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ESPECIAL: BGS 2026

há 12 horas
8 min de leitura

A maior feira de games da America Latina está de volta



A Brasil Game Show voltou para mais uma edição, reafirmando sua posição como a maior feira de games da América Latina. Entre os dias 9 e 12 de outubro, o Distrito Anhembi, em São Paulo, recebe milhares de visitantes, publicadoras, desenvolvedores e profissionais da indústria em um evento que reúne algumas das principais marcas do mercado, como Nintendo, SEGA, Square Enix e Devolver Digital. Em sua 17ª edição, a feira oferece demonstrações de jogos aguardados, experiências interativas, estandes promocionais e oportunidades de conhecer de perto algumas das novidades que estão chegando ao mercado. Durante nossa visita, realizada em um período com acesso voltado a credenciados, criadores de conteúdo e visitantes com ingressos especiais, tivemos a oportunidade de experimentar títulos interessantes, incluindo Warhammer 40,000: Boltgun 2, Total War: WARHAMMER 40,000, Heave Ho 2, Call of Duty: Modern Warfare 4 e Crazy Taxi: World Tour.


Apesar da variedade de atrações, a experiência também foi marcada por problemas de organização, principalmente em relação à capacidade de atendimento de alguns estandes. As filas cresceram consideravelmente, dificultando o aproveitamento de jogos com tempo limitado de demonstração e tornando complicado conciliar todas as experiências disponíveis. Por outro lado, a estrutura de acessibilidade merece reconhecimento, assim como os serviços oferecidos aos profissionais de imprensa. A BGS 2026 tem atrações suficientes para chamar a atenção de diferentes públicos, mas nossa visita deixou a sensação de que parte desse potencial acabou comprometida pela dificuldade de administrar a demanda.



SEGA


A SEGA foi uma das grandes surpresas positivas da BGS 2026, tanto pela variedade de jogos quanto pelo tamanho e pela relevância das atrações. Entre os títulos disponíveis estavam Alien: Isolation 2, Crazy Taxi: World Tour, Persona 4 Revival, STRANGER THAN HEAVEN, SONIC PICO PARK e Total War: WARHAMMER 40,000. O grande destaque para o público, entretanto, era Alien: Isolation 2, uma das demonstrações mais aguardadas desta edição.


Infelizmente, foi justamente nesse ponto que encontramos um dos maiores problemas da feira. Quando procuramos o estande, o tempo de espera estava próximo de duas horas, enquanto o acesso à fila da demonstração foi encerrado às 18h. Como a experiência oferecia aproximadamente meia hora de gameplay, a capacidade de atendimento era naturalmente limitada. Optamos por não enfrentar a fila, mas fica a recomendação para quem pretende experimentar o jogo nos próximos dias: chegar cedo e acompanhar os horários de encerramento da atividade pode fazer toda a diferença.


Nossa alternativa foi experimentar Crazy Taxi: World Tour, que resgata a premissa clássica da franquia, colocando o jogador no controle de um taxista que precisa transportar passageiros dentro de um limite de tempo. O jogo também oferece desafios específicos após determinadas corridas, incluindo atividades que envolvem arremessar o passageiro o mais longe possível. Os visuais impressionam, respeitando a identidade da série enquanto apresentam um aspecto mais moderno, e a trilha sonora ajuda a manter o ritmo acelerado da jogabilidade.



Kenji Kanno, criador de Crazy Taxi, ao lado do redator Giovanni.
Kenji Kanno, criador de Crazy Taxi, ao lado do redator Giovanni.

Também tentamos organizar uma entrevista com Kenji Kanno, criador do Crazy Taxi original e produtor de Crazy Taxi: World Tour, mas não conseguimos realizar a conversa desta vez. Mesmo assim, tivemos a oportunidade de tirar uma foto com ele. Kanno foi muito simpático durante o encontro e vestia uma camiseta especial relacionada à sua própria criação, tornando essa interação um dos momentos memoráveis da nossa passagem pelo estande.


Os redatores Lucas Santos e Bruno de Souza Bom.
Os redatores Lucas Santos e Bruno de Souza Bom.

Outro jogo interessante foi Total War: WARHAMMER 40,000, que apresentou uma pequena parte da campanha e seus sistemas de batalha. A proposta parece bastante promissora, e as cenas cinematográficas chamaram a atenção pela qualidade da apresentação. Entretanto, a versão disponibilizada para teste ainda parecia precisar de alguns ajustes, especialmente considerando a importância de uma demonstração em uma feira desse porte. Também sentimos falta da localização em português brasileiro naquela versão, já que a ausência de tradução pode dificultar a compreensão das mecânicas e da narrativa para quem está conhecendo o jogo pela primeira vez. Isso não significa que a versão final será lançada sem localização, mas a demonstração poderia ter sido mais acessível ao público brasileiro.


