Review: Call of Duty®: Modern Warfare® 4
Uma campanha marcante, um multiplayer viciante e muitas novidades

Call of Duty: Modern Warfare 4 chega com uma campanha que coloca a Coreia do Sul no centro de uma invasão norte-coreana, enquanto o Capitão Price conduz operações clandestinas longe dos canais oficiais. São duas perspectivas que dão à narrativa um tom militar mais pé no chão, sem abandonar as sequências cinematográficas que ajudaram a definir a identidade de Modern Warfare. Depois dos caminhos bastante diferentes explorados por Black Ops, senti falta justamente dessa abordagem mais próxima dos conflitos militares que marcaram a franquia.
A experiência também vai além da campanha. O multiplayer apresenta mudanças na movimentação, no combate e na interface, enquanto a DMZ aposta em uma estrutura de extração com progressão própria, gerenciamento de operadores e melhorias que acompanham o jogador entre as incursões. São três modos com propostas distintas, e o que mais me chamou a atenção foi perceber como cada um tem seus próprios motivos para continuar jogando.
CAMPANHA
A apresentação da Coreia do Sul começa com jovens recrutas desembarcando na cidade, em uma sequência visualmente impressionante. As expressões faciais dos soldados e dos integrantes do nosso esquadrão chamam a atenção desde os primeiros minutos, dando mais personalidade aos personagens. A narrativa também estabelece rapidamente a existência de um novo líder supremo da Coreia do Norte e os acontecimentos que levam à invasão. Gostei particularmente de uma interação em que meu aliado demonstrou irritação porque eu estava quieto demais. É um detalhe pequeno, mas esse tipo de reação ajuda a dar mais vida aos diálogos e mostra como as respostas do jogador podem influenciar determinadas interações.

A alternância entre os soldados sul-coreanos e as operações do Capitão Price permite acompanhar o conflito por perspectivas bastante diferentes. Enquanto uma parte da campanha se concentra na sobrevivência durante a invasão, as missões de Price retomam elementos dos capítulos anteriores e apostam em operações clandestinas. Em uma delas, precisamos procurar uma mulher em uma boate, em uma sequência que parece diretamente tirada de um filme de John Wick. A apresentação visual também impressiona, com cenas pré-renderizadas que poderiam facilmente ser confundidas com trechos de um filme de espionagem. Já Stranded muda completamente o ritmo ao apresentar uma área mais aberta, repleta de objetivos e coletáveis. Gostei da possibilidade de explorar o cenário com mais liberdade, embora essa estrutura possa interromper o ritmo para quem prefere uma campanha mais linear.

Meu destaque fica para Comunicação Cortada, uma das missões mais interessantes e intensas que experimentei em toda a franquia. Alternar entre Ghost e Price enquanto praticamente toda a sequência acontece sob visão noturna cria uma atmosfera muito particular, e a trilha sonora é fantástica. Existe também um peso emocional que ganha força para quem acompanha Call of Duty há muitos anos, principalmente pela maneira como a missão utiliza personagens conhecidos e o contexto da franquia. No conjunto, considero que a campanha encontra um tom que Modern Warfare precisava recuperar. A combinação de conflitos militares, operações clandestinas e momentos cinematográficos funciona muito bem, sem depender de exageros constantes para manter a intensidade.
MULTIPLAYER

Para quem passou muito tempo jogando Black Ops, a diferença no Time to Kill, o tempo necessário para eliminar um adversário, é bastante perceptível. Modern Warfare 4 continua frenético e movimentado, mas apresenta uma cadência diferente, com uma movimentação menos acelerada do que a dos títulos mais recentes de Black Ops. Também tive a impressão de que a equipe levou em consideração parte das críticas recebidas durante a beta. A mudança que mais me chamou a atenção, porém, está nas snipers: os disparos parecem ter muito mais impacto, valorizando bastante essa classe. Isso pode diminuir o espaço de outras categorias de armas, mas não considero necessariamente um problema. Na minha opinião, as snipers precisavam de uma valorização desse tipo, e espero que as próximas atualizações não alterem excessivamente esse equilíbrio.

