Review: The Lord of the Rings: War in the North™ - Legacy Edition
- @brunosbom
- há 1 hora
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Uma guerra esquecida da Terra-média finalmente ganha uma nova chance

É curioso voltar para The Lord of the Rings: War in the North tantos anos depois e perceber que ele continua sendo um daqueles jogos que parecem ter ficado escondidos atrás de lançamentos muito maiores.
A campanha acompanha Eradan, o patrulheiro Dúnedain, Farin, o anão de Erebor, e Andriel, uma Lore-master de Valfenda, enquanto os três enfrentam as forças de Agandaûr no norte da Terra-média, em uma história que acontece paralelamente aos acontecimentos de Frodo e da Sociedade do Anel. Aragorn, Gandalf, Elrond e Frodo aparecem em momentos importantes, mas a história não tenta simplesmente repetir aquilo que já conhecemos. Enquanto o Um Anel segue seu caminho para o sul, nossos personagens enfrentam uma guerra diferente, passando por regiões como Fornost, Valfenda, Ermas dos Trolls e Trevamata. É uma aventura que nunca foi de primeira linha, mas que possui identidade própria e, tantos anos depois, mostra que talvez merecesse um pouco mais de atenção na época.
GAMEPLAY
A jogabilidade mantém bastante da identidade de um jogo de ação mais antigo, principalmente pela estrutura de combate. Eradan é o personagem que utiliza espada e arco, Andriel é a elfa com conhecimentos mágicos, enquanto Farin assume o papel do anão guerreiro.
Cada um possui características próprias e habilidades específicas, permitindo que o jogador escolha qual personagem utilizar de acordo com a situação. A maga consegue revelar segredos, enquanto o anão pode destruir determinadas paredes, e essa variedade funciona muito bem durante a exploração.

O combate é um dos maiores destaques e também um dos pontos mais desafiadores. Existem momentos com dezenas de inimigos simultaneamente, alguns deles bastante resistentes, fazendo com que simplesmente avançar atacando nem sempre seja a melhor estratégia. Em algumas situações precisei explorar o cenário, procurar maneiras menos diretas de enfrentar os adversários e até aproveitar a pequena quantidade de vida recuperada passivamente para conseguir derrotar um ou dois inimigos restantes. A dificuldade, apesar de poder gerar algumas frustrações, acaba tornando os confrontos mais tensos e satisfatórios comparado a jogos modernos, principalmente quando precisamos manter os personagens unidos para sobreviver.
Cada personagem possui sua própria árvore de habilidades, com diferentes caminhos de evolução e habilidades com seus respectivos tempos de recarga. Também precisamos administrar alguns recursos, como as flechas utilizadas por Eradan. Ao realizar vários ataques sem sofrer dano, ainda podemos ativar o Modo Herói, aumentando progressivamente nosso poder ofensivo. O sistema funciona bem e oferece uma boa sensação de evolução, embora eu tenha sentido falta de uma redução na resistência de alguns inimigos, que acabam funcionando como verdadeiras esponjas de dano.

A exploração também recompensa quem se desvia do caminho principal. Existem baús escondidos pelo cenário, missões paralelas e segredos que podem ser descobertos utilizando as habilidades específicas de cada personagem. Também temos pontos de compra e salvamento e um pequeno vilarejo onde podemos interagir com NPCs, reparar equipamentos e comprar itens. As poções, porém, possuem preços bastante elevados, tornando a administração dos recursos ainda mais importante durante a aventura.
Mesmo com alguns inimigos resistentes demais, a dificuldade elevada acaba sendo um dos elementos que mais contribuem para a personalidade do jogo, especialmente para quem gosta de combates mais intensos e que exigem atenção aos recursos disponíveis.
VISUAIS E SOM
Visualmente, War in the North mostra bastante a sua idade, mas a remasterização deixa a experiência mais agradável sem descaracterizar o jogo original. Não estamos diante de um título de nova geração, naturalmente, porém os cenários, personagens e efeitos ainda conseguem transmitir bem a identidade visual inspirada nos filmes. Gostei especialmente dos efeitos de paralaxe durante os carregamentos, que dão mais vida a esses momentos, enquanto as cenas cinematográficas são bem produzidas e contam com personagens como Aragorn e Gandalf. A taxa de quadros também se mantém muito estável, próxima dos 60 FPS, algo que combina bastante com a velocidade dos combates.