No conjunto, a SEGA trouxe atrações de grande interesse, embora a experiência com seu principal destaque tenha sido prejudicada pela organização das filas. Outro ponto que chamou nossa atenção foi a qualidade dos equipamentos utilizados no estande, que contava com computadores da Alienware, além de um mousepad gigante temático do jogo.


NINTENDO


A Nintendo também marcou presença com um estande de grande porte e diversas experiências para os visitantes. Entre os jogos que encontramos estavam Donkey Kong Bananza, Mario Kart World e Nintendo Switch Sports Resort. A seleção oficial incluía ainda títulos como Pokémon Pokopia, Star Fox, Super Mario Galaxy e Super Mario Galaxy 2, além de LEGO Batman: O Legado do Cavaleiro das Trevas, EA SPORTS FC 27 e Just Dance: Decades of Hits.


Havia, portanto, variedade no catálogo divulgado, embora nossa impressão tenha sido de que faltou uma atração capaz de despertar ainda mais interesse entre os visitantes que acompanham de perto os próximos lançamentos da empresa. Um exemplo significativo é The Legend of Zelda: Ocarina of Time, cuja nova versão para Nintendo Switch 2 tem lançamento anunciado para 5 de novembro de 2026, mas não estava entre os jogos divulgados para demonstração no estande. Considerando a proximidade da estreia, seria uma oportunidade interessante para permitir que o público experimentasse antecipadamente uma das novidades mais aguardadas da Nintendo.


A experiência mais interessante para nós foi Call of Duty: Modern Warfare 4, disponibilizado para jogar no Nintendo Switch 2. Conseguimos experimentar uma partida de aproximadamente dez minutos, o suficiente para observar o comportamento do jogo no console. Como já havíamos testado a versão beta no computador, foi possível perceber que a experiência permanecia bastante próxima daquela que conhecíamos, sem diferenças significativas na estrutura da partida. A principal mudança estava na plataforma utilizada e nas limitações técnicas envolvidas.

Naturalmente, não seria razoável esperar o mesmo desempenho visual de um computador de alto desempenho em um console como o Switch 2, mas a adaptação apresentou um resultado interessante. A jogabilidade se manteve fluida durante nossa experiência, e o trabalho de adaptação pareceu cuidadoso ao preservar a essência do FPS. É um resultado positivo, ainda que a apresentação gráfica fique abaixo do que encontramos nas versões destinadas a plataformas mais potentes.


A Nintendo também trouxe Charles Martinet, ex-dublador de Mario, como artista convidado. Mesmo com essa atração e a variedade de jogos disponíveis, nossa experiência deixou uma sensação de oportunidade parcialmente perdida. O estande conseguia atrair visitantes, mas sentimos falta de uma demonstração mais impactante de algum lançamento próximo, especialmente considerando o interesse em torno das novidades da marca. A ausência de The Legend of Zelda: Ocarina of Time foi particularmente sentida nesse contexto, pois a oportunidade de experimentar o jogo antes de seu lançamento poderia ter se tornado um dos grandes destaques da feira. Ainda assim, vale reconhecer que a Nintendo ofereceu uma seleção bastante diversificada.


SQUARE ENIX



A Square Enix também trouxe atrações interessantes para a BGS 2026, colocando FINAL FANTASY VII REVELATION como o principal destaque de seu estande. O jogo será o terceiro e último capítulo da trilogia que reimagina o clássico Final Fantasy VII, lançado originalmente para PlayStation em 1997. Com lançamento previsto para 8 de abril de 2027, a produção promete concluir a jornada iniciada em Final Fantasy VII Remake e continuada em Final Fantasy VII Rebirth. A possibilidade de experimentar uma demonstração jogável meses antes da estreia tornou a presença da empresa especialmente interessante para os fãs da franquia.


Outro título disponível para teste foi FINAL FANTASY RESONANCE, uma nova aventura da franquia que aposta em gráficos HD-2D e combates por turnos. Com lançamento previsto para 22 de outubro de 2026, o jogo também ganhou espaço na feira, permitindo que os visitantes conhecessem sua proposta antes da chegada da versão completa.


Consideramos muito positiva a decisão da Square Enix de priorizar jogos que ainda não haviam sido lançados. Ter a oportunidade de experimentar essas produções antecipadamente permite que o público conheça suas propostas, forme as próprias impressões e avalie o interesse em uma futura compra. Essa abordagem também ajuda a tornar a participação da empresa mais relevante para quem acompanha os próximos lançamentos e procura novidades além dos títulos que já chegaram ao mercado.


