Review: Blightstone
- @brunosbom
- há 11 minutos
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Quem falhará primeiro seu cristal ou sua estratégia?

Blightstone é um jogo de turno que foge bastante do que normalmente se espera do gênero. Em vez de focar apenas em números, grids previsíveis e ataques automáticos, ele aposta em posicionamento, leitura de cenário e decisões que podem custar toda a sua jornada. Aqui, nós controlamos um grupo de aventureiros em um mundo hostil, corrompido e cheio de surpresas, onde cada passo importa.
O grande diferencial está na forma como o jogo mistura elementos de roguelike com combate tático por turnos, criando uma experiência que exige atenção constante e planejamento real. Não é um jogo que perdoa descuido.
GAMEPLAY
Em Blightstone, controlamos um grupo variado de personagens, cada um com funções e habilidades próprias. Entre eles estão um arqueiro, um cristal que funciona como peça central da equipe e até um cachorro que participa ativamente dos combates. Cada unidade atua durante o turno, e a composição do grupo faz muita diferença no resultado das batalhas.
Um dos sistemas mais interessantes é o friendly fire. Posicionamento errado não significa apenas perder eficiência, mas pode causar dano direto aos seus próprios aliados. Isso transforma cada movimento em uma escolha calculada, principalmente em mapas menores e mais fechados.

O cristal é o personagem mais importante da equipe. Ele possui habilidades de telecinese, permitindo mover objetos do cenário, empurrar inimigos e até arremessar armadilhas diretamente contra os adversários. Esse sistema abre espaço para combinações inteligentes e situações emergentes, como usar o ambiente ao seu favor em vez de apenas atacar diretamente.
A movimentação dos personagens, porém, não é das mais refinadas. Ela pode parecer um pouco dura e menos fluida do que o ideal, especialmente para quem vem de jogos de turno mais polidos nesse aspecto. Ainda assim, isso não compromete o funcionamento do combate como um todo.

O avanço pelo jogo acontece através de um mapa onde o jogador pode escolher seu próprio caminho. É possível optar por trajetos mais curtos e seguros ou caminhos mais longos e difíceis, que oferecem recompensas melhores, mas também maiores riscos. Ao longo dessas rotas, podemos encontrar emboscadas, tesouros, eventos inesperados e desafios opcionais.
Cada área do mapa funciona quase como um pequeno tabuleiro desenhado à mão, com poucos elementos de movimentação, mas bem posicionados. Isso reforça a importância do posicionamento tático durante os confrontos.
Após cada combate, o jogador pode escolher upgrades para seus personagens, fortalecendo habilidades ou ajustando a estratégia da equipe. Também é possível obter recompensas como moedas, itens valiosos e comida, que é essencial para recuperar vida durante a jornada.
Assim como em Darkest Dungeon, o jogo permite descansar em acampamentos entre batalhas. Nesses momentos, usamos as provisões carregadas pelos personagens para recuperar vida e se preparar para os próximos confrontos. Saber quando avançar e quando descansar é parte fundamental da sobrevivência.
Durante a exploração, encontramos lojas espalhadas pelo mapa. Nelas, podemos vender itens, comprar armas, equipamentos, roupas, ervas e comida para os acampamentos. A gestão desses recursos é crucial, já que decisões erradas podem deixar o grupo despreparado para encontros futuros.
O jogo constantemente coloca o jogador diante de escolhas difíceis, forçando a equilibrar risco, economia e sobrevivência.
Entre os maiores desafios de Blightstone estão os mini chefes e chefes principais. Esses inimigos são significativamente mais poderosos e exigem domínio das mecânicas do jogo. Guerreiros extremamente fortes e criaturas perigosas surgem pelo caminho para testar tudo o que o jogador aprendeu até ali.
Ao final de cada mapa, enfrentamos chefes complexos, como Karantos, que possuem habilidades únicas e exigem estratégias específicas. Esses combates deixam claro que Blightstone não é um jogo para ser vencido na força bruta. Experiência e entendimento do sistema fazem toda a diferença.
Existe ainda uma regra implacável. Se o cristal for destruído, a partida acaba imediatamente. Não há segunda chance, o que reforça o peso das decisões e o cuidado necessário em cada turno.
VISUAIS E SOM
Visualmente, Blightstone cumpre bem seu papel. O estilo artístico é funcional e coerente com a proposta, embora as animações dos personagens deixem um pouco a desejar. Elas são simples e não tão expressivas quanto poderiam ser, mas não chegam a comprometer a leitura das ações em combate.

O foco claramente está na jogabilidade e na estratégia, não no espetáculo visual.
TRAILER OFFICIAL
RESUMO
Blightstone é um jogo muito bem pensado, que bebe de fontes conhecidas do gênero, como Darkest Dungeon, mas adapta essas ideias para uma experiência própria de roguelike por turnos. Ele recompensa jogadores atentos, curiosos e dispostos a aprender com os erros.
Mesmo com pequenas limitações técnicas e animações modestas, o jogo se destaca pela criatividade de seus sistemas, especialmente o uso da telecinese e do ambiente como ferramenta de combate. É uma ótima pedida tanto para quem quer iniciar no gênero quanto para quem já busca algo mais profundo e desafiador.
Blightstone não tenta agradar a todos, mas para quem entra no ritmo dele, a experiência é intensa, estratégica e extremamente recompensadora.
Review by Gamertag: Scoulz




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