Review: Echoes of Aincrad
- @brunosbom
- há 2 dias
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Uma adaptação que recria com fidelidade um dos mundos mais marcantes dos animes.

Sword Art Online sempre teve uma premissa que parecia perfeita para os videogames: viver dentro de um MMORPG onde cada batalha, evolução e escolha fazem parte de uma jornada de sobrevivência. Echoes of Aincrad aproveita justamente essa ideia ao colocar o jogador dentro do universo de Aincrad, permitindo criar seu próprio personagem e acompanhar os acontecimentos iniciais da franquia por uma nova perspectiva.
Diferente das adaptações anteriores, aqui a aventura não é focada apenas em Kirito. Personagens conhecidos como Asuna, Argo e o próprio protagonista continuam presentes, mas o jogador assume o papel de mais um sobrevivente preso dentro do jogo, tentando evoluir e encontrar seu caminho naquele mundo.
O começo da campanha, porém, demora para mostrar todo o potencial da experiência. O prólogo coloca o jogador durante bastante tempo em ambientes fechados, funcionando praticamente como um grande tutorial enquanto apresenta as principais mecânicas. A decisão combina com a sensação inicial dos jogadores presos em Aincrad, mas acaba atrasando o momento em que o jogo realmente mostra suas melhores qualidades.
Quando finalmente deixamos essa estrutura inicial para trás e exploramos as áreas abertas, cidades e paisagens do mundo, fica mais fácil entender a proposta de Echoes of Aincrad: transformar um dos cenários mais marcantes dos animes em um lugar onde o jogador pode realmente construir sua própria jornada.
GAMEPLAY
O combate de Echoes of Aincrad segue uma estrutura simples, mas que combina bastante com a proposta da franquia. O jogador conta com ataques básicos, defesa, esquiva e habilidades especiais inspiradas nas Sword Skills do anime. Não existe uma tentativa de criar um sistema extremamente complexo, mas as batalhas conseguem transmitir bem a sensação de estar utilizando técnicas dentro de um MMORPG.
O principal elemento das lutas está nos ataques combinados com os Companions. Durante praticamente toda a campanha, utilizar corretamente as habilidades dos aliados é uma das formas mais eficientes de causar dano e controlar os confrontos. É uma mecânica simples, mas funciona bem dentro da proposta do jogo.
A evolução dos equipamentos também segue uma direção interessante. O jogo entrega constantemente novos itens após derrotar monstros e chefes, permitindo utilizar equipamentos antigos para fortalecer os atuais. Essa escolha evita aquela sensação comum em RPGs onde o jogador passa horas esperando um único item aparecer.

A exploração utiliza mapas semiabertos que vão sendo revelados conforme avançamos por pontos específicos das regiões. A estrutura funciona bem, mas em alguns momentos o tamanho das áreas parece maior do que a quantidade de atividades disponíveis. Existe uma sensação de repetição principalmente quando inimigos, objetivos e caminhos começam a se repetir com frequência.
A Caverna da Lágrima é um dos melhores exemplos desse problema. Visualmente, a dungeon possui uma ambientação interessante, com iluminação bem trabalhada e cenários que conseguem transmitir uma boa atmosfera. Porém, o design dos caminhos é confuso e a repetição de estruturas semelhantes acaba tornando a exploração menos interessante do que poderia ser.

A personalização também oferece uma boa liberdade para adaptar a experiência ao estilo de cada jogador. Conforme o personagem evolui, novos pontos de atributo podem ser distribuídos para fortalecer diferentes características, enquanto a variedade de armas, equipamentos e habilidades permite criar builds voltadas para abordagens mais ofensivas, defensivas ou equilibradas. Não chega a oferecer a profundidade de grandes MMORPGs, mas entrega opções suficientes para que a progressão tenha um toque mais pessoal e incentive experimentar diferentes formas de combate.
Um detalhe curioso é a forma como o jogo apresenta a criação do personagem. Em vez de acontecer logo no início, ela aparece depois de algumas horas de campanha, algo diferente do padrão encontrado na maioria dos RPGs. Dentro da narrativa isso funciona, mas para quem espera personalizar seu personagem desde o primeiro minuto pode causar estranhamento.
VISUAIS E SOM
Um dos maiores destaques de Echoes of Aincrad está na forma como o jogo recria o mundo de Sword Art Online. Depois de passar pelo início mais limitado visualmente, as áreas abertas mostram uma direção de arte muito mais inspirada, principalmente na construção das cidades e dos cenários naturais. A Cidade dos Começos é um dos melhores exemplos disso, apresentando um design que transmite bem a sensação de estar dentro de um MMORPG vivo, com uma arquitetura que remete diretamente ao universo do anime.
As cavernas também mostram um cuidado interessante na ambientação. Mesmo quando o design dos caminhos não é dos mais eficientes, existe uma preocupação clara em criar espaços visualmente marcantes, utilizando diferentes iluminações e elementos no cenário para evitar que tudo pareça apenas uma sequência de corredores iguais. É um contraste curioso, já que algumas dessas áreas são bonitas de observar, mas pouco confortáveis de explorar.

