Review: Warcraft III: Reforged – Reino dos Renegados
Depois de Todos Esses Anos, Warcraft III Tem uma Nova História para Contar

Em Warcraft III: Reforged: Reino dos Renegados, acompanhamos os últimos dias de Lordaeron e a formação de uma nova sociedade de mortos-vivos. A campanha mistura estratégia, exploração e elementos de RPG, com heróis que podem receber equipamentos e desenvolver habilidades próprias. A história passa pela queda de Arthas e acompanha Garek, um morto-vivo que tenta entender o que aconteceu com ele, enquanto Sylvana ganha cada vez mais importância nos rumos dos Renegados.
O PRÓLOGO

Uma coisa interessante em Warcraft III: Reforged: Reino dos Renegados é que não precisamos terminar Reign of Chaos ou The Frozen Throne para começar a jogar. A expansão abre com o prólogo Os Últimos Dias de Lordaeron e depois segue para a campanha dos Renegados.
No começo, Lordaeron ainda vive um período de paz. Isso muda quando começam a aparecer relatos de uma praga misteriosa se espalhando pelo território. Ao mesmo tempo, os habitantes comentam sobre Arthas e o possível retorno do príncipe. Seu navio teria sido avistado, mas ninguém parece preparado para o que está prestes a acontecer.
As cinemáticas trazem de volta aquela identidade visual do Warcraft III original, agora com um acabamento mais refinado. As cenas feitas dentro do próprio jogo também ajudam a contar a história, sem depender o tempo todo de grandes sequências cinematográficas. Para quem conhece a franquia, ver Arthas transformado, vestido de preto e distante do herói que era antes é uma das imagens mais marcantes desse começo.
A traição ao próprio pai deixa claro o quanto o personagem mudou. Quando o Arauto da Luz aparece, a destruição provocada por Arthas já avançou demais. A partir daí, precisamos reorganizar nossas forças e seguir em frente, passando por áreas como Andorhal e enfrentando inimigos enquanto procuramos recursos para sobreviver.

O prólogo também muda um pouco a maneira como lidamos com os heróis. Cada personagem tem seu próprio inventário, equipamentos e talentos. Não basta recolher tudo o que aparece pelo caminho: precisamos observar os itens encontrados e decidir o que realmente vale a pena usar. Encontrei, por exemplo, um anel que acelera a regeneração de mana, algo que pode fazer diferença durante os confrontos.
As poções de cura e de clareza também continuam importantes. Em determinados momentos, administrar esses recursos e escolher quais habilidades usar pode fazer diferença entre avançar ou perder boa parte do grupo.
Nem tudo funciona tão bem. O primeiro chefe me deu bastante trabalho e acabou eliminando quase todas as unidades que eu ainda tinha. O problema é que alguns ataques são difíceis de interromper, mesmo quando tentamos atordoar o inimigo. A luta acaba ficando frustrante, principalmente quando parece que temos poucas alternativas para evitar o dano.

Também senti falta de mais liberdade para corrigir a dificuldade durante a campanha. Se um capítulo fica difícil demais, não basta mudar a configuração e continuar de onde paramos. É preciso reiniciar o capítulo, o que se torna ainda mais incômodo quando o sistema de salvamento não ajuda como deveria.
Fora dos combates, há momentos que exigem um pouco mais de atenção. Algumas áreas escondem objetos e equipamentos, enquanto certos caminhos levam a alavancas que precisam ser ativadas na ordem correta. Há armadilhas, rotas alternativas e tarefas que precisam ser resolvidas dentro de um limite de tempo.
Gostei dessa variedade, mas o tamanho do prólogo nem sempre ajuda. Em alguns trechos, é fácil entrar em uma área antes da hora ou perder tempo procurando um item que acaba não sendo tão útil. Também existem situações em que podemos avançar sem perceber algo importante, e nem sempre dá para voltar depois. Explorar é recompensador, mas é preciso prestar atenção no caminho para não gastar tempo à toa.

CAMPANHA DOS RENEGADOS

A campanha principal começa com Garek já transformado em morto-vivo. Ele é encontrado por Anya e precisa lidar com uma situação que não compreende completamente. Suas memórias e a tentativa de entender quem era antes da transformação conduzem boa parte dessa jornada, enquanto a presença de Sylvana deixa claro que há conflitos maiores acontecendo ao redor dele.
A mudança de perspectiva ajuda a diferenciar essa parte do prólogo. Em vez de acompanhar apenas a queda de um reino humano, passamos a conhecer personagens que tentam encontrar seu lugar depois de perderem a vida e tudo o que conheciam. Garek não tem todas as respostas de imediato, e essa descoberta gradual dá um motivo para continuar acompanhando sua história.
Os elementos de RPG continuam presentes. Cada herói tem seus próprios equipamentos e talentos, então precisamos pensar em como desenvolver cada um deles. Há, porém, um detalhe importante na distribuição de experiência: o personagem que elimina um inimigo recebe a experiência daquela morte, em vez de ela ser compartilhada automaticamente com todo o grupo. Isso exige um pouco mais de cuidado quando queremos fortalecer um herói específico.

