Review: Ascend to ZERO
- @brunosbom
- há 2 dias
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Cada segundo importa quando o próprio tempo é seu maior inimigo.

Em poucos minutos de jogo ficou claro que Ascend to ZERO não queria ser apenas mais um roguelike inspirado em Vampire Survivors. A estrutura básica até lembra outros jogos do gênero, com centenas de inimigos ocupando a tela, melhorias constantes e aquele ciclo viciante de "só mais uma tentativa". A diferença é que existe um elemento capaz de mudar completamente a forma como encaramos cada partida: o tempo.
Aqui, o relógio não serve apenas para medir quanto tempo sobrevivemos. Ele representa praticamente tudo. Nossa permanência em cada corrida depende dele, o progresso da fase está diretamente ligado aos segundos restantes e cada decisão precisa ser tomada rapidamente para não desperdiçar um recurso que vale tanto quanto a própria vida.
A história acompanha a Chrono Child, uma jovem enviada através do tempo após um experimento científico resultar na destruição da humanidade por uma invasão de máquinas. Sozinha em um futuro devastado, sua missão é voltar ao passado e impedir que essa tragédia aconteça. Apesar de existir uma narrativa por trás da campanha, ela funciona principalmente como um contexto para justificar a mecânica de manipulação temporal, que acaba sendo o verdadeiro protagonista da experiência.
GAMEPLAY
A estrutura das corridas lembra bastante outros survivor likes. Nosso personagem ataca automaticamente enquanto caminhamos pelo cenário derrotando grandes grupos de inimigos, coletando experiência e escolhendo novas habilidades conforme evoluímos.
Mesmo assim, o jogo adiciona algumas ações que dependem diretamente do jogador. Além da movimentação, controlamos manualmente o dash e uma poderosa explosão que pode mudar completamente o rumo de uma batalha quando utilizada no momento certo.
Mas a grande sacada está justamente na manipulação do tempo. Podemos congelar completamente o cenário, reposicionar nosso personagem, escapar de ataques ou simplesmente preparar uma explosão devastadora antes de fazer o relógio voltar a correr. Essa mecânica muda completamente a dinâmica das partidas. Em vez de apenas sobreviver aos inimigos, estamos constantemente preocupados com dois fatores igualmente importantes: eliminar ameaças rapidamente e administrar os segundos restantes.

Essa preocupação constante acabou criando uma sensação de urgência muito interessante. Em vários momentos eu deixava de perseguir determinados grupos de inimigos apenas porque precisava recuperar tempo antes que a corrida terminasse. Isso faz com que praticamente todas as decisões tenham peso, algo que diferencia Ascend to ZERO de boa parte dos roguelikes atuais.
Conforme avançamos, também desbloqueamos melhorias permanentes antes de iniciar uma nova tentativa. É possível aumentar o tempo inicial disponível, começar em níveis mais altos e fortalecer diversos atributos do personagem. Essa progressão faz bastante diferença, principalmente nas primeiras horas, tornando cada nova corrida um pouco menos punitiva que a anterior.

