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  • Review: Quarantine Zone The Last Check

    Você está infectado? O JOGO Quarantine Zone: The Last Check é um jogo de gerenciamento pós-apocalíptico desenvolvido pela Brigada Games e distribuído pela Devolver Digital. Você foi incumbido de comandar um ponto de controle de uma cidade afetada pelo caos causado por zumbis. Cabe a você decidir qual dos sobreviventes está apto para ser resgatado ou para acabar com a vida daqueles que já estão infectados pelo vírus zumbi. Usando os mais diversos recursos disponíveis, cheque todos os sobreviventes e decida o destino de cada um. Cheque os sobreviventes e procure por sinais de infecção. MINHAS IMPRESSÕES A ideia de Quarantine Zone: The Last Check é bem interessante para jogos desse gênero de liberação/proibição de passagem. Ele une mecânicas interessantes de revista e análise com um simples gerenciamento de base, com metas para serem batidas, o que dá um norte ao jogador sobre qual o objetivo pretendido e qual o desafio exigido. Gosto como o jogo não te apressa para verificar os sobreviventes, já que muitos jogos colocariam um limite de tempo para acelerar e dificultar ainda mais, porém, Quarantine Zone: The Last Check tem muitas mecânicas ao mesmo tempo que vão se somando e complicando as análises, caso ainda existisse limite de tempo, poderia ficar muito frustrante. Por isso, o jogador é livre pra demorar o quanto quiser e fazer o que bem entender no seu dia dentro do jogo. As mecânicas de análise de sobrevivente são bem variadas, com algumas sendo mais interessantes do que outras. Em particular, as que são liberadas por último são as menos interessantes, mais complicadas e chatas de se usar. É essencial fazer uso de todos os recursos de análise para que sua avaliação seja boa e você ganhe pontos de pesquisa para melhorar seus equipamentos, que vão facilitar na hora de checar se tudo está dentro dos conformes ou não. Assim que você detectar algo no sobrevivente, você pode marcar num checklist quais foram as características descobertas, assim conferindo qual o grau de periculosidade aquele sobrevivente apresenta. Se ele tiver apenas sintomas, sinais ou comportamentos de nível verde, ele está livre do vírus zumbi, portanto, pode entrar na área de sobreviventes. Se for o nível laranja, fica um alerta para aquela pessoa, que pode tanto desenvolver o vírus ou apenas se livrar daqueles sintomas, por isso, é preferível enviar esse sobrevivente para a quarentena e esperar para ver o que acontece. Você pode visitar a quarentena e reavaliar os sobreviventes que estão lá. Se ele melhorou, pode ir para a áre de sobreviventes, mas se o vírus evoluiu, bem, você logo verá o estrago. Por fim, o nível vermelho significa que aquela pessoa já não tem mais salvação, logo, você envia ela para a eliminação. O jogo está em Português-Brasil, o que facilita em aprender todas as mecânicas e entender como funcionam, já que existem bastante para aprender, ainda que simples. Você também pode enviar sobreviventes com sintomas desconhecidos para o laboratório e, em troca do sacrifício daquela pessoa, você descobre novos sintomas para identificar nos próximos sobreviventes. E esse é um ciclo básico do jogo, todo dia será assim, adicionando mecânicas conforme os dias passam, até vir o dia em que você pode enviar os sobreviventes para os cientistas e ganhar pontos de pesquisa ou mandar para o exército e ganhar dinheiro, usado para melhorar sua base. Além do ciclo de jogabilidade anteriormente citado, você tem que gerir sua base, oferecendo recursos como comida, espaço para abrigar pessoas e energia para que tudo funcione. É um sistema bem simples, mas que está ali como um adicional para fazer sentido com a temática do jogo. De tempos em tempos, hordas de zumbis atacam sua base de madrugada e você, usando um drone militar, deve impedí-los, atirando contra ondas de zumbis que aparecem e tentam destruir os muros da base. Assim como o sistema de gerir bases, esses ataques dão um respiro ao ciclo normal do jogo, como um minigame para dar uma quebrada no ritmo de um jeito legal, além de deixar tudo condizente com a temática de zumbis. O maior problema de Quarantine Zone: The Last Check é o ritmo, que ainda que seja bom nas primeiras horas de jogo, ao adicionar muitas mecânicas e nem todas serem tão divertidas ou dinâmicas como as iniciais tudo fica muito arrastado. Ainda que você possa usar pontos de pesquisa para melhorar seus equipamentos e facilitar os diagnósticos, você ainda terá que usar tudo ao seu alcance para que sua checagem seja um sucesso completo. Some isso com filas enormes de sobreviventes e você fica cansado bem rápido. No geral, é um jogo com ideias boas, com mecânicas interessantes, mas que talvez seja melhor ser jogado aos poucos para não se cansar tão rápido. Proteja sua base de ataques zumbi. CONQUISTAS Teoricamente, a maioria das conquistas de Quarantine Zone: The Last Check pode ser feita um uma única campanha, visto que muitas conquistas estão ligadas aos avanços e novas mecânicas que o jogo apresenta e também relacionada com ações específicas, como matar ratos que andam pela base ou quebrar lâmpadas. Porém, para conseguir todas as conquistas, você vai precisar de, pelo menos, duas campanhas completas, visto que você precisa fazer o final bom e o final ruim dela. Não será algo tão complicado de se fazer, mas pode levar um tempo e um certo empenho para conseguir 100% das conquistas. Mantenha sua base atualizada para acomodar melhor os sobreviventes. CONCLUSÃO Comecei Quarantine Zone: The Last Check me divertindo muito, com mecânicas novas sendo apresentadas a cada dia que começava dentro do jogo. Mecânicas simples e rápidas, que tornavam o jogo agradável de jogar. Com o passar do tempo e muito mais mecânicas sendo introduzidas, o jogo foi ficando cansativo. Os equipamentos finais são desnecessariamente chatos de manipular. Cada dia do jogo foi ficando mais arrastado e demorado de terminar. E assim fui diminuindo o ritmo de jogo e ele foi me perdendo aos poucos. Eu realmente gostei de Quarantine Zone: The Last Check, porém ele perde muito do frescor depois de seu começo. Ainda assim, é um jogo divertido e que traz elementos muito interessantes ao gênero. NOTA: 7.5/10

  • Review: Brave Escape

    Só a coordenação poderá te salvar. O JOGO Brave Escape é um jogo de plataforma cooperativo desenvolvido e distribuído pela Hit Start Studios. O explorador Colin e o robô Floyd se juntam em uma aventura onde o avanço depende da cooperação de ambos, seja com pulos precisos ou utilizando as habilidades no tempo correto. Chame um amigo ou encontre alguém online e desbrave os perigos de Brave Escape. Coordene seus movimentos para avançar. MINHAS IMPRESSÕES A primeira coisa que quero exaltar em Brave Escape é a existência do Friend's Pass. Por se tratar de um jogo que, teoricamente, você só pode jogar com a companhia de mais um jogador, existir um jeito de jogar com alguém que não possui o jogo é louvável. Pode parecer pouco, mas muitos jogos não fazem isso e exigem que mais cópias do jogo sejam compradas só para ser jogado em modo cooperativo. É inteligente fazer isso porque talvez se não existisse esse passe, nem um só jogador compraria por ter que fazer um amigo comprar também. Ainda que exista um modo de procurar outras pessoas online para jogar com você, não é a mesma coisa do que jogar com um amigo, com mais coordenação e mais intimidade. Além disso, ter que depender de ter alguém jogando na mesma hora que você e talvez não esteja tão afim ou no mesmo ritmo que você torna o jogo muito impeditivo para depender apenas desse modo de procura de jogadores online. Por isso, acho importante colocar isso como o primeiro e mais importante ponto a ser dito sobre Brave Escape. O jogo está em Português-Brasil, apesar de não ter tantos textos ou uma história tão intrigante para acompanhar. O jogo consiste em avançar em mapas temáticos usando a cooperação. Enquanto Colin usa sua corda para ajudar Floyd (e até ele mesmo) a chegarem a lugares altos, o robô pode ser usado como trampolim pelo explorador para pular mais alto, além de se adaptar de acordo com o tema do ambiente e adquirir novas mecânicas. O nível de desafio é bem alto em alguns momentos, visto que muitas vezes os jogadores precisam fazer pulos precisos e coordenados ou até temporizar ações para passar pelo desafio no tempo correto. Com muitos temas diferentes, temos mapas com eletricidade, gelo, fogo e até numa penumbra. Cada um libera uma mecânica nova para Floyd usar exclusivamente naquele mapa, o que faz com que o jogo não seja apenas uma repetição de uma mesma ideia. Passar por alguns desafios já seria difícil normalmente, mas alguns mapas tem colecionáveis que vão exigir que os jogadores façam alguns passos a mais do que deveriam para coletá-los e completar a fase. Além das fases padrão, existem fases bônus, que vão exigir ainda mais dos jogadores, com desafios muito maiores do que o normal. Brave Escape disponibiliza dois níveis de dificuldade: o padrão, que te oferece uma experiência mais tranquila, porém ainda desafiadora, e o modo Brave, que é como o jogo foi pensado, com muito mais dificuldade e exigindo que os jogadores sejam muito mais habilidosos e coordenados. Mesmo que com uma ideia e arte simples, Brave Escape traz um desafio divertido aos jogadores. Ainda que algumas fases pareçam impossíveis, a única coisa que vai te impedir de avançar é a falta de coordenação. É um jogo que te desafia do começo ao fim, com fases bem pensadas e bem construídas. Cada personagem tem sua função. CONQUISTAS Ainda que sejam trabalhosas, Brave Escape oferece conquistas simples. Além de completar todas as fases e completar o jogo, que é algo que você fará normalmente, Brave Escape também tem conquista para coletar todos os coletáveis do jogo, o que vai exigir um pouco mais de empenho dos jogadores. Como é um jogo de muito erro até acertar, conquistas relacionadas com morte dos jogadores é bem presente, sendo que existe uma conquista para morrer 5000 vezes. Também existe conquista para caso um dos jogadores cause a morte do outro com o uso de suas habilidades, que pode acontecer sem querer ou não. E se tudo isso já não der trabalho suficiente, existem duas conquistas relacionadas com as primeiras fases, que se passam na caverna antiga. Essas duas conquistas são: passar toda a caverna antiga sem morrer e terminar ela em menos de 8 minutos. Ainda que com a prática você consiga fazer esses desafios, conseguir 100% das conquistas em Brave Escape vai exigir muita paciência e coordenação entre os jogadores. Diferentes ambientes vão exigir diferentes habilidades. CONCLUSÃO Brave Escape consegue trazer grande diversão em sua simplicidade, mostrando que não precisa de grande mecânicas para um jogo ser divertido. Um jogo que necessita de duas pessoas poderia parecer proibitivo, mas o Friend's Pass foi um acerto e tanto. O desafio proposto somado ao desafio que é se coordenar com um amigo para avançar torna fases curtas em desafios justos, com uma progressão boa e que expõe que apenas a coordenação é necessária para avançar. Se você procura um jogo desafiador para jogar com um amigo, Brave Escape vai te oferecer tudo o que você quer. NOTA: 8.5/10

