confrontos.


VISUAIS E SOM


A direção artística é um dos elementos que mais se destacam em Valor Mortis. A combinação de referências napoleônicas com uma estética gótica e sobrenatural cria cenários que parecem composições de pinturas históricas transformadas em campos de batalha macabros. Durante a exploração, os ambientes ajudam a transmitir a dimensão da tragédia que atingiu aquele mundo, enquanto a variedade visual dos inimigos contribui para que os encontros não pareçam repetitivos. É uma identidade marcante, que diferencia o jogo de outras experiências de ação em primeira pessoa.



Infelizmente, a apresentação visual também evidencia alguns dos problemas técnicos que enfrentei. A compilação de shaders provocou engasgos durante a jogatina, e o desempenho apresentou inconsistências mesmo em um computador acima dos requisitos mínimos. São problemas que afetam diretamente a fluidez, especialmente em um jogo no qual a precisão dos movimentos e o tempo dos aparos fazem tanta diferença. A direção artística merece reconhecimento, mas a otimização precisava de mais atenção para que a experiência fosse consistente em uma variedade maior de computadores. A trilha sonora e os efeitos de áudio não foram aspectos que consegui destacar individualmente durante minha experiência, portanto prefiro não atribuir a eles qualidades específicas sem uma avaliação mais aprofundada.



ACHIEVEMENTS


As conquistas de Valor Mortis acompanham diferentes aspectos da experiência, incentivando o jogador a avançar pela campanha, explorar os cenários e superar os desafios de combate. Também existem objetivos relacionados à descoberta de itens, ao aprimoramento de equipamentos e à experimentação das diferentes mecânicas de progressão, recompensando quem dedica tempo para conhecer os sistemas disponíveis.

Pessoalmente gosto bastante das conquistas que exigem usar mecanicas de formas diferentes ou especificas e vale destacar que não há conquistas perdíveis pelo meio do caminho.


TRAILER OFFICIAL


CONSIDERAÇÕES FINAIS


Os principais problemas de Valor Mortis estão na parte técnica e na configuração dos controles. A compilação de shaders provoca travamentos momentâneos, e o desempenho apresenta oscilações mesmo em uma máquina que supera os requisitos mínimos. A escolha de colocar o aparo no Ctrl também prejudica a execução de uma das mecânicas mais importantes do combate, exigindo uma adaptação que poderia ser evitada com uma distribuição mais intuitiva dos comandos. São questões que pesam ainda mais em uma experiência que exige precisão constante e paciência para superar os chefes.


Apesar disso, gostei bastante do combate e da maneira como o jogo recompensa o domínio dos aparos, a leitura dos inimigos e a execução de ataques críticos. A progressão por meio dos catalisadores, das melhorias de armas e dos Ambers oferece alternativas interessantes para personalizar a experiência, enquanto os mapas interligados tornam a exploração prazerosa. A inspiração no primeiro Dark Souls aparece de maneira especialmente positiva na construção dos caminhos, nos atalhos e na conexão entre diferentes regiões. São elementos que dão personalidade à aventura e tornam a descoberta de novos locais uma parte importante da jogatina.

Valor Mortis também se destaca pela ambientação, pelas referências históricas e pela mistura de fantasia sombria com a era napoleônica. A variedade de inimigos, as armadilhas e o aumento gradual da dificuldade mantêm os confrontos interessantes, enquanto os sistemas de progressão oferecem motivos para continuar explorando e aprimorando o personagem. Minha experiência foi marcada por problemas de desempenho que poderiam ter sido evitados com mais trabalho de otimização, mas encontrei uma aventura com identidade própria, boas mecânicas e um design de mundo que me agradou bastante. Com os ajustes técnicos necessários, seria possível aproveitar melhor tudo o que o jogo tem a oferecer.





Nota: 7.8/10

 Review by Gamertag: SCOULZ

 
 
 

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