Review: Silver Pines

Sua investigação está prestes a ficar sombria.
O JOGO
Silver Pines é um jogo de horror e sobrevivência metroidvania desenvolvido pela Wych Elm e distribuído pela Team17. Com o objetivo de encontrar o desaparecido músico Eddie Velvet, o detetive particular Red Walker vai até Silver Pines, uma pequena cidade nos Estados Unidos da América que está praticamente vazia, pois um alerta climático severo foi acionado e todos ali evacuaram a cidade. Procurando e seguindo pistas do paradeiro de Eddie Velvet, Red Walker vasculha a cidade e logo percebe que algo sombrio paira sobre a cidade. Criaturas estranhas e agressivas rondam o local, dificultando a vida do detetive. Assim, ele deve investigar o caso do músico desaparecido enquanto tenta desvendar o mistério de Silver Pines, tudo isso enquanto tenta sobreviver aos perigos da cidade.

MINHAS IMPRESSÕES
A mistura de horror, sobrevivência e metroidvania não poderia ter dado mais certo como vemos em Silver Pines. Apesar de ter uma exploração relativamente simples, os elementos típicos de um metroidvania, que é voltar a locais após desbloquear ferramentas para avançar por caminhos que outrora eram impossíveis, fazem os cenários e mapa simples serem muito bem aproveitados. A escassez de recursos presente em jogos de horror e sobrevivência funcionam perfeitamente, fazendo com que o jogador saiba usar recursos na hora certa e planeje seus movimentos com cautela. O jogo tem seu ritmo mais lento, que ajuda a construir a tensão que é muito bem colocada em todo momento. A visão lateral como o jogo se apresenta poderia tirar a tensão de avançar sem saber o que vem pela frente, mas o contrário acontece, já que mesmo com essa perspectiva da câmera, tudo continua tenso e é construído para te deixar no clima de suspense e até acontecem alguns jumpscares. O que também ajuda muito na construção de tensão são os sons do jogo, que te guiam muitas vezes para saber se tem alguma coisa estranha por ali ou inimigo, mas que também deixa um som ambiente que muitas vezes te assusta e te confunde com som de inimigos, propositalmente deixando o jogador alerta o tempo todo. A arte de Silver Pines é bem bonita e estilizada, tudo em tons mais frios e cinzentos, se unindo a todos os outros fatores já citados para completar a atmosfera tensa e melancólica. O jogo está em Português-Brasil, ajudando o jogador a acompanhar a história do jogo e entender pistas para avançar.
Ainda sobre a jogabilidade, seu personagem tem um inventário, limitado a uma grade que você deve gerenciar para caber todos os itens. Não se preocupe em ficar sem espaço, pois existem armazenamentos onde você pode deixar alguns itens que julgue desnecessários no momento e pode pegá-los depois e, posteriormente, poderá aumentar o espaço de seu inventário também. Combinar itens também é possível, podendo criar itens utéis, como curas, ou consertar suas armas, que gastam ao serem usadas e podem quebrar. Como controlamos um ser humano normal e o jogo se propõe a ser pé no chão, ainda que existam criaturas bizarras, a movimentação e ação de nosso personagem pode não agradar tanto por seu jeito mais lento e bruto. Quanto a movimentação, não espera agilidade de nosso detetive, até porque o jogo não quer que você saia correndo por aí e se movimentar mais devagar faz parte da criação da tensão. Os recursos são escassos, por isso, muitas vezes você vai ter que escolher apenas evitar combate com as criaturas, usando uma esquiva para passar por dentro dos inimigos. Confesso que essa esquiva leva um tempo para acostumar, porque ela necessita de precisão para não levar um golpe no meio de sua execução. Atacar também precisa de atenção, porque não basta atacar repetidas vezes, pois os monstros revidam. Com armas de fogo, é necessário recarregar manualmente, bala por bala, o que ajuda a construir tensão e exige planejamento do jogador para não ficar sem balas. Esse realismo no jogo, apesar de ser bem interessante, pode não agradar alguns jogadores.
A história de Silver Pines te prende bastante no começo e já te mostra bem cedo que tem algo errado naquela cidade. Os puzzles são bem interessantes, se utilizando de características de metroidvania para deixar tudo ainda melhor. O jogador não pode salvar o jogo a qualquer momento, se utilizando de telefones públicos para salvar. E eles não são gratuitos, então sempre tenha pelo menos uma moeda para poder fazer uma ligação. Silver Pines consegue criar um jogo muito interessante com uma combinação incomum, mas que funciona muito bem e que com certeza vai agradar jogadores que gostam de jogos de terror e mistério.

CONQUISTAS
A separação entre os tipos de conquistas de Silver Pines são bem equilibradas. Temos conquistas que bastam o jogador jogar normalmente e completar o jogo para conseguí-las e isso já cobre quase metade do total. É bom lembrar que existem finais diferentes e, consequentemente, conquistas para cada final. Completando a outra metade do total de conquistas, temos ações específicas e coletáveis que desbloqueiam conquistas, recompensando aqueles jogadores mais curiosos e exploradores. No geral, são conquistas simples, mas que vão exigir que o jogador vá um pouco além do básico para conseguir completar 100% delas.

CONCLUSÃO
Silver Pines traz um frescor aos jogos de horror e sobrevivência, com uma nova abordagem visual e de perspectiva, mantendo as características que são padrão nesse gênero. Seu ritmo é propositalmente lento e imprescindível para construção de tensão, juntamente com o ótimo apelo sonoro e visual. A história é, inicialmente, intrigante, mas vai perdendo tração com o tempo. Os controles, ainda que tenham seu propósito para a narrativa, não me agradaram tanto, sendo um pouco frustrante em alguns momentos. A exploração e investigação, assim como os puzzles, são o ponto alto para mim. Ainda que esteja vendo tudo em terceira pessoa e numa câmera lateral que me permite ter um amplo campo de visão, você fica realmente com medo e receoso de avançar sem saber o que está vindo. Silver Pines mostra que tem como ser inovador mesmo em gêneros que parecem não precisar de novidade.






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