  • Review: EA SPORTS™ College Football 27

    Muito antes dos holofotes da NFL, o sonho começa no gramado universitário Para quem acompanha pouco futebol americano, College Football 27 pode parecer apenas uma versão alternativa de Madden NFL 27 com times universitários. Porém, essa comparação deixa de lado justamente o principal diferencial da franquia. O futebol americano universitário possui uma identidade própria nos Estados Unidos. A grande maioria dos jogadores que chegam à NFL passa pelo futebol americano universitário, onde começam suas carreiras, criam rivalidades históricas e disputam campeonatos com uma atmosfera que muitas vezes rivaliza com a liga profissional. Essa diferença também define a experiência dentro do jogo. Enquanto Madden coloca o jogador no controle de franquias profissionais e atletas já estabelecidos, College Football 27 aposta na construção de programas universitários, recrutamento de novos talentos e no desenvolvimento de jogadores que ainda estão buscando seu espaço. A proposta da EA é entregar não apenas partidas de futebol americano, mas todo o ambiente que envolve uma universidade: torcida, tradição, comissão técnica, recrutamento e a pressão por resultados. MADDEN NFL vs COLLEGE FOOTBALL Embora utilizem uma base parecida de gameplay, as duas franquias possuem objetivos diferentes. Madden NFL 27 representa o nível profissional do esporte, onde cada equipe já conta com jogadores conhecidos e uma estrutura consolidada. O foco está na disputa entre grandes franquias, administração de elencos e desempenho imediato. College Football 27 trabalha com uma realidade diferente. Aqui, o treinador precisa construir sua equipe, encontrar jovens promessas e desenvolver atletas que ainda não chegaram ao auge. Uma boa temporada não depende apenas de vencer partidas, mas também de conseguir novos talentos, melhorar a estrutura da universidade. Essa diferença faz com que College Football tenha uma experiência muito mais ligada ao gerenciamento e planejamento de longo prazo principalmente no modo Dinasty. GAMEPLAY Diferente de jogos esportivos onde a ação acontece de forma mais imediata, o futebol americano possui uma etapa fundamental antes de cada jogada: a decisão tática. Escolher uma formação, identificar espaços na defesa adversária e definir a melhor estratégia pode ser mais importante do que executar movimentos rápidos. Isso faz com que o jogo tenha uma curva de aprendizado diferente. Jogadores iniciantes podem sentir dificuldade no começo, principalmente pela quantidade de informações apresentadas, mas a experiência melhora consideravelmente quando o jogador entende como cada escolha influencia o resultado. O principal diferencial de College Football 27 está na forma como ele trata o futebol americano como um esporte de decisões. Apesar de possuir momentos de ação intensa, a partida é construída principalmente através do planejamento feito antes de cada jogada. Para quem está chegando agora ao gênero, é importante entender que uma partida não depende apenas de controlar o atleta com mais velocidade ou força. Cada lance começa com uma escolha tática: qual formação utilizar, qual jogador procurar, como a defesa adversária está posicionada e qual risco vale a pena assumir naquele momento. Essa característica faz com que College Football 27 tenha uma identidade diferente de muitos jogos esportivos. O jogador que entende melhor a estratégia pode superar alguém que possui mais habilidade nos controles, mas toma decisões menos eficientes durante a partida. Em comparação ao jogo anterior, houve ajustes no comportamento dos jogadores., novas jogadas e uma inteligência defensiva aprimorada. O resultado é uma experiência onde cada partida exige atenção constante, principalmente contra adversários mais preparados. Um dos maiores desafios de College Football 27 é justamente encontrar o equilíbrio entre acessibilidade e profundidade. O jogo oferece algumas ferramentas para ajudar quem está começando, como sugestões automáticas de jogadas através do Coach. Essa opção facilita bastante os primeiros momentos, já que apresenta alternativas sem exigir que o jogador conheça todo o funcionamento do esporte. Porém, conforme a experiência aumenta, fica evidente que seguir essas recomendações nem sempre é suficiente. Algumas situações exigem uma análise mais cuidadosa, e entender o motivo por trás de cada escolha se torna uma das partes mais interessantes da experiência. A curva de aprendizado pode afastar jogadores que procuram uma experiência mais imediata, mas também é uma das maiores qualidades do jogo. College Football 27 não tenta transformar o futebol americano em algo simples demais, ele preserva a complexidade que faz parte da modalidade. ULTIMATE TEAM Assim como outros jogos esportivos da EA, College Football 27 também conta com o modo Ultimate Team, trazendo a tradicional estrutura de montar uma equipe através de cartas. O funcionamento é familiar para quem já teve contato com outras franquias da empresa. O jogador conquista diferentes tipos de moedas, incluindo Points adquiridos com dinheiro real, além de recursos obtidos durante a própria progressão, como pacotes de treinamento, tokens e recompensas por objetivos. O objetivo principal é melhorar o elenco gradualmente, abrindo pacotes, conquistando novos atletas e aumentando o Overall da equipe. Cada jogador possui uma classificação que determina sua força geral, mas também existem cartas com características específicas que podem influenciar a montagem do time. Uma ferramenta interessante é a possibilidade de gerar automaticamente a melhor formação possível utilizando as cartas disponíveis. Essa função ajuda bastante quem não quer perder tempo organizando cada posição manualmente, embora seja importante lembrar que ela considera principalmente o Overall dos jogadores, deixando de lado algumas características individuais que podem ser importantes dentro de campo. A navegação entre menus é rápida, organizada e muito mais fluida do que algumas experiências encontradas em outros jogos esportivos da própria EA. Abrir pacotes, conferir recompensas e acompanhar objetivos acontece de maneira simples, sem aquela sensação de menus pesados ou demorados. As animações de abertura de pacotes também recebem um cuidado especial. Elas conseguem criar aquele momento de expectativa antes de descobrir qual jogador será recebido, algo que se tornou uma característica importante desse tipo de modo. No lançamento, a quantidade de objetivos disponíveis ainda era limitada, algo esperado para um jogo recém-chegado, mas a estrutura mostra potencial para crescer conforme novos eventos e conteúdos forem adicionados. Apesar de seguir uma fórmula já conhecida da EA, o Ultimate Team funciona bem aqui porque combina com a ideia de montar uma universidade competitiva, embora continue trazendo a estrutura de microtransações já conhecida da franquia. DINASTY Dynasty: construindo uma universidade do zero. Se existe um modo que representa melhor a proposta de College Football 27, esse modo é Dynasty. Aqui, o jogador assume completamente o papel de treinador e precisa administrar todos os aspectos de uma universidade. Não basta apenas vencer partidas dentro do campo, é necessário tomar decisões que influenciam o futuro do programa. É possível escolher diferentes funções dentro da comissão técnica, atuando como treinador principal, coordenador ofensivo ou coordenador defensivo. Cada escolha muda a forma como o jogador participa da evolução da equipe. Antes de começar sua trajetória, é necessário lidar com as expectativas da diretoria e definir os objetivos que serão cobrados durante o contrato. Universidades maiores possuem metas mais ambiciosas, enquanto programas menores podem exigir um trabalho de reconstrução. Essa diferença cria uma progressão interessante, já que cada equipe possui uma realidade própria. A parte administrativa de Dynasty é uma das grandes forças do jogo. Durante a temporada, o treinador precisa montar sua equipe de funcionários e escolher membros da comissão técnica que oferecem benefícios diferentes. Alguns profissionais ajudam no recrutamento, permitindo encontrar novos talentos com mais eficiência, enquanto outros podem melhorar desenvolvimento dos atletas ou reduzir riscos de lesões. Também existe um sistema de orçamento, onde é necessário controlar os gastos da universidade e decidir onde investir os recursos disponíveis. Esse lado de gerenciamento adiciona uma camada estratégica que vai além das partidas. Uma boa temporada não é construída apenas com vitórias, mas também com decisões inteligentes fora do campo. ROAD TO GLORY Além do papel de treinador, College Football 27 também permite acompanhar a trajetória de um jogador individual através do modo Road to Glory. A proposta aqui muda completamente. Em vez de administrar uma universidade inteira, o objetivo é acompanhar o desenvolvimento de um atleta desde o início da carreira universitária, tomando decisões que podem definir seu futuro dentro do esporte. O modo apresenta diferentes caminhos de evolução e permite escolher posições variadas, incluindo algumas funções que possuem estilos de jogo bastante diferentes. Essa variedade ajuda a tornar cada campanha única, já que um quarterback terá uma experiência completamente diferente de um jogador defensivo. A progressão acontece através de desempenho dentro de campo e escolhas feitas durante a temporada. O jogador precisa equilibrar treinamento, desenvolvimento de habilidades e decisões fora dos jogos, criando uma sensação maior de acompanhar uma carreira em construção. VISUAIS E SOM Visualmente, College Football 27 é um dos jogos esportivos mais impressionantes da EA graças a Frostbite engine. Os estádios, uniformes, equipamentos e detalhes dos atletas recebem um nível de cuidado muito alto. A iluminação durante as partidas chama muita atenção, principalmente em jogos noturnos, onde o ambiente consegue transmitir uma sensação muito próxima de uma transmissão real. Os corpos dos jogadores, capacetes e roupas possuem um acabamento excelente, criando uma apresentação altamente realista. Em alguns momentos, a qualidade visual chega a passar a impressão de estar acompanhando uma partida verdadeira. Nem tudo é perfeito. Algumas expressões faciais ainda apresentam diferenças de qualidade entre os jogadores, principalmente quando comparadas ao restante da apresentação. Porém, esse problema acaba sendo pequeno diante do conjunto geral. A torcida, mascotes, líderes de torcida, bandas marciais e toda a preparação antes das partidas criam uma identidade que poucos jogos esportivos conseguem reproduzir. Antes mesmo da bola começar a rolar, o jogo já trabalha essa sensação de evento. A entrada dos times no campo, a movimentação das arquibancadas e os elementos tradicionais de cada universidade ajudam a criar uma atmosfera muito mais marcante. A trilha sonora possui momentos bastante criativos, principalmente pela utilização de bandas marciais, um elemento extremamente ligado à cultura universitária americana. A seleção musical dos menus, reúne artistas bastante conhecidos como Ed Sheeran, Bruno Mars e Amy Winehouse. A variedade de estilos ajuda a manter a navegação agradável entre uma partida e outra, complementando muito bem o clima criado pelas tradicionais bandas marciais presentes durante os jogos. Um dos momentos mais interessantes é a utilização de uma versão da trilha de Battlefield adaptada para esse estilo de apresentação. A escolha mostra como a EA poderia explorar mais referências entre suas próprias franquias, criando momentos especiais para os jogadores. Além disso, a narração, os sons das arquibancadas e toda a ambientação dos estádios ajudam a criar uma experiência muito mais próxima de acompanhar um evento esportivo real. Em um jogo onde a atmosfera tem tanta importância quanto a própria partida, o trabalho de áudio acaba sendo fundamental para transmitir essa sensação. ACHIEVEMENTS A lista de conquistas de College Football 27 foi construída para incentivar o jogador a explorar praticamente todos os aspectos da experiência. Os objetivos passam pelos principais modos do jogo, incluindo Dynasty e Road To Glory, além de desafios relacionados ao desempenho durante as partidas e momentos específicos da temporada. Existe uma boa variedade entre conquistas ligadas à evolução de atletas, gerenciamento de equipes, partidas personalizadas e situações especiais dentro de campo. A lista não fica limitada apenas a vencer campeonatos, oferecendo objetivos diferentes para quem gosta de testar estratégias, acompanhar uma carreira ou simplesmente aproveitar as diversas possibilidades que o jogo oferece. TRAILER OFFICIAL RESUMO College Football 27 prova que a franquia vai muito além de uma versão universitária de Madden NFL. O foco em recrutamento, gerenciamento e desenvolvimento de atletas cria uma experiência própria, onde estratégia e planejamento têm tanto peso quanto as partidas. Modos como Dynasty e Road to Glory são os grandes destaques, enquanto a apresentação, com estádios, bandas marciais e uma atmosfera digna das tradicionais universidades americanas, ajuda a tornar cada confronto ainda mais envolvente. Por outro lado, a curva de aprendizado elevada e a ausência de legendas em português do Brasil podem tornar a adaptação mais difícil para novos jogadores. Mesmo assim, quem procura um simulador esportivo profundo encontrará em College Football 27 uma experiência bastante completa, capaz de conquistar seu espaço sem depender da comparação com Madden NFL. Nota: 7.9/10 Review by Gamertag: Scoulz