A interface passou por uma reformulação que considero muito bem-vinda. Agora temos um menu lateral no lugar daquela navegação superior que ocupava boa parte da tela nos jogos anteriores, algo que sempre me incomodou. A organização está mais limpa e facilita encontrar as opções, combinando melhor com a identidade visual de Modern Warfare. A loja também apareceu mais enxuta no lançamento, com poucas opções de compra disponíveis naquele momento. No conteúdo jogável, a seleção reúne aproximadamente 20 mapas e ambientes entre os diferentes formatos, oferecendo bastante variedade para as partidas. A progressão continua familiar, com a subida até o nível máximo e a possibilidade de entrar em Prestígio para reiniciar parte da evolução em troca de recompensas. Outro ponto positivo é a busca por partidas, que tem acontecido de maneira extremamente rápida. Essa agilidade já chamava minha atenção desde a beta e, na minha experiência, está funcionando melhor do que em Black Ops 7.
Outra mudança de que gostei bastante é a possibilidade de escolher operadores diferentes para cada classe ou configuração de armamento. Posso, por exemplo, montar uma classe de sniper e associá-la a uma skin que combine com esse estilo, deixando as configurações mais personalizadas. É uma adição simples, mas que faz diferença para quem gosta de organizar seus armamentos de acordo com a maneira de jogar. Também achei significativa uma alteração nos bônus de experiência: quando ativamos XP em dobro para o ranking ou para armas, o tempo do bônus é consumido durante as partidas, em vez de continuar correndo enquanto estamos fora delas. É uma melhoria pequena, mas que respeita melhor o tempo do jogador. Somando essas mudanças à interface reformulada e à agilidade para encontrar partidas, o multiplayer se tornou uma das partes que mais gostei de jogar.
DMZ

A DMZ apresenta um conflito paralelo à guerra entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, colocando o jogador em uma experiência de extração com progressão própria. A introdução é relativamente básica, mas o modo ganha personalidade quando começamos a recrutar operadores e explorar seu lobby em terceira pessoa. Boa parte dos recursos depende do nível alcançado, então determinadas opções só ficam disponíveis conforme avançamos. O inventário lembra aquele utilizado durante a missão de área aberta da campanha, mas aparece aqui de forma muito mais expandida. Também podemos escolher diferentes tipos de mobilização, incluindo opções que permitem utilizar um helicóptero imediatamente durante a infiltração.
Essas alternativas custam moedas do jogo, enquanto a mobilização terrestre é gratuita. O lobby é bastante caprichado, e gostei do cuidado dedicado à apresentação dessa etapa de preparação, que acaba se tornando parte importante da experiência.
A dinâmica geral é divertida, embora a busca pelos tenentes possa ser bastante desafiadora. A radiação crescente é uma preocupação real, principalmente quando precisamos localizar determinados alvos em áreas mais distantes ou perigosas. Isso coloca pressão sobre o tempo disponível e obriga o jogador a avaliar se vale a pena continuar explorando ou procurar uma extração. Ao final de cada incursão, recebemos uma avaliação da operação, dinheiro e recompensas relacionadas aos itens recuperados. O modo também possui um sistema de níveis separado do multiplayer. Caso percamos um operador, podemos tentar resgatá-lo pagando uma quantidade de moedas do jogo ou dispensá-lo e começar novamente com outro personagem. Essa possibilidade dá mais peso às decisões tomadas durante as mobilizações, porque perder um operador significa lidar com as consequências para a próxima incursão.

A Base Avançada conta com uma impressora 3D que permite construir itens específicos para ajudar nos combates seguintes. Esse sistema se conecta à evolução do operador, que possui uma árvore de traços dividida entre Combatente, Batedor e Sobrevivente, além dos traços de Prestígio obtidos conforme avançamos na progressão. Levar um operador ativo ao nível de Prestígio permite continuar desenvolvendo suas habilidades e ampliar suas possibilidades em campo. Gostei da quantidade de sistemas reunidos na DMZ, principalmente porque eles criam objetivos de longo prazo para além de entrar no mapa, eliminar inimigos e extrair. A variedade de mobilizações, o gerenciamento de recursos e a possibilidade de perder ou recuperar um operador fazem com que a preparação tenha tanta importância quanto o próprio combate. É um modo que me deu motivos para continuar jogando mesmo depois de várias incursões.
VISUAIS E SOM