DEVOLVER DIGITAL


A Devolver Digital trouxe um dos estandes mais legais da feira, com novidades e jogos lançados recentemente. Entre as experiências disponíveis, Warhammer 40,000: Boltgun 2 foi uma das que mais nos divertiram, apesar de um problema técnico que prejudicou a demonstração.


Durante a jogatina de Boltgun 2, percebemos uma latência bastante incômoda nos comandos, aparentemente restrita à máquina em que estávamos jogando. O problema chamou a atenção principalmente por se tratar de um FPS, gênero que depende de respostas rápidas e movimentos precisos. A falha comprometeu parte da experiência, mas não foi suficiente para esconder as qualidades do jogo. A direção de arte em pixel art é muito interessante, com uma apresentação moderna que respeita a estética retrô, enquanto a jogabilidade mantém um ritmo frenético, dinâmico e bastante divertido. Ainda assim, a demonstração precisava de ajustes técnicos para que pudéssemos aproveitar o jogo da maneira adequada.


Outro título que conseguimos experimentar foi Heave Ho 2, em uma fase que reforçou a proposta de diversão cooperativa da franquia. A experiência foi bastante divertida, principalmente pela maneira como o jogo transforma movimentos simples em situações caóticas quando jogamos com outra pessoa. É aquele tipo de jogo que exige coordenação, comunicação e paciência, mas também rende boas risadas quando alguém comete um erro e acaba prejudicando o restante do grupo. A demonstração reforçou o potencial da experiência cooperativa e mostrou como situações aparentemente simples podem se transformar em momentos de pura diversão.



CONSIDERAÇÕES FINAIS


A BGS 2026 mostrou que continua sendo um evento relevante para a comunidade gamer brasileira, reunindo publicadoras, desenvolvedores independentes, criadores de conteúdo e jogadores em um mesmo espaço. Mesmo com a ausência de grandes estandes próprios de Xbox e PlayStation, a feira conseguiu oferecer experiências interessantes, com destaque para a SEGA, a Nintendo, a Devolver Digital e a Square Enix. Poder experimentar jogos que ainda não chegaram ao mercado, como Crazy Taxi: World Tour, Warhammer 40,000: Boltgun 2 e FINAL FANTASY VII REVELATION, tornou a visita mais interessante, especialmente para quem acompanha os próximos lançamentos e deseja conhecer essas produções antes de decidir por uma futura compra.


Entretanto, a quantidade de atrações não foi acompanhada por uma organização capaz de atender à demanda em todos os momentos. As filas excessivas foram o principal problema da nossa experiência, a ponto de desistirmos de experimentar Alien: Isolation 2, um dos jogos mais aguardados do evento. Também encontramos problemas técnicos em Warhammer 40,000: Boltgun 2 e sentimos falta de uma demonstração em português brasileiro de Total War: WARHAMMER 40,000. Os preços elevados da alimentação também merecem atenção. A BGS não precisa necessariamente oferecer mais atrações para melhorar a experiência, mas precisa encontrar maneiras mais eficientes de distribuir o público e garantir que os visitantes consigam aproveitar aquilo que já está disponível.


Por outro lado, seria injusto avaliar a feira apenas pelos problemas. A estrutura destinada à imprensa, os procedimentos de segurança e os recursos de acessibilidade, incluindo filas prioritárias e salas sensoriais, foram pontos positivos da nossa visita. Também merece destaque o espaço oferecido aos desenvolvedores independentes e às instituições de ensino, que ajudam a apresentar novos talentos e projetos ao público. Os concursos de cosplay, as ativações dos estandes e os encontros entre pessoas que se conhecem pela internet reforçam o caráter comunitário do evento. Afinal, uma das experiências mais especiais da BGS é justamente reunir pessoas diferentes que compartilham a mesma paixão pelos videogames.


No fim, saímos da BGS 2026 com uma impressão positiva sobre a relevância do evento, mas com ressalvas importantes em relação à organização. A feira continua reunindo jogos interessantes, proporcionando encontros profissionais e criando momentos que dificilmente seriam reproduzidos da mesma maneira fora dali. Entretanto, a dificuldade de experimentar todas as atrações em apenas um dia, especialmente por causa das filas, acaba reduzindo parte do potencial da visita. Para as próximas edições, esperamos uma distribuição mais eficiente dos espaços, um controle melhor da demanda nas demonstrações mais procuradas e condições que permitam aproveitar mais jogos sem comprometer tantas horas em filas. A BGS continua sendo um ponto de encontro importante para quem vive os videogames e, justamente por isso, acreditamos que avanços na organização podem tornar uma experiência que já tem muito a oferecer ainda melhor.





 
 
 

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