Por outro lado, existe um aspecto que considero um dos poucos pontos negativos da experiência. O jogo apresenta uma quantidade muito grande de NPCs responsáveis por sistemas diferentes de evolução, além de diversas moedas específicas para upgrades distintos. Em determinados momentos, entender onde investir recursos acaba sendo mais trabalhoso do que a própria corrida. Uma estrutura mais unificada provavelmente tornaria toda essa progressão muito mais intuitiva, especialmente para novos jogadores.
Felizmente, essa sensação diminui conforme acumulamos horas de jogo. Aos poucos vamos compreendendo melhor cada sistema e percebendo como todos eles se conectam. A evolução deixa de parecer confusa e passa a oferecer uma boa sensação de crescimento, principalmente quando nossas primeiras corridas, antes limitadas por poucos segundos, começam a durar muito mais graças aos upgrades conquistados.
HISTÓRIA
Ascend to ZERO constrói sua narrativa em torno de uma ficção científica envolvendo viagens temporais, inteligência artificial e o colapso da humanidade. Após um experimento fracassado abrir caminho para uma invasão de máquinas, resta apenas uma alternativa: enviar a Chrono Child para alterar os acontecimentos antes que o desastre aconteça.
A história não ocupa grande parte do tempo durante as corridas, mas aparece em diálogos, encontros com personagens e momentos específicos da campanha. É suficiente para dar contexto às missões sem interromper o ritmo acelerado do jogo, mantendo o foco sempre na progressão e na constante sensação de urgência criada pelo cronômetro.
VISUAIS E SOM
Visualmente, Ascend to ZERO impressiona bastante. As animações possuem um nível de acabamento acima da média para o gênero, tanto durante os combates quanto nas interações com os NPCs espalhados pela base. Explosões, habilidades e efeitos de partículas deixam a ação bastante dinâmica, principalmente quando dezenas de inimigos ocupam a tela simultaneamente.

A direção de arte também merece elogios por combinar pixel art detalhada com efeitos modernos de iluminação, criando cenários futuristas que reforçam muito bem a temática da viagem no tempo e da destruição tecnológica. Mesmo nos momentos de maior caos visual, a leitura da ação continua bastante confortável.
A trilha sonora acompanha bem esse ritmo acelerado, utilizando músicas que aumentam a tensão das corridas sem competir com os efeitos sonoros das habilidades. As explosões, ataques especiais e efeitos relacionados à manipulação temporal possuem um ótimo impacto, contribuindo bastante para transmitir a sensação de poder conforme nossa build evolui.
ACHIEVEMENTS
A lista de conquistas de Ascend to ZERO acompanha muito bem o ciclo de progressão do jogo e incentiva o jogador a explorar praticamente todos os seus sistemas. Além dos objetivos ligados ao avanço da campanha, há desafios relacionados ao resgate de personagens, evolução permanente, desbloqueio de equipamentos, melhorias do Avatar, experimentação de diferentes armas e utilização das habilidades exclusivas de cada classe. Também existem conquistas voltadas para mecânicas específicas, como gerenciamento de recursos, aprimoramento de itens e exploração dos diversos modos de jogo, fazendo com que boa parte do conteúdo opcional tenha um propósito além da simples curiosidade.

Para quem busca completar os 100%, a jornada promete ser bastante longa. A lista inclui desafios de dificuldade elevada, objetivos voltados aos níveis mais altos, domínio das mecânicas de combate, conclusão de conteúdos avançados e até algumas conquistas curiosas que recompensam situações inesperadas durante as partidas. O lado positivo é que a progressão acontece de forma bastante natural conforme entendemos melhor todos os sistemas do jogo, tornando a busca pelas conquistas uma extensão da própria evolução do jogador, em vez de uma sequência de tarefas repetitivas ou desconectadas da experiência principal.
TRAILER OFFICIAL
RESUMO
Ascend to ZERO encontra uma identidade própria ao transformar o tempo na mecânica mais importante de toda a experiência. Enquanto muitos roguelikes concentram toda a estratégia apenas na construção da build, aqui cada segundo influencia diretamente as decisões tomadas durante as corridas, criando uma tensão constante que permanece do início ao fim.
Embora a quantidade de sistemas de evolução e moedas diferentes torne as primeiras horas um pouco confusas, essa complexidade passa a fazer mais sentido conforme avançamos e entendemos como cada melhoria interfere nas próximas tentativas. Quando isso acontece, o ciclo de progressão se torna bastante recompensador.
Com uma direção de arte muito bonita, animações extremamente bem produzidas, combate divertido e uma proposta que realmente consegue se diferenciar dentro de um gênero bastante competitivo, Ascend to ZERO estreia como uma excelente opção para quem procura um roguelike que vá além da simples sobrevivência contra hordas de inimigos.
Nota: 7.5/10
Review by Gamertag: Scoulz




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