Tecnicamente, o jogo apresenta um ótimo desempenho no Xbox Series X. Tanto o modo qualidade quanto o modo desempenho conseguem entregar uma experiência bastante estável, mas o modo desempenho chama atenção pela fluidez alcançada durante a exploração e os combates. Mesmo em áreas maiores, a sensação é de uma aventura consistente, sem quedas perceptíveis que prejudiquem a experiência.
Apesar da qualidade geral das texturas e dos cenários, alguns detalhes poderiam receber mais atenção.
A iluminação em determinados momentos não acompanha o mesmo nível do restante da produção, principalmente em relação ao sombreamento dos personagens principais e dos NPCs. São pequenos problemas que não comprometem a experiência, mas acabam destacando uma diferença entre a qualidade dos ambientes e dos modelos.
Na parte sonora, a escolha de oferecer áudio em japonês e inglês é uma decisão acertada, principalmente para um jogo baseado em uma franquia de anime.
A dublagem japonesa combina melhor com a identidade de Sword Art Online e ajuda a manter a conexão com a obra original. A abertura musical também merece destaque, trazendo uma composição que combina bastante com o clima de aventura e reforça a sensação de estar entrando novamente no universo de Aincrad.
ACHIEVEMENTS
A lista de conquistas de Sword Art Online: Echoes of Aincrad segue uma estrutura bastante tradicional para um RPG, dividindo seus objetivos entre progressão da história, evolução do personagem, exploração e aprimoramento de equipamentos. Existem conquistas relacionadas a visitar as principais cidades de Aincrad, como a Cidade dos Começos, Horunka, Tolbana e Urbus, além de objetivos ligados aos companheiros, permitindo formar parceria com personagens conhecidos da franquia como Kirito, Asuna, Agil, Silica, Lisbeth e Klein.

Também existem diversos objetivos voltados para quem pretende explorar todos os sistemas do jogo, como coletar diferentes tipos de armas e equipamentos, desbloquear habilidades de espada, melhorar armas até o nível máximo, completar bancos de dados de monstros e personagens, derrotar chefes e alcançar níveis elevados. A conquista de platina, chamada Nameless Hero, exige naturalmente completar todos esses desafios, funcionando como um incentivo para quem deseja extrair tudo que Aincrad tem a oferecer.
Apesar de funcional e bem distribuída entre os diferentes aspectos da experiência, achei a lista de conquistas pouco criativa. Grande parte dos objetivos segue padrões já conhecidos em outros RPGs, como visitar locais específicos, acumular dinheiro, derrotar uma quantidade determinada de inimigos ou coletar equipamentos. Ela cumpre bem o papel de acompanhar a jornada do jogador, mas poderia ter aproveitado melhor momentos únicos de Sword Art Online, criando desafios mais relacionados à fantasia de estar preso em Aincrad ou referências mais marcantes para os fãs da franquia.
TRAILER OFFICIAL
RESUMO
Echoes of Aincrad possui uma das propostas mais interessantes já apresentadas pela franquia nos videogames. A possibilidade de criar seu próprio personagem e explorar Aincrad como mais um jogador preso naquele mundo é exatamente a fantasia que muitos fãs tiveram desde o começo do anime.
O jogo acerta principalmente quando deixa o jogador explorar seus cenários, conhecer suas cidades e sentir que aquele universo possui uma estrutura própria. A recriação de Aincrad, as referências ao anime e a presença de personagens conhecidos mostram um cuidado especial com quem acompanha a franquia há anos.
Porém, algumas escolhas impedem que a experiência seja ainda melhor. O início extremamente prolongado, a repetição de algumas atividades, o design irregular de determinadas áreas e uma exploração que nem sempre acompanha a qualidade visual dos cenários acabam diminuindo o ritmo da aventura.
Mesmo com esses problemas, existe algo especial em finalmente poder caminhar por Aincrad, evoluir seu personagem e participar de uma jornada que antes existia apenas na tela do anime. Echoes of Aincrad entrega uma experiência que respeita a essência de Sword Art Online e oferece aos fãs a oportunidade de enxergar esse mundo por uma nova perspectiva.
É uma aventura que poderia ter alcançado um nível ainda maior com alguns ajustes de ritmo e variedade, mas que ainda representa uma das adaptações mais próximas daquilo que muitos jogadores imaginaram quando conheceram Aincrad pela primeira vez.
Nota: 7.6/10
Review by Gamertag: Scoulz




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