A exploração também ocupa um espaço considerável. Podemos percorrer diferentes áreas, cumprir missões e procurar itens necessários para avançar em determinados objetivos. Algumas tarefas pedem que encontremos materiais deixados por monstros específicos, o que incentiva a investigar os cenários em vez de seguir sempre em linha reta.
Gostei dessa variedade porque ela dá outros objetivos para as missões além de derrotar todos os inimigos que aparecem pelo caminho. Ao mesmo tempo, é preciso ter paciência para procurar o que cada tarefa exige, especialmente quando o item desejado depende de um inimigo específico.
Outro recurso é o sistema de elevadores, que permite circular entre a capital em ruínas e outras localidades. A estrutura ajuda a conectar as áreas exploradas e dá acesso a diferentes pontos da campanha. Conforme avançamos, também podemos melhorar nossos recursos e preparar os heróis para os desafios seguintes.

A história de Garek ganha mais peso quando suas memórias começam a voltar e sua ligação com a Luz passa a ter outro significado. O confronto com o Flagelo leva a uma decisão que custa a vida do personagem. Seu sacrifício não encerra apenas sua trajetória: os acontecimentos também afetam a maneira como Sylvana passa a olhar para o futuro dos Renegados.
Apesar dos bons momentos, a parte técnica ainda mostra algumas limitações. Em certos trechos, os mapas demoram a carregar, interrompendo o ritmo da exploração. Não chega a comprometer toda a campanha, mas é um problema perceptível em uma experiência que depende tanto da progressão entre áreas.
NOVIDADES E MELHORIAS
A atualização 3.0 também trouxe mudanças para quem já possui Warcraft III: Reforged. Uma das principais é o modo gráfico Definitive Edition, que atualiza mais de 600 unidades e melhora aspectos como iluminação, sombras e efeitos visuais. A ideia é modernizar a apresentação sem abandonar completamente a identidade do jogo original.
O multiplayer também recebeu novidades. O Paladino Renegado foi adicionado como um novo herói, com habilidades de cura, ataques em área e resistência mágica. Outra mudança aumenta de 12 para 24 o limite de unidades que podemos selecionar de uma vez, facilitando o controle de exércitos maiores.

Para os jogadores brasileiros, a chegada de um servidor em São Paulo oferece mais uma opção de conexão. Já o Editor de Mundos recebeu ferramentas adicionais para trabalhar com iluminação e personalizar objetos. Essas alterações interessam principalmente a quem gosta de criar mapas e modos próprios, porque ampliam as possibilidades de personalização.
Vale lembrar que parte dessas melhorias está disponível para quem já possui Warcraft III: Reforged, sem a necessidade de comprar a expansão. Assim, o conteúdo novo não fica limitado a quem pretende jogar a campanha dos Renegados.

TRAILER OFFICIAL
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O que mais me incomodou durante a campanha foi a combinação de alguns confrontos difíceis com limitações no sistema de salvamento e na possibilidade de ajustar a dificuldade. O chefe do início do prólogo é um bom exemplo: perder quase todas as unidades em uma luta na qual é difícil interromper os ataques do inimigo acaba tirando parte da vontade de continuar. Os tempos de carregamento também poderiam ser melhores.
Por outro lado, gostei de como a expansão mistura estratégia com elementos de RPG. Equipar os heróis, escolher talentos, procurar objetos escondidos e decidir como distribuir a experiência acrescenta decisões que vão além de montar um exército e partir para o combate. Os puzzles e as missões de exploração também ajudam a variar o ritmo, mesmo quando algumas tarefas acabam demorando mais do que deveriam.
Como fã de campanhas estratégicas com desenvolvimento de personagens, vejo em Reino dos Renegados uma adição interessante ao universo de Warcraft III. A história de Garek, a presença de Anya e o papel de Sylvana dão outra perspectiva aos acontecimentos de Azeroth. Ainda existem problemas de ritmo e algumas decisões de design que poderiam funcionar melhor, mas a combinação de estratégia, exploração e progressão dos heróis me manteve interessado até o fim.
Nota: 8.0/10
Review by Gamertag: SCOULZ





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