  • Review: Halo: Campaign Evolved

    Master Chief retorna em uma aventura que respeita o passado e expande seu legado. Existe um desafio enorme em revisitar um dos jogos mais importantes da história dos videogames. Ainda maior é conseguir surpreender quem já conhece praticamente cada momento da campanha original. Halo: Campaign Evolved faz exatamente isso. Mesmo sabendo o que aconteceria nas próximas missões, bastaram poucos minutos para perceber que não estava apenas diante de uma atualização gráfica, mas de uma reconstrução extremamente cuidadosa em praticamente todos os aspectos da experiência. Enquanto Halo: Combat Evolved Anniversary modernizou o clássico de 2001 mantendo praticamente toda sua estrutura intacta, Campaign Evolved vai além. A campanha foi reconstruída utilizando tecnologias atuais, ganhou novas missões, armas, veículos e diversos recursos inéditos, mas sem perder aquilo que sempre fez Halo funcionar tão bem: uma campanha divertida, acessível e que coloca o jogador constantemente no centro de grandes batalhas. CAMPANHA A história permanece fiel ao clássico. Master Chief e Cortana acabam presos na misteriosa instalação Halo após a queda da Pillar of Autumn, iniciando uma jornada que rapidamente deixa de ser apenas um conflito contra a Aliança Covenant para revelar uma ameaça muito maior escondida dentro do anel. O roteiro continua simples e funciona justamente por isso. Existe sempre um objetivo claro, personagens marcantes e um ritmo que alterna muito bem momentos de exploração, combate e grandes sequências cinematográficas. Falando em cinematografia, esse talvez seja o aspecto que mais me surpreendeu durante toda a campanha. As cutscenes atingem um nível de qualidade impressionante. Expressões faciais, direção de câmera e animações fazem diversas cenas parecerem retiradas de um grande filme de ficção científica. Cada fim de missão praticamente recompensa o jogador com mais um espetáculo visual. Nos primeiros momentos encontrei pequenos problemas técnicos, como alguns soldados surgindo repentinamente em determinados pontos e uma situação curiosa em que consegui acessar uma área da nave onde claramente não deveria estar, sendo lançado para o espaço logo em seguida. Como joguei uma versão extremamente antecipada, nada disso chegou a comprometer minha experiência. Quando finalmente chegamos aos grandes ambientes naturais de Halo, o impacto visual aumenta ainda mais. Os biomas impressionam pela escala e principalmente pela iluminação, fazendo parecer inacreditável que tudo esteja acontecendo em tempo real. Outro ponto que continua funcionando muito bem é Cortana. Além da ótima interação durante toda a campanha, ela também auxilia naturalmente quando demoramos muito para encontrar determinado objetivo, evitando que o jogador fique perdido sem transformar a exploração em algo totalmente guiado. A chegada dos Flood continua sendo um dos momentos mais marcantes da aventura. A campanha muda completamente de clima, adotando uma ambientação muito mais próxima do terror espacial. A sequência envolvendo as gravações recuperadas de um soldado da UNSC continua excelente e prepara perfeitamente o jogador para tudo o que vem depois. A partir daí o jogo entra em um ritmo quase ininterrupto de ação. Ver Covenant, Flood e Master Chief dividindo o mesmo campo de batalha cria confrontos extremamente caóticos e divertidos. Foi justamente nessa parte que uma das minhas maiores diversões apareceu: pegar a Shotgun e simplesmente abrir caminho entre os Flood. É um daqueles momentos em que você esquece completamente qualquer estratégia elaborada e apenas aproveita o combate. O encerramento mantém toda a adrenalina do clássico, agora acompanhado por uma direção cinematográfica ainda mais impressionante. A sequência final continua sendo uma das mais memoráveis da franquia e fecha uma campanha que permanece extremamente divertida mesmo mais de duas décadas depois de sua criação. MISSÕES BÔNUS Além da campanha clássica, Halo: Campaign Evolved adiciona Operation: METEORITE, uma campanha inédita composta por três missões que acontecem cerca de um ano antes dos acontecimentos principais. O foco aqui é expandir a participação do Sargento Johnson e explorar acontecimentos que nunca haviam sido mostrados na franquia. Essa mudança de abordagem funciona muito bem. Johnson participa ativamente dos combates durante praticamente toda a campanha bônus, tornando os confrontos mais dinâmicos e transmitindo uma sensação constante de operação militar. Diferente da campanha principal, os companheiros realmente ajudam durante boa parte das batalhas. Também foi aqui que encontrei algumas das armas mais divertidas do jogo. O Spiker rapidamente virou uma das minhas favoritas, enquanto outras armas oferecem opções que praticamente não aparecem na campanha tradicional. A variedade incentiva constantemente a experimentar novos equipamentos. Visualmente, essas missões também apresentam cenários bastante diferentes, com áreas abertas muito bonitas, novas variações de inimigos e um excelente uso das cores para dificultar a identificação de alguns adversários durante o combate. O maior destaque, porém, fica para a batalha espacial presente nas missões finais. Controlar uma nave equipada com canhões de plasma, lasers e sistemas de impulso trouxe uma variedade muito bem-vinda à jogabilidade. Os combates funcionam muito bem, os cenários galácticos impressionam e deixam aquela sensação de que a Halo Studios está utilizando essas missões também para testar ideias que podem aparecer em futuros jogos da série. No fim, Operation: METEORITE vai muito além de um simples bônus. São três missões que complementam a campanha principal, apresentam mecânicas inéditas e melhoram a experiência de quem deseja explorar tudo o que Halo: Campaign Evolved tem a oferecer. MODO COOPERATIVO Halo sempre foi uma franquia que brilhou quando jogada ao lado de outras pessoas, e Campaign Evolved mantém essa tradição. A campanha inteira pode ser concluída em modo cooperativo com progresso compartilhado e suporte a crossplay, permitindo que jogadores de diferentes plataformas avancem juntos na história. Durante minha experiência ficou ainda mais evidente como algumas situações parecem ter sido pensadas para o cooperativo. Isso acontece principalmente nas batalhas utilizando veículos. Entrar em um Warthog enquanto um jogador dirige, outro assume a metralhadora traseira e um terceiro cobre os arredores transforma completamente alguns confrontos. É o tipo de situação em que o combate simplesmente ganha outra dimensão. Também gostei da possibilidade de utilizar os Skulls durante o cooperativo, criando partidas muito mais imprevisíveis e divertidas, principalmente para quem já concluiu a campanha anteriormente. Minha única crítica fica pela ausência de um sistema de lobby para encontrar jogadores automaticamente. Quem não possui amigos jogando acaba dependendo de comunidades externas, como Discord, para montar um grupo. Um navegador de partidas cooperativas faria bastante sentido e ajudaria novos jogadores a aproveitarem uma das melhores formas de experimentar a campanha. Por outro lado, gostei bastante da manutenção da tela dividida nos consoles. É um recurso cada vez mais raro na indústria e continua sendo uma ótima forma de aproveitar Halo localmente. A ausência de um modo PvP pode causar estranheza para parte dos fãs, mas fica claro que a proposta aqui sempre foi concentrar todos os esforços em entregar a melhor campanha possível. E, nesse aspecto, a Halo Studios acertou bastante. REMIX DA CAMPANHA O modo Campaign Remix surge como uma excelente forma de revisitar todas as missões sob uma perspectiva completamente diferente. Cada fase pode receber combinações variadas de Skulls já desbloqueados, alterando significativamente a experiência de jogo com modificadores que tornam os combates mais imprevisíveis e desafiadores. É possível até deixar que o próprio jogo escolha aleatoriamente quais modificadores serão utilizados, fazendo com que cada tentativa apresente situações diferentes das anteriores. Particularmente, vejo esse modo como um conteúdo pensado para quem já conhece bem a campanha e deseja aumentar o fator replay, já que algumas combinações podem elevar bastante o nível de dificuldade. Ainda assim, vale a pena experimentar mesmo sem buscar os maiores desafios, pois a variedade de modificadores faz com que missões conhecidas pareçam quase inéditas. Outro ponto positivo é que o Remix não se limita apenas às fases da campanha principal, podendo ser utilizado também nas missões bônus, ótimo para quem pretende continuar explorando tudo o que Halo: Campaign Evolved oferece após os créditos. VISUAIS E SOM Poucos jogos conseguiram me impressionar visualmente logo nos primeiros minutos como Halo: Campaign Evolved. A reconstrução realizada pela Halo Studios é extremamente ambiciosa e demonstra, em diversos momentos, o potencial das tecnologias atuais. O grande destaque fica para a iluminação. Reflexos, sombras e diferentes materiais respondem à luz de maneira extremamente convincente. Em ambientes internos isso fica ainda mais evidente. Salas metálicas, corredores, hangares e principalmente a Truth and Reconciliation apresentam alguns dos melhores efeitos de iluminação que já vi em um jogo de tiro em primeira pessoa. Houve momentos em que simplesmente parei alguns segundos apenas observando os reflexos espalhados pelo cenário. Quando a campanha chega aos ambientes naturais, o impacto continua enorme. A vegetação, os grandes campos abertos e a enorme distância de visão fazem parecer que estamos explorando um mundo vivo. As animações acompanham esse mesmo nível de qualidade. As recargas das armas, pequenos movimentos durante o combate e até a forma como os inimigos reagem aos disparos tornam tudo muito mais impactante. Existe um cuidado evidente para fazer cada arma parecer diferente da outra, tanto visualmente quanto em suas animações. Já a trilha sonora continua fantástica. Os tradicionais cânticos de Halo permanecem arrepiando em diversos momentos e ajudam a transformar batalhas comuns em sequências memoráveis. Em contraste, quando a campanha assume um tom mais sombrio durante a chegada dos Flood, a música acompanha perfeitamente essa mudança de atmosfera. É um trabalho sonoro que continua sendo uma das maiores marcas da franquia. ACHIEVEMENTS Halo: Campaign Evolved oferece uma lista de conquistas bastante completa e que incentiva diferentes formas de aproveitar a campanha. Além das conquistas tradicionais por concluir cada missão e finalizar a história em todos os níveis de dificuldade, existe um forte incentivo à exploração por meio dos Skulls e Terminais espalhados pelos cenários. Encontrar todos esses colecionáveis exige bastante atenção, já que muitos estão extremamente bem escondidos, algo que combina perfeitamente com a proposta de exploração do jogo. Para quem busca os 100%, o desafio vai muito além de simplesmente terminar a campanha. Há conquistas voltadas para objetivos específicos durante determinadas fases, desafios utilizando combinações de Skulls, campanhas Remix sem morrer, conclusão em dificuldade Lendária e até o tradicional desafio LASO, considerado um dos maiores testes de habilidade da franquia. É uma lista que atende tanto quem pretende apenas concluir a aventura quanto os jogadores que gostam de extrair absolutamente tudo o que o jogo tem a oferecer. TRAILER OFFICIAL RESUMO Halo: Campaign Evolved consegue algo que poucos remakes alcançam. Ele respeita completamente o material original enquanto encontra espaço para expandir a experiência com novas missões, armas, veículos e modos extras sem perder a essência da campanha que marcou uma geração. O combate continua excepcional. Pouquíssimos jogos conseguem fazer praticamente todas as armas serem divertidas de utilizar, incentivar constantemente a experimentação e manter batalhas interessantes durante toda a campanha. Somando isso aos visuais impressionantes, à excelente direção artística, às cutscenes de altíssimo nível e ao ótimo trabalho de áudio, o resultado é facilmente a melhor versão já produzida dessa história. Ainda assim, algumas decisões impedem que a experiência seja ainda melhor. Embora fique claro que a proposta da Halo Studios tenha sido concentrar todos os esforços em entregar a melhor campanha possível, a ausência de um modo PvP certamente fará falta para parte dos fãs da franquia. Também não gostei da decisão de esconder determinadas funcionalidades atrás dos Skulls. A possibilidade de jogar em terceira pessoa, recurso bastante aguardado por jogadores de determinadas plataformas, poderia estar disponível naturalmente, sem depender do desbloqueio de um modificador específico. Também encontrei pequenas quedas de desempenho no terço final da campanha, principalmente durante a missão de encerramento, quando grandes explosões e confrontos simultâneos entre Covenant, Flood e forças da UNSC tornam a ação muito mais intensa. Além disso, a versão antecipada disponibilizada para análise não contava com dublagem em português do Brasil, e não foi possível confirmar se ela será adicionada posteriormente. Considerando o histórico recente da franquia com localização em nosso idioma, sua ausência acabou sendo bastante perceptível durante toda a campanha. Depois de terminar a campanha fiquei com uma sensação muito simples: vontade de continuar jogando Halo. Campaign Evolved despertou em mim o interesse de revisitar toda a Master Chief Collection novamente e acompanhar os próximos capítulos da franquia. As missões bônus reforçam ainda mais essa sensação. Mesmo respeitando os acontecimentos do jogo original, elas demonstram que a Halo Studios tem boas ideias para expandir esse universo quando não estiver limitada à estrutura de um clássico já conhecido. Se esse era um dos objetivos da equipe, comigo funcionou perfeitamente. Para quem já é fã da série, trata-se de uma reconstrução que faz justiça ao clássico. Para quem nunca jogou Halo, dificilmente existirá uma porta de entrada melhor. Nota: 9.3/10 Review by Gamertag: Scoulz

  • Review: Denshattack!

