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Review: Disciples: Domination

Uma guerra estratégica guiada por escolhas, onde cada classe e cada posicionamento moldam o destino do campo de batalha



A chegada de Disciples: Domination marca um retorno ambicioso a uma das identidades mais densas da fantasia estratégica. Ele constrói sua experiência sobre escolhas estruturais, combate tático rigoroso e um mundo que já nasce em ruínas.



HISTÓRIA


Disciples: Domination se apoia fortemente no legado da franquia Disciples, mantendo o tom sombrio, estratégico e narrativamente denso que sempre caracterizou a série. O jogo se insere em um universo marcado por conflitos entre forças divinas, demoníacas e primais, preservando a identidade clássica sem simplificar sua construção de mundo.

A narrativa não é excessivamente expositiva, mas se desenvolve através de diálogos frequentes e bem escritos. Existe uma direção clara em dar peso às interações entre personagens e à jornada do grupo, incluindo quests principais, quests de companheiros e missões secundárias bem organizadas.



Um detalhe curioso é a forma como os diálogos são apresentados. Ao iniciar uma conversa, o jogo transporta o jogador para uma espécie de espaço narrativo separado do mapa ativo, o que pode causar uma leve estranheza nas primeiras horas, mas reforça o foco na narrativa e na construção dos personagens ao longo da campanha.

Dentro da estrutura da franquia, Domination segue a filosofia clássica da série: progressão metódica, decisões estratégicas com consequências reais e um mundo que não se adapta ao jogador de forma automática. Essa abordagem o mantém fiel às raízes táticas que diferenciam Disciples de outros RPGs estratégicos mais acelerados.




GAMEPLAY


Disciples: Domination trabalha com uma base tática extremamente sólida, centrada em combate por turno em grid e tomada de decisão constante. Cada batalha funciona quase como um tabuleiro estratégico, onde posicionamento, leitura do cenário e formação inicial do grupo têm impacto direto no resultado do confronto. Antes mesmo do combate começar, é possível organizar a linha de frente e retaguarda, colocando personagens mais resistentes na frente e unidades frágeis protegidas atrás, o que já define o ritmo da luta desde o primeiro turno.


Cada personagem possui resistências, fraquezas e um estilo próprio de uso, além de acesso a árvore de habilidades e equipamentos que expandem ainda mais as possibilidades estratégicas. O jogo também introduz companions ao longo da jornada, cada um com funções distintas dentro do grupo, reforçando a construção tática e a sinergia entre unidades.


O campo de batalha é dinâmico e interativo. Existem áreas que causam dano, zonas de cura e obstáculos que podem ajudar ou atrapalhar durante os confrontos. Também é possível empurrar inimigos, usar o cenário a favor da estratégia e explorar flancos, já que ataques pelas costas causam dano adicional. Um detalhe extremamente relevante é o friendly fire massivo. Habilidades em área atingem aliados e inimigos, o que obriga o jogador a pensar cuidadosamente antes de cada ação.



Os combates tendem a ser mais longos, principalmente nas seções iniciais, mas isso não soa como lentidão gratuita. Existe um foco claro em estratégia deliberada, onde decisões precipitadas são punidas e planejamento é recompensado. Não é um jogo feito para limpar batalhas rapidamente, e sim para vencer através de posicionamento, leitura e adaptação.


Fora das batalhas, a exploração é muito bem trabalhada, com áreas externas caprichadas e até o uso de montaria em determinados trechos, o que melhora o ritmo da jornada. O sistema de progressão também se apoia em diversos recursos como ouro, ferro, madeira, fluxo arcano, essência de vida, essência primal e essência demoníaca, reforçando a sensação de construção estratégica ao longo da campanha.

A escolha da classe inicial é um dos pilares mais importantes da experiência.


Cada classe define habilidades únicas e influencia diretamente o estilo de jogo do protagonista, podendo seguir caminhos físicos, primais, divinos ou demoníacos. Essas vertentes ainda contam com duas árvores de habilidades distintas, ampliando bastante a variedade de builds possíveis e permitindo uma personalização mais profunda do personagem principal.




VISUAIS E SOM


A direção artística aposta em um estilo sombrio e consistente com o universo da franquia, especialmente nas áreas externas, que são extremamente bem detalhadas e bem construídas visualmente. O mundo transmite uma sensação constante de tensão e conflito, alinhada com a proposta narrativa do jogo.


Os personagens principais possuem boa presença visual, embora em alguns momentos personagens secundários possam apresentar pequenas inconsistências em texturas durante diálogos recorrentes. Ainda assim, o conjunto artístico permanece coeso e funcional dentro da proposta estratégica e narrativa.


A ambientação sonora acompanha bem o ritmo tático do jogo, reforçando a sensação de peso nas batalhas e o clima denso da exploração. Não há exageros na trilha, o que favorece a concentração durante combates mais longos e estratégicos.




ACHIEVEMENTS


A lista de conquistas acompanha diretamente a progressão da campanha, o recrutamento de companheiros, a evolução da protagonista e a conclusão de objetivos principais e secundários. Elas funcionam como um reflexo natural da jornada, premiando avanço de capítulos, fortalecimento do grupo, desbloqueio de habilidades e desenvolvimento de sistemas, sem exigir desvios artificiais da experiência principal.

Há um foco claro nas mecânicas táticas.


Conquistas relacionadas à exploração de fraquezas, uso inteligente do posicionamento em grid, interações entre unidades e domínio de habilidades reforçam que o jogo valoriza estratégia e leitura de campo. Também existem metas ligadas a crafting, personalização, reputação com facções e resolução de crises, incentivando o jogador a explorar todas as camadas do sistema.



As exigências mais extensas envolvem completar regiões inteiras, resolver múltiplas crises em uma única campanha e vivenciar todos os eventos de combate, o que amplia o tempo de jogo de forma orgânica. Não há desafios baseados em limite de tempo ou coletáveis massivos escondidos de maneira artificial, mantendo o foco no domínio real das mecânicas e na exploração completa do conteúdo.


Essas conquistas reforçam o foco narrativo e simbólico do jogo, funcionando como marcadores de avanço e pequenas histórias paralelas que se conectam ao tema maior da jornada de Ro. Apesar de curtas em quantidade, elas exigem exploração completa das regiões e envolvem puzzles, interações específicas e batalhas decisivas, o que as torna desafiadoras e nada triviais.


TRAILER OFFICIAL


RESUMO


Disciples: Domination é uma experiência tática densa, estratégica e deliberadamente metódica. O foco em posicionamento, formação de grupo, gerenciamento de recursos e leitura do campo de batalha cria uma jogabilidade que recompensa planejamento acima de tudo.


Os combates mais longos, o friendly fire significativo e a necessidade constante de análise estratégica deixam claro que não se trata de um jogo voltado para ação rápida, mas sim para decisões calculadas e construção cuidadosa de equipe. Somado a isso, a forte ligação com o legado da franquia reforça sua identidade e respeito às raízes do gênero.


Entre narrativa consistente, progressão estratégica e um sistema de combate que exige atenção real do jogador, o jogo se estabelece como uma experiência sólida para quem busca profundidade tática e um RPG estratégico que valoriza escolhas, posicionamento e construção de build ao longo da jornada.


Review by Gamertag: Scoulz


SCORE: 82/100



 
 
 

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