Visualmente, a campanha impressiona desde a apresentação dos jovens recrutas na Coreia do Sul. As expressões faciais dos personagens e a qualidade das sequências cinematográficas se destacam, com algumas cenas pré-renderizadas apresentando um nível de acabamento que chama bastante a atenção. A direção das missões também diferencia os combates convencionais das operações clandestinas de Price, especialmente em Comunicação Cortada, que utiliza a visão noturna como parte central da apresentação. A trilha sonora dessa missão merece um destaque à parte, acompanhando a alternância entre Ghost e Price e contribuindo diretamente para a intensidade dos confrontos. É um dos melhores exemplos de como a música e a ambientação podem fortalecer uma sequência sem depender apenas do espetáculo visual.
ACHIEVEMENTS

A lista de conquistas de Modern Warfare 4 decidiu inovar em relação aos antecessores. Praticamente todos os objetivos estão relacionados a situações específicas da campanha, incentivando o jogador a prestar atenção nas mecânicas e experimentar abordagens diferentes durante as missões. Achei essa decisão excepcional, porque resgata aquela sensação nostálgica dos Call of Duty da época do Xbox 360, quando as conquistas faziam parte da experiência e recompensavam ações muito específicas. Existem objetivos que exigem concluir determinadas sequências sem disparar a arma, enquanto outros pedem ações específicas durante os confrontos. São desafios que incentivam o jogador a prestar atenção no que acontece em cada missão, em vez de simplesmente acumular eliminações ou repetir partidas.
O problema é que essa escolha também deixa o multiplayer sem conquistas próprias, reduzindo o incentivo para quem gosta de completar tudo o que um jogo tem a oferecer. Acredito que Call of Duty merecia ter listas separadas para a campanha e para o multiplayer, permitindo que cada modo tivesse seus próprios objetivos. Dessa forma, seria possível manter essa abordagem nostálgica no single-player sem deixar de valorizar as horas investidas nos modos online.
Outro ponto que me incomoda é o fato de as conquistas estarem vinculadas ao lobby geral de Call of Duty, compartilhando espaço com Black Ops e outros títulos da franquia. Mesmo com a possibilidade de consultar os objetivos específicos de cada jogo, considero que cada lançamento deveria ter uma lista completamente independente. A proposta de valorizar a campanha é excelente, mas uma estrutura separada tornaria essa decisão ainda melhor, preservando a identidade de cada título e permitindo que os diferentes modos tivessem seu próprio espaço.
TRAILER OFFICIAL
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Entre os pontos que poderiam melhorar, a lista de conquistas merecia uma estrutura independente do lobby geral de Call of Duty e objetivos próprios para o multiplayer. A missão Stranded também pode quebrar o ritmo da campanha para quem prefere uma progressão mais linear, enquanto a compilação de shaders continua inconveniente por acontecer com muita frequência, inclusive após atualizações do jogo. No multiplayer, espero que o equilíbrio das snipers seja preservado sem comprometer a viabilidade das outras categorias de armas. São questões pontuais que merecem atenção, mas não diminuem o conjunto de qualidades que encontrei durante a jogatina.
A campanha recupera uma identidade militar de que eu sentia falta, com personagens marcantes e missões como Comunicação Cortada, que se destaca pela intensidade, pela trilha sonora e pelo uso da visão noturna. O multiplayer também acerta ao reformular a interface, agilizar a busca por partidas e permitir maior personalização dos operadores por classe. Já a DMZ é um dos grandes destaques do pacote, reunindo progressão própria, gerenciamento de operadores, criação de equipamentos e decisões que afetam as incursões seguintes. Cada modo tem características que justificam dedicar tempo a ele, e essa variedade é uma das maiores qualidades do jogo.
No geral, considero Modern Warfare 4 um dos jogos de Call of Duty mais completos e consistentes que já joguei. A campanha entrega momentos memoráveis, o multiplayer é extremamente divertido e a DMZ tem profundidade suficiente para manter o jogador envolvido por muitas horas. Gostei da maneira como os três modos se complementam sem perder suas próprias identidades, criando um pacote que me agradou em praticamente todas as frentes. É um dos capítulos de que mais gostei em toda a franquia e, na minha opinião, deve servir como modelo para os próximos lançamentos de Call of Duty.
Nota: 9.5/10
Review by Gamertag: SCOULZ





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