    Viaje pelo Japão e se torne o melhor Denshattacker do país. O JOGO Denshattack! é um jogo arcade desenvolvido pela Undercoders e distribuído pela Fireshine Games e Boltray Games. Viajar pelo Japão a bordo de um trem pode parecer normal, mas em Denshattack! os trens não são meros meios de transporte. Seguindo a jornada de Emi e Fernando, você terá trens customizáveis e que podem fazer manobras radicais enquanto viajam pelos trilhos que também desafiarão o jogador com drifts e pulos, além de grandes inimigos para serem derrotados, tudo isso num ritmo frenético. Una um grupo de personagens desajustados e carismáticos para derrotar a corporação maligna Miraido e se tornar uma Denshattacker lendária. Não precisamos de trilhos. MINHAS IMPRESSÕES Pense num trem que pode fazer manobras de skate. Com essa premissa, é impossível não se empolgar com o ritmo frenético e altamente empolgante de Denshattack!, que logo de cara engole sua atenção. Com uma arte muito estilosa, cores vibrantes e uma característica bem cartunesca, Denshattack! te mergulha numa vibe elétrica e alegre, combinando seus exageros visuais com suas manobras radicais e batalhas épicas. A trilha sonora, naturalmente, segue todos os outros elementos, ditando o ritmo do jogo com trilhas condizentes com o ambiente apresentado e com músicas com potencial de se tornarem clássicos instantâneos. Personagens carismáticos são os guias para a história de Denshattack!, mesmo que ofuscados pelo brilho da jogabilidade intensa. O jogo está em Português-Brasil, o que ajuda o jogador a entender a história que guia sua jornada, assim como dá um carisma a mais para os personagens e conta suas histórias naquele mundo. Também existem onsens espalhados pelo mapa, onde podemos conhecer um pouco mais dos personagens e suas motivações. Os controles de jogo são bem intuitivos, ainda que com uma vasta gama de movimentos, mas que são bem satisfatórios de masterizar e conseguir pontuações maiores. Porém, nem tudo são números crescendo: geralmente, você terá três tipos de objetivo em cada fase. Primeiro, as pontuações por manobra, como já foi citado. Em segundo, você deverá cumprir a fase no menor tempo possível. E em terceiro, você terá uma seleção de pequenos objetivos durante a fase, que podem ser desde coletar todos os colecionáveis até fazer alguma ação específica, como destruir algum obstáculo ou executas algum movimento específico. Você não precisa necessariamente fazer tudo perfeito, mas esses três parâmetros colocam uma camada a mais de diversão, desafio e fator replay. As fases são bem construídas, sempre trazendo desafios interessantes e ritmando sua jogabilidade, além de muito criativas e bem apresentadas artisticamente. Cada vez que você avança no jogo, novas mecânicas são apresentadas e o que já parecia frenético, fica mais caótico ainda, mas num sentido positivo. O jogador poderá também customizar seu trem com novas pinturas e adesivos, bem como adquirir novos trens durante sua jornada. Cada trem tem um pró e um contra, melhorando um aspecto e piorando outro, vai do jogador escolher um trem que se adeque ao seu estilo de jogo. Em certo ponto do jogo, ao completar alguns combos de manobras, você cria seus próprios trilhos com um poder mágico, criando caminhos alternativos em fases, abrindo um novo leque de possibilidades. Muitas fases vão trazer interações malucas, como por exemplo, usar uma roda gigante para avançar pela cidade ou montar em um barco e fazer manobras em ondas. A criatividade colocada nesse jogo é incrível e onde podemos ver isso acontecer em seu ápice é nas batalhas contra chefes. Munidos de veículos (se assim podemos considerar) gigantes, as batalhas épicas contra eles são incríveis só de existirem do jeito que são, mas as interações e sequências que elas geram são sensacionais. Denshattack! é diversão garantida. As fases são conduzidas de uma forma fluída e rápida e a jogabilidade é muito boa. Com partidas velozes, você acaba nem percebendo o tanto que você jogou. Mesmo aqueles que procurarem um grande desafio, vão conseguir achar em Denshattack!, visto que conseguir completar todos os objetivos de fase vão ser uma tarefa árdua. E essa característica de ser um jogo para jogadores de todos os tipos faz com que Denshattack! alcance o coração de muito mais pessoas. Seja radical. CONQUISTAS As conquistas de Denshattack! são bem objetivas. Completar todos os capítulos da história, conseguir medalha de ouro em todas as fases, completar todos os desafios de fase, chegar em primeiro em todas as corridas, fazer grandes combos de manobras, visitar todos os onsens, coletar todos os colecionáveis e adquirir trens e adesivos resumem praticamente todas as conquistas que o jogo oferece. Masterizar movimentos faz parte da jogabilidade de Denshattack! e será essencial para completar 100% das conquistas, bem como jogar novamente algumas fases, o que torna o jogo altamente rejogável. Enfrente inimigos surpreendentes. CONCLUSÃO Denshattack! é um devorador de tempo, onde você começa a jogar e quando para, vê que estava jogando há tanto tempo e nem notou. Sua jogabilidade favorece tanto os menos habilidosos até os mais exímios jogadores. O ritmo frenético abraça o jogador de tal forma que você só vai seguindo o ritmo, reagindo numa fração de segundo em uma cadeia de acontecimentos de tirar o fôlego. O jeito que o jogo te faz rejogar fases é muito inteligente e nada enjoativo, além de incentivar o jogador a experimentar cada canto do jogo e talvez provocá-lo a tentar ser melhor. Denshattack! é tão divertido quanto parece e surpreende a cada passo dado em sua jornada dentro do jogo. Se a premissa toda é maluca e chama a atenção, experimentar Denshattack! certamente te dará muita diversão como recompensa. NOTA: 9.0/10

  • Review: CULTIC

    O terror retrô que transforma cada corredor em uma armadilha. Poucos jogos conseguem despertar aquela sensação de estar jogando um clássico pela primeira vez sem parecer apenas uma cópia do passado. CULTIC faz exatamente isso. Desde os primeiros minutos fica evidente que sua inspiração vem dos grandes FPS da década de 90, mas ao invés de apenas repetir fórmulas conhecidas, ele utiliza essas referências para construir uma experiência com identidade própria. Logo no início somos lançados em um mundo tomado por um culto religioso violento, sem muitas explicações. Você assume o papel de um detetive que sobrevive a uma tentativa de execução e passa a perseguir os responsáveis enquanto descobre os segredos por trás daquela organização. A narrativa não depende de longas cenas cinematográficas. Ela é construída através da exploração, documentos espalhados pelos mapas e pela própria ambientação, deixando boa parte da interpretação nas mãos do jogador. Essa escolha combina perfeitamente com a proposta do jogo. Em vez de interromper a ação constantemente para contar sua história, CULTIC prefere deixar que cada cenário fale por si. Manicômios abandonados, igrejas tomadas por fanáticos, fazendas isoladas e laboratórios escondidos ajudam a construir uma atmosfera extremamente desconfortável do início ao fim. Mas se existe algo que realmente chama atenção logo de cara é sua direção artística. O estilo visual remete imediatamente aos FPS clássicos dos anos 90. Os sprites, a iluminação, a violência exagerada e a própria construção dos mapas lembram jogos como Blood, Doom e Duke Nukem 3D. Eu não vejo isso como um defeito. Muito pelo contrário. Essa inspiração acaba sendo uma das características mais agradáveis de toda a experiência. Diversos objetos espalhados pelos cenários podem ser destruídos ou utilizados durante a exploração, fazendo com que cada ambiente pareça vivo. Mesmo utilizando uma estética retrô, o jogo consegue criar mapas ricos em detalhes, incentivando constantemente a curiosidade do jogador. GAMEPLAY Se o visual desperta nostalgia, basta começar o primeiro tiroteio para entender que CULTIC não pretende ser apenas um museu dos FPS antigos. Os combates são extremamente rápidos e violentos. A sensação inicial lembra bastante Doom, principalmente pela velocidade com que os confrontos acontecem. Ao mesmo tempo, existe um gerenciamento muito maior dos recursos disponíveis. Não basta apenas sair correndo atirando em tudo que aparece pela frente. Utilizar as armas de maneira inteligente faz toda a diferença. Headshots eliminam diversos inimigos rapidamente, explosivos limpam grupos inteiros e cada munição desperdiçada pode fazer falta poucos minutos depois. A dinamite, por exemplo, acaba se tornando uma das ferramentas mais divertidas do arsenal. Ela pode ser utilizada tanto para eliminar grandes grupos quanto para interagir com partes do cenário. Durante minha campanha fiquei bastante curioso para utilizar explosivos na abertura de alguns caminhos específicos, embora nem sempre isso tenha funcionado como eu imaginava. Outro ponto que me agradou bastante foi a variedade das armas. Cada novo equipamento realmente modifica a forma como você enfrenta os inimigos. Quando a shotgun entra em cena, por exemplo, o ritmo muda completamente. O combate passa a lembrar ainda mais Doom, principalmente pela agressividade que ela proporciona. E isso está longe de ser uma crítica. Pelo contrário. Essa evolução constante do arsenal impede que o gameplay fique repetitivo durante toda a campanha. O jogo também apresenta pequenas instruções sempre que uma mecânica inédita aparece. É um detalhe simples, mas que evita confusões sem quebrar o ritmo da exploração. Falando em exploração, esse talvez seja um dos maiores acertos de CULTIC. Grande parte das fases foi construída seguindo a filosofia dos antigos FPS. Existem passagens escondidas, portas secretas, áreas opcionais, chaves espalhadas pelo cenário e inúmeros caminhos alternativos. Em vários momentos eu simplesmente abandonei o objetivo principal para investigar corredores aparentemente sem importância, apenas para encontrar novos recursos ou descobrir algum segredo. E segredos realmente não faltam. Durante uma das fases encontrei apenas um segredo de um total de onze disponíveis. Isso mostra o quanto os mapas escondem conteúdo para quem gosta de explorar cada canto. Essa construção lembra bastante Duke Nukem 3D e outros clássicos da época, onde descobrir áreas escondidas fazia parte da diversão e aumentava bastante a duração da campanha. Nem tudo, porém, funciona perfeitamente. A movimentação da câmera foi um dos pontos que mais me incomodaram durante a experiência. Mesmo ajustando a sensibilidade do mouse para o menor valor disponível, ainda senti dificuldade para encontrar uma velocidade confortável. A resposta dos movimentos nunca pareceu exatamente como eu gostaria. Esse problema acabou influenciando diretamente alguns confrontos mais intensos, principalmente quando era necessário reagir rapidamente a inimigos surgindo por diferentes direções. Curiosamente, esse incômodo diminuiu bastante quando passei a jogar na dificuldade Casual. Pode parecer estranho recomendar a dificuldade mais baixa para quem já possui experiência com FPS, mas foi exatamente isso que aconteceu comigo. Mesmo jogando esse gênero há bastante tempo, achei a dificuldade Casual muito mais equilibrada para aproveitar o restante da experiência sem transformar cada encontro em uma batalha excessivamente punitiva. A dificuldade padrão, a quantidade de inimigos impressiona. É comum enfrentar dezenas deles em uma única área. Muitos utilizam armas semelhantes às suas e são posicionados estrategicamente para surpreender o jogador sempre que possível. Armadilhas espalhadas pelo cenário aumentam ainda mais essa sensação de perigo constante. Existem momentos em que o próprio level design parece avisar que algo muito difícil está prestes a acontecer. Em outros, a mensagem é praticamente a contrária: não vale a pena enfrentar tudo. Apenas corra e sobreviva. Essa alternância entre combate intenso e fuga ajuda bastante a manter o ritmo da campanha imprevisível. VISUAIS E SOM Se existe um departamento que praticamente não decepciona é o audiovisual. Visualmente, CULTIC faz um excelente trabalho ao misturar tecnologia moderna com uma estética inspirada nos anos 90. Os sprites lembram os grandes clássicos do gênero, mas iluminação dinâmica, partículas, física e diversos efeitos contemporâneos impedem que tudo pareça apenas um filtro nostálgico. Existe personalidade em praticamente todos os ambientes. Cada mapa possui identidade própria e consegue transmitir exatamente a sensação que deveria, seja através da arquitetura, da iluminação ou da quantidade absurda de sangue espalhada pelos cenários. A trilha sonora é outro enorme acerto. Ela sabe exatamente quando aparecer e, principalmente, quando desaparecer. Durante boa parte da campanha fui surpreendido justamente pelos momentos em que quase não existia música alguma. O silêncio faz você imaginar que existe alguma ameaça escondida logo na próxima sala. Essa combinação entre áudio e ambientação torna vários trechos muito mais tensos do que seriam apenas utilizando sustos baratos. ACHIEVEMENTS Para quem gosta de completar 100% dos jogos, CULTIC oferece uma lista de conquistas extremamente divertida. Boa parte delas incentiva experimentar mecânicas que muitos jogadores provavelmente ignorariam durante uma campanha comum. Existem desafios envolvendo tiros extremamente precisos, eliminações criativas utilizando objetos do cenário, uso inteligente dos explosivos e até situações bastante inusitadas que arrancam algumas risadas quando finalmente são descobertas. Também existem conquistas voltadas para exploração, exigindo encontrar todos os segredos espalhados pelos capítulos, além de objetivos relacionados aos upgrades das armas, sobrevivência, desafios específicos de combate e modos extras. O mais interessante é que elas raramente parecem apenas uma lista de tarefas repetitivas. Em vários momentos tive a impressão de que os próprios desenvolvedores estavam incentivando os jogadores a experimentar maneiras completamente diferentes de enfrentar cada situação. O único aviso fica para quem pretende completar 100%. Algumas conquistas exigem bastante habilidade, principalmente aquelas relacionadas à dificuldade máxima, ausência de dano e localização de todos os segredos dos mapas. TRAILER OFFICIAL RESUMO CULTIC é uma carta de amor aos FPS clássicos sem abrir mão de boas ideias próprias. Sua excelente direção artística, o level design extremamente inteligente, a enorme quantidade de segredos, o combate violento e a atmosfera de survival horror criam uma experiência bastante diferente da maioria dos shooters atuais. Certamente quem jogar vai ser marcado pelo "cara da serra elétrica" de forma não tão amigável. Minha principal crítica continua sendo o comportamento da câmera, que nunca ficou totalmente confortável para mim mesmo após diversos ajustes de sensibilidade. Felizmente isso diminuiu bastante quando passei a jogar na dificuldade Casual, que considero a melhor forma de aproveitar a campanha pela primeira vez. Também gostei muito da maneira como o jogo recompensa a exploração. Encontrar passagens secretas, descobrir novos caminhos e revisitar áreas antigas nunca parece perda de tempo. Pelo contrário, é justamente esse espírito de curiosidade que faz CULTIC lembrar tanto os grandes clássicos do gênero. Se você procura um FPS moderno cheio de elementos cinematográficos, provavelmente encontrará opções mais adequadas. Agora, se sente falta da criatividade, da exploração e da brutalidade dos shooters dos anos 90, CULTIC merece entrar na sua lista. É um daqueles jogos que entendem perfeitamente suas inspirações e conseguem transformá-las em algo que continua divertido até os dias de hoje. Nota: 8.9/10 Review by Gamertag: Scoulz

