Review: Assassin's Creed Black Flag Resynced
- @brunosbom
- há 13 minutos
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A lendária aventura de Edward Kenway retorna revitalizada e mais grandiosa do que nunca.

Poucos jogos da franquia Assassin's Creed carregam um legado tão forte quanto Black Flag. Mais de uma década após seu lançamento original, retornar ao Caribe na pele de Edward Kenway já seria especial por si só. O curioso é que comecei minha jornada em Black Flag Resynced no meio da campanha de Assassin's Creed Shadows, o que acabou oferecendo uma perspectiva interessante sobre este remake e sobre a própria identidade da série.
Depois de passar dezenas de horas em um dos capítulos mais recentes da franquia, revisitar Black Flag reconstruído na nova geração serviu quase como um lembrete do que tornou Assassin's Creed tão popular durante sua era de ouro. E a surpresa é perceber que Resynced não apenas moderniza um clássico, mas também traz novidades suficientes para justificar sua existência.
Voltamos à era de ouro da pirataria e assumimos novamente o papel de Edward Kenway, um corsário movido pela busca incessante por riqueza, fama e liberdade. Em um Caribe dominado pela ganância, acompanhamos sua jornada ao lado de figuras lendárias como Barba Negra, Charles Vane, Jack Rackham e Stede Bonnet enquanto navegamos por ilhas paradisíacas, fortalezas coloniais e águas mortais repletas de fragatas inimigas.
Mas o remake também procura expandir a narrativa original. O novo arco "A World Without Gold" adiciona um epílogo inédito composto por oito missões que aprofundam ainda mais alguns dos temas centrais da campanha, principalmente a relação entre ambição e liberdade. A frase "Num mundo sem ouro, talvez tivéssemos sido heróis" resume perfeitamente essa nova abordagem. Afinal, grande parte das tragédias vividas pelos piratas surge justamente da incapacidade de abandonar a busca por poder e riquezas.
GAMEPLAY
Uma das maiores qualidades de Black Flag Resynced está justamente na coragem de preservar a essência do original.
Depois de anos acompanhando Assassin's Creed abraçar sistemas de RPG cada vez mais complexos, foi refrescante retornar a um jogo que deixa de lado níveis exagerados, árvores gigantescas de habilidades e dezenas de tipos diferentes de inimigos espalhados pelo mapa.
Recebemos uma missão, estudamos o cenário, eliminamos nosso alvo e seguimos em frente. É uma abordagem mais direta, mas que continua eficiente.
Os contratos dos Assassinos permanecem entre as melhores atividades secundárias do jogo. Receber um contrato, analisar o ambiente e escolher a melhor forma de eliminar o alvo é muito prazeroso, especialmente quando buscamos cumprir objetivos específicos para obter recompensas adicionais.

O remake também traz diversas melhorias importantes no combate. Agora temos parries perfeitos que resultam em finalizações em cadeia extremamente violentas, novos golpes pesados, chutes, rasteiras e até execuções utilizando diretamente a Hidden Blade durante confrontos abertos.
As animações de combate impressionam. Ver Edward encadear múltiplas execuções continua sendo um espetáculo visual e algumas batalhas específicas, como o confronto contra Du Casse, ganharam ainda mais impacto graças ao refinamento das animações e da direção cinematográfica.
A adição de equipamentos com perks passivos e trinkets capazes de alterar atributos do personagem oferece pequenas possibilidades de personalização sem descaracterizar a experiência clássica.
O retorno do parkour clássico

Eu gosto do parkour dos Assassin's Creed modernos, mas é impossível negar que houve uma mudança significativa na filosofia de movimentação da série. Aqui, cada cidade parece ter sido construída pensando especificamente na navegação vertical.
Resynced adiciona salto manual, side eject, back eject com ganho de altura, tirolesas inéditas e transições muito mais suaves entre movimentos. O resultado é um sistema prazeroso de utilizar.
Edward é um dos protagonistas mais agradáveis de controlar em toda a franquia. Sua movimentação encontra um equilíbrio perfeito entre velocidade e peso. Depois de alternar entre personagens muito leves ou pesados nos títulos recentes, controlar Edward novamente foi quase terapêutico.
Se existe uma lição que a Ubisoft deveria carregar para futuros remakes, é justamente esta. Misturar o refinamento técnico atual com a filosofia clássica de construção dos cenários pode resultar em alguns dos melhores Assassin's Creed já produzidos.

