Review: Froggy Hates Snow
- @brunosbom
- 10 de jun.
- 4 min de leitura
Bonitinho por fora, brutal por dentro: a jornada gelada de um sapo contra o impossível

Froggy Hates Snow é daqueles jogos que conseguem enganar logo nos primeiros minutos. Com personagens carismáticos, visuais leves e uma direção artística quase acolhedora, a impressão inicial é a de uma aventura tranquila. Bastam alguns minutos para perceber que a realidade é bem diferente.
Inspirado pela fórmula popularizada por Vampire Survivors, o jogo aposta em uma estrutura roguelike que mistura sobrevivência, exploração, progressão permanente e combates cada vez mais intensos. No controle de um simpático sapo e seus companheiros desbloqueáveis, somos lançados em mapas congelados onde a missão é encontrar recursos, evoluir habilidades, descobrir segredos e, principalmente, sobreviver.
A combinação funciona muito bem porque o jogo não depende apenas das hordas de inimigos para criar tensão. Existe uma constante sensação de urgência. O relógio está sempre avançando, os monstros ficam mais perigosos e a busca por chaves e saídas transforma cada partida em uma corrida contra o tempo.
GAMEPLAY
A estrutura principal gira em torno da exploração dos mapas enquanto enfrentamos ondas crescentes de inimigos. Durante cada incursão, coletamos moedas e recursos que servem tanto para evolução temporária durante a partida quanto para progressão permanente fora dela.
Essa camada de progresso é um dos pontos mais fortes do jogo. Sempre existe algo novo para desbloquear, seja um personagem, uma habilidade ou melhorias que tornam futuras tentativas mais eficientes. Isso cria um ciclo extremamente viciante onde cada derrota parece contribuir para a próxima vitória.
A exploração também possui um papel importante. Não basta apenas eliminar inimigos. Os mapas escondem recursos, áreas seguras, artefatos, objetivos secundários e elementos que incentivam o jogador a se afastar da rota mais óbvia. A sensação constante é de que sempre existe algo interessante escondido em algum canto da neve.

O sistema de habilidades oferece uma boa variedade de combinações. As próprias conquistas revelam isso ao incentivar sinergias específicas entre equipamentos e poderes. É possível criar construções focadas em fogo, gelo, eletricidade, veneno ou habilidades de suporte, o que aumenta bastante a rejogabilidade.
Os personagens também merecem destaque. Cada um apresenta atributos e características próprias, oferecendo estilos de jogo distintos. Isso ajuda a manter a experiência renovada mesmo após diversas partidas.

Minha principal crítica está relacionada ao rolamento defensivo. A mecânica funciona e responde adequadamente aos comandos, mas acaba sendo mais punitiva do que deveria. Em diversas situações, realizar uma esquiva na direção errada significa sofrer dano praticamente inevitável ao encostar em um inimigo ou projétil. Um polimento adicional nessa interação poderia tornar os momentos mais caóticos menos frustrantes sem comprometer o desafio.
Ainda assim, a dificuldade é um dos grandes pilares da experiência. Cada nova área apresenta ameaças mais agressivas, exigindo domínio dos sistemas, conhecimento dos mapas e escolhas mais inteligentes durante a progressão.
VISUAIS E SOM
O maior destaque de Froggy Hates Snow está na sua apresentação visual.
Enquanto muitos jogos do gênero apostam em cenários escuros, cavernas sombrias ou ambientes carregados, aqui acontece exatamente o contrário. O mundo é dominado pelo branco da neve, criando uma identidade visual extremamente marcante.
Pode parecer um trocadilho fácil, mas os gráficos de Froggy Hates Snow são tão claros quanto a própria neve que cobre seus cenários. O jogo não tenta esconder seus segredos atrás da escuridão. A exploração acontece em ambientes amplos, iluminados e repletos de elementos visuais que chamam a atenção do jogador.

As animações são muito bem executadas, os efeitos de habilidades possuem ótima leitura durante o combate e os inimigos apresentam uma variedade visual bastante interessante. Mesmo nos momentos mais movimentados, é fácil identificar ameaças e compreender o que está acontecendo na tela.
Os personagens também possuem bastante personalidade. Cada um apresenta equipamentos, roupas e características próprias que ajudam a reforçar suas funções dentro da jogabilidade.
A ambientação sonora complementa bem a proposta. Os efeitos de combate são claros, as habilidades possuem impacto perceptível e a trilha contribui para reforçar tanto a sensação de aventura quanto a tensão dos momentos mais difíceis.
ACHIEVEMENTS
Froggy Hates Snow possui uma lista robusta de 42 conquistas que incentivam praticamente todos os sistemas do jogo.
A progressão é dividida entre exploração de locais, conclusão total das áreas, desbloqueio de personagens, evolução máxima dos heróis, aquisição de habilidades e coleta de artefatos.

As conquistas mais interessantes são aquelas que exigem combinações específicas de equipamentos e poderes durante uma partida. Elas funcionam quase como desafios internos, incentivando o jogador a experimentar diferentes estilos de construção.
Essa abordagem é inteligente porque transforma o sistema de conquistas em uma extensão natural da jogabilidade, em vez de apenas uma lista de tarefas repetitivas.
TRAILER OFFICIAL
RESUMO
Froggy Hates Snow consegue unir elementos de sobrevivência, exploração e roguelike de forma bastante competente. A progressão permanente incentiva novas tentativas, os personagens oferecem variedade suficiente para manter o interesse e os sistemas de coleta e evolução foram claramente planejados para funcionar em conjunto.
Apesar de algumas situações frustrantes envolvendo o rolamento defensivo, o restante da experiência demonstra um nível elevado de cuidado. Os mapas incentivam a curiosidade, os desafios aumentam gradualmente e as inúmeras possibilidades de construção garantem uma boa longevidade.
Somando uma direção artística extremamente marcante, ótimo uso do ambiente nevado e um ciclo de progressão constantemente recompensador, Froggy Hates Snow entrega uma aventura divertida, desafiadora e fácil de recomendar para fãs de roguelikes de sobrevivência.
Nota: 8.0/10
Review by Gamertag: Scoulz




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