  • Review: Hearthstone: Mega Bundle de Fuga do Castelo Violeta

    O Mega Bundle entrega a vantagem que toda grande fuga precisa? A chegada de Fuga do Castelo Violeta trouxe uma nova coleção de cartas, mecânicas inéditas e diversos conteúdos para acompanhar a expansão. Entre eles, o Mega Bundle surge como a opção mais completa para quem deseja começar a temporada com uma coleção robusta, diversos cosméticos exclusivos e recursos suficientes para experimentar as novas estratégias desde os primeiros dias. Passei alguns dias utilizando o Mega Bundle para entender se ele realmente entrega o valor que promete. Mais do que apenas abrir uma grande quantidade de pacotes, a ideia desta análise é mostrar como ele influencia a experiência inicial da expansão e quais vantagens oferece para quem pretende mergulhar de cabeça em Hearthstone. SOBRE O MEGA BUNDLE O Mega Bundle foi desenvolvido para os jogadores que gostam de começar uma expansão já com uma boa coleção de cartas. Em vez de evoluir gradualmente durante a temporada, como acontece com o Passe da Taverna, aqui praticamente todo o conteúdo é entregue logo no início, permitindo criar novos decks e explorar as mecânicas da expansão desde os primeiros momentos. Além da grande quantidade de pacotes, o bundle inclui cartas lendárias em versões especiais, cosméticos exclusivos e Ingressos da Taverna, formando um dos pacotes mais completos já disponibilizados para Fuga do Castelo Violeta. Para quem acompanha o meta competitivo ou simplesmente gosta de experimentar diferentes arquétipos, ele reduz bastante o tempo necessário para montar uma coleção sólida. CONTEÚDO O Mega Bundle de Fuga do Castelo Violeta inclui: 80 Pacotes de Fuga do Castelo Violeta 10 Pacotes Dourados de Fuga do Castelo Violeta 1 Card Lendário Dourado aleatório 1 Card Lendário Assinatura aleatório 1 Vanessa Assinatura 4 Ingressos da Taverna Visual de Herói da Alta Comandante Beatrix Verso de Card da Alta Comandante Beatrix MINHAS IMPRESSÕES Logo que comecei a abrir os pacotes, a diferença para uma progressão tradicional ficou bastante evidente. Em poucos minutos já havia conseguido uma boa quantidade de cartas da nova expansão, o suficiente para começar a montar vários decks sem precisar depender apenas das recompensas gratuitas ou esperar semanas acumulando ouro. O que mais gostei foi justamente essa liberdade para experimentar. Em vez de ficar preso a uma única classe, consegui testar diferentes combinações e conhecer melhor as novas mecânicas de Fuga do Castelo Violeta. Isso tornou meus primeiros dias com a expansão muito mais divertidos e variados. Também gostei do equilíbrio que Hearthstone oferece atualmente. Mesmo quem não compra o Mega Bundle ainda consegue evoluir bem através das missões e da Trilha de Recompensas. A diferença é que o bundle acelera bastante esse processo, permitindo montar uma coleção consistente muito mais cedo. Na minha opinião, esse é o maior ponto positivo do pacote. Ele não torna o jogo injusto para quem prefere jogar gratuitamente, mas oferece uma excelente vantagem para quem gosta de acompanhar o meta desde o lançamento, testar novos decks e aproveitar praticamente todo o conteúdo da expansão sem precisar esperar tanto tempo para desbloquear cartas importantes. TRAILER OFICIAL CONCLUSÕES O Mega Bundle de Fuga do Castelo Violeta entrega exatamente o que promete. A enorme quantidade de pacotes, as cartas especiais e os cosméticos exclusivos fazem dele uma excelente opção para quem pretende dedicar muitas horas à nova expansão. Mesmo que Hearthstone continue oferecendo uma boa progressão para jogadores gratuitos, o Mega Bundle proporciona um começo muito mais completo e divertido. Para quem gosta de experimentar diferentes estratégias desde o primeiro dia, considero que é um investimento que vale a pena. NOTA: 8.0/10

  • Review: Heartstone - Passe da Taverna de Fuga do Castelo Violeta

    A fuga começou em Dalaran, mas será que o Passe da Taverna vale a jornada? A chegada de Fuga do Castelo Violeta trouxe uma nova leva de cartas, mecânicas inéditas e uma temática inspirada em uma grande fuga da prisão de Dalaran. Junto da expansão, a Blizzard também disponibilizou uma nova edição do Passe da Taverna, oferecendo uma Trilha de Recompensas renovada com cosméticos exclusivos, cartas, pacotes e bônus de experiência para acompanhar toda a temporada. Passei alguns dias explorando o Passe da Taverna para entender como ele funciona na prática e se realmente vale o investimento. Mais do que listar as recompensas disponíveis, o objetivo desta análise é mostrar como ele influencia a progressão durante a expansão e quais benefícios oferece para quem pretende jogar Hearthstone ao longo de toda a temporada. SOBRE O PASSE O Passe da Taverna continua sendo um dos principais recursos para quem pretende acompanhar toda a temporada de Hearthstone. Com a chegada de Fuga do Castelo Violeta, ele recebeu uma nova Trilha de Recompensas recheada de cosméticos, cartas exclusivas, pacotes e bônus de experiência que aceleram a progressão conforme o jogador completa partidas e missões. Diferente de um pacote que entrega praticamente tudo de uma só vez, o Passe acompanha o jogador durante toda a expansão. A proposta é simples: quanto mais você joga, mais recompensas desbloqueia. Isso faz dele um conteúdo pensado para quem pretende permanecer ativo durante a temporada, independentemente do modo de jogo favorito. Ao adquirir o Passe da Taverna, o jogador recebe imediatamente acesso à trilha premium, além de um bônus inicial de experiência. Conforme novos níveis são alcançados, esse bônus aumenta progressivamente, permitindo evoluir mais rápido na Trilha de Recompensas e conquistar ouro, pacotes, cosméticos e diversos outros itens antes do que seria possível utilizando apenas a versão gratuita. NOVAS MECÂNICAS A expansão Fuga do Castelo Violeta também introduziu novas mecânicas que mudam a forma como os jogadores pensam suas estratégias durante as partidas. Uma delas é Preparar, uma nova palavra-chave que permite reduzir o custo de uma carta ao gastar a mana restante do turno, criando oportunidades para jogadas mais poderosas nos turnos seguintes. Outra novidade é Disfarce, uma mecânica que permite colocar lacaios diretamente no lado do campo do oponente, abrindo novas possibilidades de interação, controle e estratégias inesperadas durante os confrontos. A expansão também apresenta Suborno, uma mecânica inspirada na temática da fuga, onde cartas extremamente poderosas oferecem algum benefício ao adversário como parte do efeito, criando decisões mais arriscadas e estratégicas. Por fim, temos os Quebra-regras, novos lacaios lendários capazes de alterar regras tradicionais de Hearthstone. Esses cards trazem efeitos únicos que fogem dos padrões normais do jogo e permitem criar situações que antes seriam impossíveis dentro das partidas. Na prática, Preparar adiciona uma camada interessante de planejamento às partidas. Em vez de utilizar toda a mana apenas para responder ao turno atual, o jogador pode optar por investir seus recursos em uma carta que retornará à mão com um custo reduzido, permitindo jogadas muito mais explosivas nos turnos seguintes. É uma mecânica que recompensa quem consegue antecipar os próximos movimentos e administrar bem sua mana, abrindo espaço para combinações que antes seriam difíceis de executar. CONTEÚDO O Passe da Taverna de Fuga do Castelo Violeta inclui: 10% de bônus de XP imediato (aumentando até 20% conforme a progressão da trilha) 1 Card Diamante P3G4-R4T0 1 Vanessa, a Cabecilha Dourada 1 Guardiã Maiev Dourada 4 Pacotes de Fuga do Castelo Violeta 2 Pacotes Padrão Dourados 8 Visuais de Herói exclusivos 1 Verso de Card exclusivo 1 Moeda (Coin) exclusiva Cartas exclusivas da Trilha Premium (não podem ser criadas nem desencantadas) Acesso à Trilha de Recompensas Premium com todas as recompensas desbloqueadas conforme você sobe de nível. MINHAS IMPRESSÕES Uma das primeiras coisas que me chamou atenção foi a apresentação da expansão. Assim que abri Hearthstone, fui recebido por uma nova cinematic que, como já virou tradição da Blizzard, impressiona pela qualidade da animação, da direção e principalmente da dublagem. Foi aquele tipo de introdução que desperta imediatamente a vontade de entrar em uma partida. Antes mesmo de ativar o Passe, resolvi explorar o jogo para entender o que havia mudado. Apesar de Hearthstone manter a mesma essência que eu lembrava, ficou evidente que a progressão está muito mais organizada. O Diário reúne praticamente todas as atividades importantes, enquanto a Trilha de Recompensas deixa claro o que pode ser conquistado tanto na versão gratuita quanto na premium. Achei interessante perceber que o Passe não tira a importância dos jogadores gratuitos. Mesmo sem comprá-lo, é possível acumular ouro, pacotes e diversas recompensas apenas completando missões e evoluindo na Trilha. A versão premium, por sua vez, acelera esse progresso com o bônus de experiência e adiciona cosméticos e recompensas exclusivas, tornando a evolução ainda mais satisfatória para quem pretende acompanhar toda a temporada. Depois de passar uma semana explorando a expansão, minha impressão foi bastante positiva. A sensação de progresso é constante e sempre existe algum objetivo para buscar, seja desbloqueando novos níveis da Trilha ou conquistando recompensas ao longo da temporada. O Passe da Taverna complementa muito bem esse sistema e, para quem pretende jogar durante toda a expansão Fuga do Castelo Violeta, considero que o investimento faz sentido, principalmente pelo bônus de experiência e pelos itens exclusivos que acompanham a progressão. TRAILER OFICIAL CONCLUSÕES O Passe da Taverna de Fuga do Castelo Violeta me surpreendeu positivamente. Depois de uma semana jogando e explorando suas recompensas, senti que ele complementa muito bem a experiência de Hearthstone, principalmente por oferecer uma progressão constante e novos objetivos durante a temporada. Mesmo para quem prefere jogar gratuitamente, o sistema atual permite evoluir bastante, mas o Passe Premium torna essa jornada mais rápida e recompensadora com seus bônus de XP, cosméticos e itens exclusivos. Para quem pretende jogar com frequência, considero um investimento que vale a pena. NOTA: 8.0/10