O Caribe continua sendo a verdadeira estrela
Mesmo tantos anos depois, navegar é uma das atividades mais divertidas da série.
As batalhas marítimas receberam melhorias importantes. O Jackdaw agora possui novos disparos secundários, munições especiais, habilidades exclusivas fornecidas pelos novos oficiais recrutáveis e sistemas adicionais de progressão.
Fenômenos climáticos extremos, ondas gigantes e tempestades retornam com força total, tornando algumas travessias genuinamente tensas.
Visualmente, navegar nunca foi tão impressionante graças ao novo sistema de iluminação, física da água e ray tracing. Durante boa parte da aventura, tive a sensação de estar jogando o Assassin's Creed visualmente mais bonito já produzido. Até então, esse posto pertencia a Unity para mim.
O mapa é significativamente menor quando comparado aos jogos recentes, mas justamente por isso cada região parece muito mais detalhada e cuidadosamente construída.
Por outro lado, ainda existem algumas limitações herdadas do jogo original. Apesar da inclusão de novas opções de viagem rápida, ainda senti que determinados deslocamentos poderiam ter sido melhor planejados. Em algumas situações, principalmente quando apenas queremos acessar uma ilha específica, as longas viagens marítimas acabam se tornando um pouco cansativas.
Novidades narrativas

Resynced não se limita apenas à reconstrução visual.
Além do novo arco "A World Without Gold", o remake introduz três oficiais inéditos para o Jackdaw, cada um acompanhado por sua própria linha narrativa.
Lucy Baldwin, The Padre e Tobias "Deadman" Smith não apenas fornecem melhorias de gameplay, mas também expandem o elenco com histórias próprias.
O jogo também adiciona novas missões secundárias envolvendo personagens importantes da campanha, incluindo conteúdos relacionados a Barba Negra e Stede Bonnet.
Essas adições não reinventam completamente a narrativa, mas conseguem ampliar o universo de Black Flag de forma natural, sem parecer conteúdo artificialmente inserido.
Qualidade de vida e acessibilidade

As melhorias de qualidade de vida são inúmeras.
A possibilidade de coletar itens rapidamente, utilizar transmog em equipamentos, gerenciar melhor menus e personalizar praticamente todos os aspectos da experiência modernizam a aventura.
Também merece destaque a quantidade de opções de acessibilidade, incluindo dificuldades independentes para combate, stealth e navegação naval, remapeamento completo de controles, possibilidade de pular QTEs, ajustes visuais avançados e diversas opções de assistência. São recursos que aproximam Black Flag dos padrões atuais da indústria.
VISUAIS

Não há dúvidas de que Assassin's Creed Black Flag Resynced é um remake no sentido mais tradicional da palavra. O jogo foi reconstruído utilizando a versão mais recente da engine Anvil, a mesma tecnologia que vem sendo utilizada nos capítulos mais modernos da franquia. Segundo a própria Ubisoft, praticamente todos os assets do jogo original foram refeitos, desde personagens e construções até vegetação, embarcações e efeitos ambientais. O resultado é imediato logo nos primeiros minutos de jogatina.
O antigo filtro excessivamente amarelado e levemente "sujo" presente no Black Flag original desapareceu completamente. Em seu lugar encontramos uma direção visual muito mais limpa, natural e tecnicamente impressionante. A nova implementação de ray tracing, associada ao sistema de iluminação global, transforma por completo a atmosfera do Caribe. Portos movimentados, tavernas iluminadas apenas por velas e tempestades em alto-mar possuem uma presença visual muito superior ao material original.