No áudio, a produção mantém a atmosfera da franquia com efeitos de golpes, armas e habilidades que ajudam a dar peso aos confrontos. As cutscenes são completamente legendadas em português do Brasil, enquanto a dublagem original em inglês preserva a identidade do jogo. O mais interessante é como esses elementos visuais e sonoros trabalham junto da narrativa para reforçar a sensação de estar acompanhando uma história paralela aos acontecimentos dos filmes. Encontrar personagens conhecidos, visitar lugares como Valfenda e perceber que os eventos da nossa campanha estão acontecendo ao mesmo tempo que a jornada da Sociedade do Anel é uma das melhores formas que o jogo encontra para se conectar à trilogia sem simplesmente repetir sua história.
ACHIEVEMENTS
A lista de conquistas é uma das coisas que mais gostei em War in the North. Ela não se limita a pedir que o jogador termine a campanha e alcance determinado nível. Existem objetivos que realmente incentivam a utilização das mecânicas do jogo, como Sudden Fury, que exige três ataques críticos em dez segundos, e Relentless, que pede uma sequência de 50 golpes durante o Hero Mode. Também há conquistas relacionadas à exploração, como Seeker, que exige descobrir 25 segredos, além de objetivos ligados a equipamentos, árvores de habilidades, poções, golpes corpo a corpo, ataques à distância e diferentes formas de eliminar inimigos. Isso ajuda a fazer com que o jogador experimente sistemas que poderiam passar despercebidos durante uma campanha comum.

A variedade continua nos objetivos específicos da aventura. Há conquistas para libertar Beleram, derrotar chefes como Tharzog, Bargrisar, Wulfrun, Saenathra e Agandaûr, completar missões, utilizar máquinas de guerra, equipar conjuntos completos de armadura e alcançar níveis específicos.
Mas infelizmente também existem desafios ligados às dificuldades Normal, Heroic e Legendary, incluindo Against All Odds, que exige terminar a campanha na dificuldade Legendary.
Para quem gosta de completar jogos, existe bastante coisa para fazer depois da primeira campanha, e algumas conquistas combinam diretamente com aquilo que torna o gameplay interessante, como o uso das árvores de habilidades, exploração e gerenciamento dos diferentes personagens.
TRAILER OFFICIAL
RESUMO
Os problemas são difíceis de ignorar, principalmente quando o jogo força o jogador a atravessar novamente grandes distâncias porque uma área ficou bloqueada ou porque determinados inimigos simplesmente não apareceram. A inteligência artificial dos aliados também poderia ser melhor, e a área de presença exagerada deles atrapalha a movimentação em alguns momentos. O uso de poções é quase inútil já que é mais fácil morrer e ser ressuscitado, enquanto certos inimigos possuem uma quantidade de vida que transforma confrontos que deveriam ser intensos em batalhas prolongadas. São problemas que não destruíram minha experiência, mas são justamente os pontos em que esta versão poderia ter ido além de simplesmente preservar o jogo.
Ainda assim, quanto mais eu avançava, mais fácil ficou entender por que War in the North conquistou seu público na época. O combate é pesado, as três classes possuem diferenças reais, as árvores de habilidades têm utilidade prática e a possibilidade de alternar entre Farin, Andriel e Eradan acrescenta uma camada interessante à campanha. A exploração também recompensa quem presta atenção, seja encontrando baús escondidos, revelando segredos com Andriel ou utilizando as características específicas de cada personagem. Até Beleram, o Grande Águia, funciona como uma ferramenta de combate bastante poderosa, podendo ser convocado para ataques aéreos contra inimigos específicos.
Por isso, acho injusto tratar War in the North como simplesmente um jogo ruim que dá a volta a ponto de ser bom, mas sim que ele é um jogo bom que acabou ficando em uma posição complicada, cercado por lançamentos com mecânicas semelhantes. Para quem está sentindo falta de um novo jogo de O Senhor dos Anéis, especialmente depois de Shadow of War, esta nova oportunidade de conhecer a aventura de Eradan, Farin e Andriel faz bastante sentido. Há imperfeições, há momentos em que a idade aparece claramente e existem decisões que eu mudaria sem pensar duas vezes, mas também existe aqui um RPG de ação divertido, difícil e cheio de sistemas que ainda funcionam muito bem.
Nota: 7.8/10
Review by Gamertag: SCOULZ




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