  • Review: Farlands

    Farlands leva a fórmula dos simuladores de fazenda para outro planeta com charme e boas ideias. É impossível começar Farlands sem pensar em Stardew Valley. No meu caso, a coincidência foi ainda maior, já que eu estava justamente jogando Stardew Valley naquele momento da análise quando iniciei minha aventura espacial. Os primeiros minutos deixam essa inspiração bastante evidente. A organização da fazenda, o gerenciamento de energia, a coleta de recursos e até parte da interface remetem imediatamente ao clássico da ConcernedApe, chegando em alguns momentos a parecer uma brincadeira com a fórmula que o consagrou. Felizmente, essa impressão inicial muda conforme a campanha avança. Em vez de apenas reproduzir uma estrutura conhecida, Farlands utiliza essa base para construir sua própria identidade. A troca de uma pequena vila por um sistema solar inteiro transforma completamente a sensação de exploração. Assumimos um planeta abandonado que precisa ser reconstruído enquanto viajamos para outros mundos em busca de recursos, conhecemos personagens espalhados pelo espaço e descobrimos aos poucos o que levou aquele lugar ao abandono. Essa ambientação dá personalidade ao jogo desde cedo e faz com que ele deixe de ser apenas "mais um Stardew Valley no espaço". GAMEPLAY A estrutura principal segue aquilo que os fãs do gênero já conhecem muito bem. Cada dia é dividido entre cuidar das plantações, minerar, pescar, fabricar equipamentos, organizar a propriedade e administrar a energia disponível antes do anoitecer. A grande novidade aparece quando o jogo expande esse ciclo para outros planetas. Em vez de limitar toda a progressão a uma única fazenda, Farlands incentiva viagens constantes pelo sistema solar. Cada planeta oferece recursos exclusivos, biomas diferentes, novos personagens e materiais necessários para desbloquear equipamentos mais avançados. Isso faz com que a exploração tenha um peso muito maior do que normalmente vemos em jogos do gênero. Outro aspecto interessante está na sensação constante de evolução. Ferramentas melhores permitem acessar novas áreas, recursos raros desbloqueiam construções mais eficientes e a própria nave espacial evolui conforme a campanha avança. Essa progressão mantém o ritmo agradável durante boa parte da aventura. Apesar disso, nem tudo possui o mesmo nível de profundidade. Algumas atividades acabam sendo bastante familiares para quem já passou dezenas de horas em Stardew Valley ou Story of Seasons. O combate, por exemplo, existe principalmente como complemento da exploração e dificilmente será o principal atrativo da experiência. Um detalhe que me chamou bastante atenção foi o cuidado com pequenas animações espalhadas pelo jogo. Sempre que nosso personagem desmaia por excesso de cansaço, um pequeno robô aparece para carregá-lo de volta até a cama. É uma cena simples, mas extremamente divertida, que ajuda a dar personalidade ao universo de Farlands e quebra um pouco a repetição das atividades diárias. VISUAIS E SOM Visualmente, Farlands impressiona justamente por modernizar uma estética que muitos associam imediatamente a Stardew Valley. Embora mantenha o estilo pixel art, o nível de detalhamento é significativamente maior. O protagonista possui um rosto muito mais definido, expressões faciais perceptíveis e animações bastante naturais durante diversas ações do cotidiano. Essa evolução técnica faz diferença principalmente durante diálogos e pequenos eventos da campanha. A direção artística também aproveita muito bem o tema espacial. Cada planeta possui características próprias, desde a vegetação até a arquitetura das construções, criando cenários visualmente variados que estimulam a exploração constante. As animações também merecem destaque. Pequenos detalhes espalhados pela rotina deixam o mundo mais vivo, seja durante a mineração, nas interações com NPCs ou em momentos cômicos, como o robozinho que leva o personagem desacordado de volta para casa após um dia exaustivo de trabalho. A trilha sonora acompanha muito bem esse clima relaxante. As músicas priorizam melodias suaves durante a administração da fazenda e variam discretamente conforme exploramos novos ambientes, mantendo uma atmosfera agradável durante sessões prolongadas. ACHIEVEMENTS Farlands possui uma lista de conquistas bastante extensa e pensada para incentivar o jogador a experimentar praticamente todos os sistemas disponíveis. A campanha naturalmente recompensa os principais marcos da história, desde a compra do planeta e os primeiros reparos na nave até a conclusão da aventura e a restauração completa da Ark. Quem busca os 100% encontrará um desafio consideravelmente maior. Além de concluir a história, será necessário evoluir completamente a nave e a casa, construir todos os tipos de celeiros, cultivar todos os vegetais, cozinhar todas as receitas, desbloquear todas as melhorias de criação, visitar todos os planetas e dominar praticamente todas as atividades disponíveis, como pesca, mineração, agricultura, exploração, corte de madeira, coleta de pedras e captura de insetos. O sistema de relacionamentos também possui um papel importante na lista de conquistas. É preciso desenvolver amizades com os personagens, alcançar o nível máximo de afinidade, casar e até conquistar todos os candidatos disponíveis, tornando a interação com os NPCs um elemento essencial para quem pretende completar o jogo. No geral, é uma lista que exige bastante dedicação, mas sem depender excessivamente de desafios artificiais. O foco está em aproveitar todo o conteúdo que Farlands oferece, fazendo com que o caminho até os 100% funcione como uma extensão natural da experiência, especialmente para quem gosta de explorar cada mecânica antes de dar a aventura por encerrada. TRAILER OFFICIAL RESUMO Farlands deixa claro desde o início quais foram suas maiores inspirações, mas felizmente não fica preso apenas a elas. A combinação entre administração da fazenda, exploração espacial e progressão entre diferentes planetas oferece uma dinâmica que consegue renovar uma fórmula bastante conhecida. Algumas mecânicas ainda podem parecer familiares demais para veteranos do gênero, especialmente nas primeiras horas, mas a ambientação, o cuidado com as animações e a identidade visual ajudam a criar uma experiência que encontra espaço para se destacar por mérito próprio. Para quem procura um simulador de fazenda relaxante com bastante conteúdo, exploração constante e uma temática de ficção científica pouco comum dentro do gênero, Farlands é uma opção bastante interessante. Talvez ele não reinvente os simuladores agrícolas, mas adiciona elementos suficientes para justificar a viagem até esse pequeno sistema solar e tornar a reconstrução desse planeta uma jornada bastante prazerosa. Nota: 8.0/10 Review by Gamertag: Scoulz