As cidades também se beneficiam enormemente da reconstrução. Havana, Nassau e Kingston parecem mais densas e vivas graças ao aumento na quantidade de NPCs, objetos dinâmicos e destruição ambiental. Além disso, as novas falas contextuais espalhadas pelo mundo ajudam a criar uma sensação constante de atividade, fazendo com que o Caribe pareça menos estático e muito mais orgânico.
Outro aspecto que me chamou bastante atenção foi a qualidade das animações. As sequências de combate, especialmente as execuções em cadeia e alguns confrontos específicos da campanha, receberam um refinamento considerável. Ver Edward alternando entre pistolas, espadas e a Hidden Blade durante as finalizações impressionam mesmo após dezenas de horas.
SOM
Resynced preserva boa parte do trabalho original composto por Brian Tyler, responsável pela trilha de Assassin's Creed IV em 2013. Muitas das composições clássicas retornam remasterizadas e reorquestradas, mantendo intacta a identidade sonora do jogo original.
As tradicionais sea shanties seguem sendo um dos pontos altos da experiência e continuam transformando longas viagens marítimas em momentos memoráveis. Ainda assim, existem algumas pequenas imperfeições. Durante minha campanha percebi ocasionais problemas de sincronização labial, principalmente em diálogos secundários e algumas cenas menos importantes.
Também tive algumas ressalvas com a localização. Em certas situações encontrei uma mistura curiosa entre personagens falando inglês, português e espanhol durante uma mesma sequência. Como a ambientação naturalmente reúne personagens de diferentes nacionalidades, nem sempre ficou claro quando essa alternância fazia parte da caracterização histórica e quando poderia ser resultado de algum pequeno problema de localização ou sincronização de áudio. Apesar disso, trata-se de uma ocorrência relativamente pontual que não compromete a experiência como um todo.
ACHIEVEMENTS

A lista de conquistas de Assassin's Creed Black Flag Resynced aproveita muito bem todos os sistemas do jogo. Para alcançar a platina, será necessário explorar completamente o Caribe, conquistar fortes, restaurar Grande Inagua, derrotar navios lendários e aprimorar totalmente o Jackdaw.
As novas adições do remake também fazem parte da jornada, incluindo o recrutamento dos oficiais inéditos e a conclusão de conteúdos narrativos adicionados em Resynced. O combate recebe atenção especial com desafios que incentivam o uso das novas mecânicas, enquanto a exploração é um dos pilares da experiência.
TRAILER OFICIAL
RESUMO
Apesar de extremamente polido, Assassin's Creed Black Flag Resynced não está livre de problemas. Durante minha campanha encontrei alguns bugs curiosos. Em determinada missão de perseguição, por exemplo, um NPC simplesmente disparou em velocidade absurda, tornando a captura praticamente impossível. Também presenciei barcos desaparecendo repentinamente durante a navegação, algo que felizmente ocorreu poucas vezes, mas que acaba chamando atenção justamente pelo alto nível de acabamento do restante da experiência.
Alguns checkpoints também poderiam ser mais generosos. Houve momentos em que uma ação simples, como cair acidentalmente na água, obrigou a repetir trechos excessivamente longos da missão. Outro aspecto que poderia ter recebido maior atenção está relacionado aos equipamentos do personagem. Durante boa parte da campanha praticamente ignorei upgrades de Edward, concentrando praticamente todos os meus recursos marítimos sem sofrer grandes consequências jogando na dificuldade normal. Existe espaço para tornar essa progressão mais significativa em eventuais remakes futuros.
Ainda assim, são problemas relativamente pequenos diante do que a Ubisoft conseguiu realizar aqui. Assassin's Creed Black Flag Resynced representa exatamente o tipo de remake que muitos fãs esperam da companhia. O jogo preserva quase intacta a essência do clássico original, adiciona melhorias modernas inteligentes, expande a narrativa com conteúdo inédito e demonstra um enorme respeito por um dos capítulos mais amados da franquia.
Mais importante do que modernizar Black Flag, Resynced mostra que ainda existe muito valor na estrutura clássica da série. O retorno do parkour tradicional, a abordagem mais direta das missões, o foco na exploração e a excelente integração entre combate terrestre e batalhas navais fazem deste não apenas um dos melhores remakes produzidos pela Ubisoft, mas também uma das melhores experiências recentes envolvendo Assassin's Creed.
Nota: 9.1/10
Review by Gamertag: Scoulz




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