  • Review: The Alters: Last Variable

    Mais científica, mais contemplativa e tão envolvente quanto a campanha original. Uma das maiores qualidades de The Alters foi deixar perguntas importantes no ar mesmo depois dos créditos. Last Variable parte justamente desse princípio ao transformar um dos desfechos possíveis da campanha principal em uma nova história, acompanhando o cientista Jan que decidiu permanecer no planeta enquanto os demais conseguiram escapar. A expansão pode ser iniciada separadamente do jogo base e ainda apresenta um resumo dos acontecimentos anteriores para contextualizar o jogador, embora conhecer as mecânicas e o universo de The Alters torne toda a experiência muito mais interessante. Em vez de repetir a estrutura da campanha original, a DLC muda completamente sua perspectiva. A sobrevivência continua sendo importante, mas agora divide espaço com uma investigação muito mais profunda sobre os mistérios do planeta, as consequências das escolhas feitas anteriormente e o destino de um Jan que passou anos convivendo com aquilo que os outros deixaram para trás. O resultado é uma expansão que amplia o universo criado pela 11 bit studios sem parecer apenas um conteúdo complementar, encontrando identidade própria ao aprofundar personagens, mecânicas e principalmente sua narrativa. HISTÓRIA A campanha acompanha o cientista Jan, a única versão que decidiu permanecer no planeta enquanto os demais Alters conseguiram escapar. E para quem jogou o jogo base, sabe que ele tinha um papel de voz muito ativa como um dos Alters de maior importância no jogo. Mas logo nos primeiros minutos percebemos que muito tempo se passou desde aqueles acontecimentos. O ambiente mudou, Jan envelheceu e a missão deixou de ser sobreviver por mais alguns dias. Agora o objetivo é entender o planeta, descobrir a verdadeira natureza do Oásis e continuar uma pesquisa que atravessou anos de isolamento. Outro elemento que fortalece bastante a história é a presença do JanBot, uma inteligência artificial criada pelo próprio Jan antes dos acontecimentos da expansão. Muito mais do que um simples computador da base, ele funciona como um registro vivo das pesquisas realizadas ao longo dos anos. Em vários momentos responde perguntas importantes, apresenta hipóteses sobre os fenômenos do planeta e até ajuda a reconstruir parte dos acontecimentos que ficaram em aberto na campanha principal. Gostei bastante dessa abordagem porque ela evita transformar a DLC em uma sequência que apenas entrega respostas prontas. Muitas descobertas continuam exigindo interpretação do jogador, tornando a investigação muito mais interessante. A própria existência dos novos Alters também ganha um significado diferente. Se antes acompanhávamos versões de Jan que seguiram profissões completamente distintas, agora todos eles surgem a partir do cientista, formando uma equipe composta exclusivamente por especialistas ligados à pesquisa. À primeira vista isso poderia fazer com que todos parecessem iguais, mas acontece justamente o contrário. Cada Alter possui personalidade, prioridades e maneiras muito diferentes de enxergar a missão. O Físico, por exemplo, demonstra uma confiança quase exagerada em suas próprias ideias e frequentemente acredita estar vários passos à frente dos demais. Já o Geólogo encara boa parte das descobertas com um entusiasmo contagiante, enquanto outras versões apresentam comportamentos mais cautelosos ou pragmáticos. Essas diferenças fazem com que as conversas continuem sendo um dos maiores atrativos da franquia. Em vários momentos eu me pegava adiando uma expedição apenas para acompanhar novos diálogos ou descobrir como determinado Alter reagiria às decisões que havia tomado. Jan deixa de ser apenas alguém tentando sobreviver e passa a carregar o peso de anos de pesquisa, fracassos e escolhas difíceis. Como agora ele próprio se torna a variável responsável por originar novas versões de si mesmo, a narrativa cria uma camada interessante sobre identidade e continuidade, sem precisar recorrer a longas explicações para fazer esse conceito funcionar. Existem revelações relevantes ao longo da jornada, mas a 11 bit studios toma cuidado para que o jogador continue montando esse quebra-cabeça aos poucos, ligando documentos, experimentos, diálogos e observações feitas durante a exploração. Isso faz com que Last Variable pareça uma continuação natural dos acontecimentos, e não apenas um epílogo criado para fechar pontas soltas. GAMEPLAY Quem já conhece The Alters vai se sentir em casa rapidamente. A estrutura de gerenciamento da base, exploração, coleta de recursos e pesquisa continua sendo o coração da experiência, mas Last Variable faz pequenas alterações que mudam o ritmo da campanha sem descaracterizar aquilo que tornou o jogo original tão envolvente. A maior diferença está na forma como o tempo é tratado. Enquanto a campanha principal girava em torno de uma contagem progressiva até os eventos que ameaçavam a sobrevivência da equipe, aqui tudo acontece sob uma contagem regressiva para o retorno do Sol. Quando esse momento chega, a superfície do planeta volta a se tornar completamente inabitável, criando uma pressão constante para que cada pesquisa, expedição e construção seja planejada com cuidado. A urgência permanece presente, mas agora ela está muito mais ligada ao avanço científico do que simplesmente à fuga. Outro sistema que altera bastante a dinâmica da campanha é a criogenia. Em determinados momentos, Jan precisa entrar em longos períodos de sono para preservar sua vida útil enquanto seus Alters continuam trabalhando normalmente na base. Essa passagem de tempo acaba produzindo situações interessantes, já que os cientistas continuam evoluindo, desenvolvendo novas relações e até mudando seu comportamento enquanto o protagonista permanece adormecido. É uma mecânica que conversa diretamente com a narrativa e reforça a sensação de que estamos conduzindo uma pesquisa que acontece ao longo de muitos anos. A própria base também representa uma mudança importante. Diferente do enorme complexo móvel do jogo principal, agora trabalhamos em uma instalação subterrânea fixa. Isso altera completamente a administração dos espaços. Em alguns momentos precisei reorganizar salas para acomodar novos laboratórios, depósitos e equipamentos de pesquisa, algo que exige um pouco mais de planejamento conforme a campanha avança. Não chega a ser uma revolução na fórmula, mas cria desafios diferentes durante o gerenciamento. A exploração continua muito próxima da vista no jogo base, e isso pode ser encarado de duas maneiras. Para quem gostou daquele ciclo constante de sair da base, procurar recursos, evitar anomalias e retornar antes que os riscos aumentem, a sensação de familiaridade funciona muito bem. Por outro lado, jogadores que esperavam mudanças mais profundas provavelmente perceberão que boa parte dessa estrutura permanece praticamente intacta. Mesmo assim, a expansão apresenta novidades suficientes para justificar seu retorno ao planeta. A terraformação é uma delas. Conforme novas pesquisas são concluídas, passamos a recuperar determinadas regiões do mapa, criando uma sensação clara de progresso durante a exploração. É um sistema que conversa diretamente com a proposta científica da campanha e reforça a ideia de que não estamos apenas sobrevivendo naquele ambiente, mas efetivamente tentando compreendê-lo e modificá-lo. As pesquisas também assumem um papel muito mais importante. Boa parte da progressão depende da produção de novos materiais, da realização de experimentos e do desenvolvimento de tecnologias inéditas. Isso faz com que a administração dos recursos continue sendo extremamente importante, principalmente porque cada decisão pode acelerar ou atrasar significativamente o avanço da campanha. Outro aspecto que continua funcionando muito bem são as conversas entre os Alters. Como todos pertencem ao universo científico, imaginei que suas personalidades seriam parecidas, mas a realidade é justamente o contrário. Cada um possui opiniões próprias sobre a missão, interpreta os acontecimentos de maneira diferente e frequentemente entra em conflito com os demais. Essas diferenças tornam a base muito mais viva e fazem com que os momentos de gerenciamento nunca pareçam apenas uma sequência de tarefas automáticas. Algumas decisões de gameplay também acabaram me incomodando de uma forma até engraçada. Não sei se foi apenas uma impressão minha, mas em vários momentos senti que o mapa exagera na quantidade de barreiras bloqueando a exploração. Não estamos falando de uma ou outra passagem fechada, e sim de dezenas de enormes formações rochosas que constantemente obrigam o jogador explorar melhor até o momento que pode quebra-las. Como optei por jogar em uma das dificuldades mais altas, qualquer desvio significava gastar mais tempo e recursos, aumentando bastante a tensão durante as expedições. Talvez por causa dos acontecimentos do jogo base, eu também passei boa parte da campanha esperando que algum Alter resolvesse tomar uma decisão completamente absurda outra vez. Confesso que houve momentos em que fiquei pensando: "pronto, lá vem mais um querendo cortar o próprio braço". Felizmente isso não acontece, mas a expectativa criada pelas experiências anteriores mostra como The Alters conseguiu construir personagens realmente imprevisíveis. Se existe um ponto que poderia ter evoluído mais, é justamente o ritmo da exploração. Em diversos momentos a campanha ainda exige aquele tradicional vai e volta entre a base e os pontos de coleta de recursos, algo que já dividia opiniões no jogo original. Felizmente, a qualidade da narrativa e dos novos sistemas acaba compensando esse pequeno excesso de repetição, mantendo o interesse durante praticamente toda a campanha. VISUAIS E SOM Visualmente, Last Variable mantém exatamente o alto padrão estabelecido pelo jogo principal. A direção de arte continua sendo um dos maiores destaques da franquia, aproveitando ambientes hostis para construir cenários que conseguem ser bonitos e inquietantes ao mesmo tempo. Embora boa parte da identidade visual seja familiar para quem jogou The Alters, a expansão apresenta novas regiões e utiliza muito bem o contraste entre áreas devastadas e locais onde a pesquisa científica começa a transformar o ambiente. O Oásis merece um destaque especial. Além de representar um dos maiores mistérios da narrativa, ele entrega algumas das paisagens mais bonitas de toda a experiência. A vegetação exuberante contrasta fortemente com o restante do planeta e transmite imediatamente a sensação de que existe algo diferente naquele lugar. É um cenário que desperta curiosidade desde o primeiro contato e reforça constantemente o desejo de continuar investigando seus segredos. Outro aspecto que me chamou atenção foi a verticalidade de determinados mapas. Em alguns momentos, a exploração deixa de acontecer apenas em áreas amplas e passa a aproveitar melhor diferentes níveis do terreno, tornando certos trechos mais interessantes de percorrer. Não é uma mudança gigantesca, mas ajuda a quebrar a familiaridade para quem passou muitas horas explorando o planeta durante a campanha principal. Aqui fica também uma parte que eu não gostei, o mapa não se adapta bem a isso, poderia ser melhor trabalhado na questão da altura. Os modelos dos personagens continuam excelentes, principalmente durante os diálogos. Mesmo compartilhando o mesmo rosto, cada versão de Jan transmite personalidade própria através das expressões, postura e interpretação. Isso faz com que seja muito fácil identificar quem está falando apenas pelo comportamento, algo essencial para uma história construída em torno de diferentes versões do mesmo personagem. A parte sonora mantém a mesma qualidade. A trilha acompanha muito bem os momentos de exploração, pesquisa e gerenciamento da base, alternando músicas mais discretas durante a rotina científica e composições mais tensas quando a situação exige decisões rápidas. Os efeitos sonoros continuam reforçando muito bem a atmosfera de isolamento, enquanto a dublagem permanece sendo um dos pilares da narrativa, dando identidade a cada Alter e tornando suas conversas ainda mais convincentes. ACHIEVEMENTS Assim como no jogo principal, as conquistas acompanham naturalmente a progressão da campanha e incentivam o jogador a explorar todos os sistemas inéditos apresentados pela expansão. Grande parte delas está ligada às novas pesquisas científicas, à produção de materiais avançados como Phased Rapidium, Proxylium e Megafluid, além da utilização dos terraformadores espalhados pelo mapa. Isso faz com que praticamente todas as novidades introduzidas pela DLC tenham algum tipo de recompensa para quem decidir experimentar cada mecânica. Também gostei da forma como algumas conquistas incentivam a interação com os Alters e aprofundam a narrativa. Completar toda a linha de história dos cientistas está entre os desafios mais interessantes justamente porque leva o jogador a conhecer melhor cada uma dessas versões de Jan, enquanto outras conquistas curiosas, como criar o mesmo Alter pela segunda vez, incentivam experiências que muitos provavelmente não fariam durante uma campanha comum. No fim, Last Variable adiciona apenas sete conquistas, mas todas possuem objetivos relevantes e bem integrados à proposta da expansão, sem dar a sensação de estarem ali apenas para aumentar a lista de desbloqueios. TRAILER OFFICIAL RESUMO The Alters: Last Variable faz exatamente o que eu esperava de uma expansão desse universo. Em vez de simplesmente adicionar novas missões, ela escolhe desenvolver um dos caminhos mais interessantes deixados pela campanha principal e entrega respostas para perguntas que muitos jogadores certamente fizeram ao terminar o jogo base. O foco maior na pesquisa científica, a evolução do cientista Jan e a presença dos novos Alters fazem a história ganhar uma identidade própria sem abandonar aquilo que tornou The Alters tão marcante. Embora preserve boa parte da estrutura original, incluindo um ciclo de exploração que em alguns momentos ainda pode parecer repetitivo, as novas mecânicas, a excelente construção dos personagens e a qualidade da narrativa fazem com que esse retorno ao planeta valha a pena. Nota: 8.6/10 Review by Gamertag: Scoulz

  • Review: 70s-style Robot Anime Geppy-X

    Muito mais do que um shoot'em up, Geppy-X faz você sentir que está assistindo a um anime clássico. Existem jogos que chamam atenção pela tecnologia, outros pela jogabilidade e alguns simplesmente pela personalidade. Geppy-X certamente faz parte do terceiro grupo. Lançado originalmente em 1999 para o primeiro PlayStation e exclusivo do Japão, ele permaneceu por mais de duas décadas como uma curiosidade conhecida apenas pelos fãs de jogos retrô e de animes de robôs gigantes. Agora, graças a uma remasterização em HD, finalmente temos a oportunidade de conhecer oficialmente essa obra bastante diferente de praticamente tudo o que existia na época. É importante destacar que esta nova versão não é um remake. Todo o conteúdo original foi preservado, incluindo campanha, fases e animações. O trabalho realizado aqui foi de restauração e modernização da experiência, adicionando resolução mais alta, recursos de qualidade de vida como Quick Save, Rewind, filtros de imagem, conquistas e diversas opções de configuração, tornando o jogo muito mais agradável para o público atual. Mas o que realmente faz Geppy-X se destacar não é apenas seu lado retrô. Desde os primeiros minutos fica evidente que a intenção nunca foi criar apenas mais um shoot'em up. A impressão é de estar assistindo a um anime perdido dos anos 70 ou 80, com direito a humor, ação exagerada, robôs gigantes, músicas cantadas e uma atmosfera que homenageia produções clássicas como Mazinger Z e Getter Robo sem esconder suas inspirações. GAMEPLAY A estrutura da campanha segue o estilo clássico dos jogos de nave com rolagem lateral. Entretanto, em vez de controlar uma espaçonave convencional, assumimos o comando do gigantesco Geppy-X, um robô capaz de alternar entre diferentes formas de combate, cada uma oferecendo tipos distintos de armamentos, incluindo lasers, mísseis e ataques especiais. Os controles são bastante simples de aprender, mas existe uma boa variedade estratégica graças às transformações disponíveis. Dependendo da situação, determinadas formas se mostram muito mais eficientes contra certos grupos de inimigos ou durante as batalhas contra chefes. Embora a base seja bastante tradicional, o ritmo nunca fica cansativo justamente porque o jogo intercala constantemente a ação com momentos cinematográficos. Ao concluir cada fase somos recompensados com animações extremamente divertidas, que expandem a personalidade dos personagens e reforçam a sensação de estar acompanhando episódios de uma série de televisão. É um detalhe que quebra muito bem o ritmo entre uma fase e outra e faz com que exista sempre uma curiosidade para descobrir o que acontecerá em seguida. Outro momento que merece destaque acontece sempre antes das batalhas contra os chefes. Cada um deles recebe uma apresentação própria através de animações em 3D mostrando sua chegada ao campo de batalha. Pode parecer algo simples atualmente, mas dentro da proposta retrô isso ajuda bastante a criar expectativa antes dos confrontos. Mesmo sendo um jogo lançado originalmente em 1999, a remasterização adiciona uma excelente camada de conforto para quem não possui tanta familiaridade com jogos antigos. Quick Save, Quick Load, filtros gráficos, ajustes de legendas e diversas opções extras fazem bastante diferença. São recursos que respeitam o material original sem abrir mão da praticidade que esperamos dos relançamentos atuais. HISTÓRIA A narrativa acompanha o conflito entre a humanidade e um império alienígena conhecido como Cosmic Demon Empire, responsável por enviar gigantescas máquinas de guerra para conquistar a Terra. Como última esperança, surge o Geppy-X, um super robô desenvolvido para enfrentar essa ameaça. No entanto, a história nunca tenta ser excessivamente séria. Pelo contrário, boa parte do charme está justamente no equilíbrio entre ação e comédia. Os diálogos possuem aquele exagero característico dos animes clássicos, enquanto várias cenas brincam com os clichês das produções de super robôs. Essa identidade fica ainda mais evidente na estrutura da campanha. Cada missão funciona como um episódio de anime, contando com abertura, cenas animadas, encerramentos e até pequenas prévias que reforçam ainda mais essa sensação. É uma proposta bastante incomum até hoje e impressiona ainda mais quando lembramos que isso foi realizado originalmente no primeiro PlayStation. VISUAIS E SOM Mesmo carregando limitações naturais da geração do PlayStation, Geppy-X ainda possui uma direção artística extremamente carismática. Durante as fases encontramos cenários construídos com um belo efeito de parallax, criando uma boa sensação de profundidade. Ao mesmo tempo, alguns elementos utilizam modelos tridimensionais, formando uma curiosa mistura entre gráficos 2D e 2.5D que acaba funcionando surpreendentemente bem dentro da proposta. As animações também merecem muitos elogios. As cenas que aparecem entre as fases possuem bastante personalidade, transmitindo exatamente a estética dos animes dos anos 70 e 80. Em vários momentos eu simplesmente queria assistir à próxima sequência antes mesmo de iniciar a missão seguinte. Se os gráficos conquistam pelo estilo, a trilha sonora praticamente rouba a cena. As músicas instrumentais já cumprem muito bem seu papel durante a ação, mas são as faixas cantadas que realmente elevam a experiência. Elas reproduzem perfeitamente a energia das antigas aberturas de anime, passando aquela sensação nostálgica mesmo para quem nunca assistiu às produções que serviram de inspiração. Sem exagero, a trilha sonora acaba sendo um dos maiores diferenciais de toda a obra. ACHIEVEMENTS A lista de conquistas de 70s-style Robot Anime Geppy-X acompanha muito bem a estrutura da campanha e incentiva o jogador a explorar praticamente todo o conteúdo disponível, sem recorrer a desafios artificiais ou excessivamente repetitivos. A maior parte dos objetivos é obtida ao longo da progressão da história, recompensando a conclusão de cada episódio da aventura. Também existem conquistas relacionadas a diferentes escolhas durante momentos específicos da campanha, o que naturalmente incentiva novas jogadas para conhecer variações da narrativa e desbloquear todos os finais disponíveis. Além da campanha principal, a remasterização também valoriza os conteúdos extras presentes no pacote. Há conquistas dedicadas aos modos especiais inspirados em outras produções fictícias do universo de Geppy-X, funcionando como uma espécie de bônus para quem quiser explorar tudo o que o jogo oferece. Completar a biblioteca de inimigos também faz parte da lista, exigindo atenção durante toda a jornada. No geral, trata-se de uma platina ou 1000G bastante agradável, que recompensa a exploração completa da experiência sem depender de desafios injustos ou tarefas excessivamente cansativas. TRAILER OFFICIAL RESUMO 70s-style Robot Anime Geppy-X é uma daquelas remasterizações que existem para preservar um pedaço importante da história dos videogames. Não tenta reinventar o jogo original nem modernizar suas mecânicas, mas oferece todas as ferramentas necessárias para que um público completamente novo possa finalmente conhecer um título que permaneceu exclusivo do Japão por décadas. Sua jogabilidade continua divertida, as transformações do robô trazem variedade aos combates e a campanha mantém um ritmo agradável graças às constantes cenas animadas que fazem a aventura parecer uma verdadeira série de televisão. Naturalmente, algumas limitações de design entregam sua idade, principalmente para quem está acostumado com shoot'em ups modernos. Ainda assim, sua personalidade compensa boa parte dessas características. A combinação entre humor, ação, animações, chefes criativos e uma trilha sonora simplesmente excelente cria uma identidade muito difícil de encontrar atualmente. Para fãs de animes clássicos de super robôs, colecionadores de jogos retrô ou apreciadores da história do PlayStation, Geppy-X deixa de ser apenas uma curiosidade e passa a ser uma recomendação bastante fácil de fazer. Nota: 7.9/10 Review by Gamertag: Scoulz

  • Review: Hell Clock

    Um mergulho ao inferno onde a cultura brasileira encontra um dos roguelikes mais viciantes dos últimos anos. A indústria brasileira de jogos vem conquistando cada vez mais espaço com projetos que apostam em identidade própria, e Hell Clock é um daqueles casos em que essa personalidade aparece desde os primeiros minutos. Em vez de apenas buscar inspiração nos grandes nomes do gênero, a Rogue Snail constrói uma experiência que utiliza referências bastante conhecidas para criar algo que possui sua própria assinatura. Foi uma surpresa descobrir um jogo que reúne elementos de Diablo e Hades de uma forma tão natural, automatizando diversas ações para deixar o combate ainda mais fluido, enquanto utiliza um dos episódios mais marcantes da história do Brasil como pano de fundo para sua aventura. Mais do que um excelente roguelike, Hell Clock demonstra um cuidado admirável com sua ambientação. A cultura brasileira aparece na dublagem, nas expressões, nos diálogos, nos personagens e na forma como toda a narrativa foi construída. É aquele tipo de detalhe que aproxima o jogador do universo apresentado e faz com que a aventura tenha uma personalidade difícil de encontrar até mesmo em produções internacionais. Pouco tempo depois de começar a campanha, ficou claro para mim que este era exatamente o tipo de jogo que eu não sabia que estava sentindo falta. HISTÓRIA Hell Clock apresenta uma releitura fantástica da Guerra de Canudos, utilizando o conflito histórico como base para uma narrativa sobrenatural bastante envolvente. Controlamos Pajeú, um guerreiro que decide atravessar as profundezas do inferno para resgatar a alma de Antônio Conselheiro após os acontecimentos que marcaram o fim de Canudos. Embora a premissa seja carregada de elementos históricos, o jogo nunca tenta ser um retrato fiel dos acontecimentos. A proposta é utilizar esse contexto para construir uma aventura repleta de demônios, criaturas infernais e locais corrompidos, transformando um episódio importante da história brasileira em um cenário perfeito para um ARPG. Conforme avançamos pelos diferentes níveis da masmorra, novos acontecimentos são revelados através de cenas muito bem produzidas. Gostei bastante da forma como a campanha recompensa o progresso do jogador. Cada novo trecho vencido costuma trazer uma cutscene que amplia o contexto dos personagens e mantém a curiosidade sempre alta para descobrir o que existe mais adiante. Essa estrutura funciona muito bem porque a narrativa acompanha o próprio crescimento do personagem. Enquanto as batalhas ficam mais intensas, a história também ganha mais peso, fazendo com que o avanço nunca pareça apenas uma sequência de salas cheias de inimigos. GAMEPLAY A estrutura de Hell Clock é extremamente fácil de entender, mas oferece uma profundidade enorme para quem gosta de experimentar builds diferentes. Cada expedição nos leva para uma região infernal composta por diversos andares. Conforme derrotamos os inimigos, avançamos cada vez mais fundo na masmorra, enfrentando desafios maiores e encontrando recompensas cada vez melhores. Esse ciclo acaba se tornando extremamente viciante porque praticamente toda sala oferece algum tipo de evolução para o personagem. O combate é um dos grandes destaques. As habilidades são rápidas, possuem ótimo impacto visual e evoluem constantemente durante cada tentativa. O sistema de progressão faz com que uma habilidade simples possa se transformar completamente poucos minutos depois, criando combinações extremamente poderosas. Uma decisão bastante inteligente da Rogue Snail foi automatizar diversas ações que normalmente exigiriam mais gerenciamento do jogador. Isso deixa toda a experiência muito mais dinâmica, permitindo que o foco permaneça no posicionamento, na movimentação e na construção da build. É uma filosofia que lembra bastante Hades, mas com uma quantidade de personalização muito próxima de Diablo. Os equipamentos também exercem um papel fundamental na evolução do personagem. Depois de resgatar determinados personagens presos na masmorra, novas opções passam a ficar disponíveis, ampliando significativamente as possibilidades de customização. Não se trata apenas de trocar uma espada por outra com números maiores. Os equipamentos alteram atributos importantes, aumentam a vida, fortalecem habilidades específicas e, em muitos casos, mudam completamente a forma como enfrentamos cada combate. É aquele tipo de sistema que incentiva constantemente a testar novas combinações. Outro elemento extremamente importante são as relíquias espalhadas durante as expedições. Elas possuem efeitos muito poderosos e conseguem transformar completamente uma partida. Em diversas ocasiões me vi adaptando toda a build apenas porque encontrei uma relíquia que combinava perfeitamente com determinada habilidade. Essa liberdade faz com que praticamente nenhuma tentativa seja igual à anterior. Mesmo utilizando o mesmo personagem, sempre existe espaço para experimentar estratégias diferentes. O próprio Hell Clock, o relógio que dá nome ao jogo, também influencia diretamente o ritmo das partidas. Existe uma constante sensação de urgência durante a exploração, obrigando o jogador a equilibrar risco e recompensa. Felizmente, quem prefere aproveitar a campanha sem essa pressão pode utilizar o modo Relaxed, removendo a limitação de tempo e permitindo explorar cada área com muito mais calma. Se existe algum ponto que pode afastar parte dos jogadores é justamente a quantidade de sistemas disponíveis logo nas primeiras horas. Equipamentos, bênçãos, habilidades, relíquias, progressão permanente e diversas outras mecânicas aparecem rapidamente. Felizmente, o aprendizado acontece de forma bastante natural e, depois de algumas partidas, tudo passa a fazer sentido. VISUAIS E SOM Visualmente, Hell Clock possui uma direção de arte muito bonita. As regiões infernais apresentam bastante personalidade, os efeitos das habilidades são chamativos sem prejudicar a leitura da ação e a quantidade de inimigos em tela ajuda a transmitir aquela sensação constante de caos que combina perfeitamente com o estilo do jogo. Os chefes também merecem destaque. Cada encontro apresenta criaturas marcantes, com ataques fáceis de identificar visualmente e padrões que exigem atenção constante durante o combate. Mas talvez o aspecto que mais tenha me conquistado seja toda a construção cultural presente na produção. Os diálogos utilizam expressões brasileiras de forma extremamente natural. A dublagem transmite personalidade aos personagens, os dialetos soam autênticos e a adaptação linguística demonstra um cuidado raro até mesmo em grandes produções internacionais. Em nenhum momento tive a sensação de estar ouvindo um texto traduzido apenas para cumprir tabela. A trilha sonora acompanha muito bem esse conjunto, alternando momentos de tensão durante as batalhas com composições que reforçam a atmosfera dramática da campanha. Toda essa identidade faz de Hell Clock um daqueles jogos que dificilmente poderiam ter sido produzidos em outro lugar. Existe um orgulho evidente em utilizar referências brasileiras para construir um universo próprio, e isso acaba tornando toda a experiência ainda mais especial. Não seria exagero colocá-lo ao lado de outros grandes representantes da indústria nacional. ACHIEVEMENTS As conquistas de Hell Clock acompanham muito bem a filosofia do jogo e evitam cair na armadilha de simplesmente aumentar o tempo necessário para chegar aos 100%. Boa parte delas é conquistada naturalmente durante a campanha, recompensando o avanço na história, a derrota de chefes importantes, o resgate de personagens e a descoberta de novas mecânicas. Sem revelar momentos específicos da narrativa, a lista incentiva o jogador a explorar praticamente todo o conteúdo disponível, fazendo com que cada nova conquista represente uma etapa significativa da jornada, em vez de apenas cumprir objetivos repetitivos. Depois que a campanha principal termina, as conquistas passam a incentivar o domínio completo dos sistemas de progressão. Há desafios envolvendo diferentes níveis de dificuldade, modos Hardcore, Ascension, Nightmare, Abyss e Oblivion, além de objetivos ligados à criação de builds cada vez mais eficientes e números de dano impressionantes. Isso faz com que a lista agrade tanto quem deseja apenas concluir a aventura quanto os caçadores de conquistas que gostam de superar desafios realmente difíceis. É uma relação de achievements que valoriza habilidade, conhecimento das mecânicas e dedicação ao endgame, sem depender de tarefas artificiais ou excessivamente repetitivas. TRAILER OFFICIAL RESUMO Hell Clock foi uma das melhores surpresas que encontrei recentemente dentro do gênero. Sua mistura entre elementos de Diablo e Hades funciona de maneira extremamente natural, aproveitando o melhor dos dois mundos enquanto elimina parte da burocracia normalmente presente em ARPGs mais tradicionais. O resultado é um combate extremamente prazeroso, acompanhado por um sistema de progressão que incentiva constantemente experimentar novas builds. A narrativa baseada na Guerra de Canudos adiciona uma identidade muito forte à campanha, enquanto a excelente localização em português, a dublagem e os diversos elementos culturais ajudam a transformar toda a aventura em algo bastante singular. Mesmo exigindo um pequeno período de adaptação por causa da quantidade de mecânicas disponíveis, a recompensa chega rapidamente. A cada nova descida ao inferno surgem equipamentos melhores, relíquias mais poderosas, novas habilidades e cenas que tornam a campanha ainda mais interessante. Para quem procura um roguelike de ação com excelente fator de replay, combate viciante e uma identidade brasileira marcante, Hell Clock merece entrar facilmente na lista de prioridades. É uma produção que demonstra o talento da Rogue Snail e reforça que o Brasil continua produzindo jogos capazes de competir em qualidade com grandes nomes do mercado internacional. Nota: 8.2/10 Review by Gamertag: Scoulz

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